Nossa organização, a Liga dos Trabalhadores ao Socialismo (LTS) quer compartilhar com todos os lutadores sindicais e populares do Panamá sua análise da atual situação política e o que, em nossa opinião, deveria fazer o campo popular para sair vitorioso dela.
 
A resistência operária coloca em crise a ofensiva patronal de Martinelli.
 
O governo de Martinelli teve que enfrentar durante o mês de julho a crise política mais importante de seu governo. Num primeiro momento, Martinelli passou uma impressão de fortaleza e parecia anunciar uma “nova era” marcada pelo retorno do mais primitivo setor da burguesia ao governo.
 
Rapidamente Martinelli, dividiu os cargosdas instituições do estado entre os seus familiares, amigos e empregados e se decidiu por atacar os direitos econômicos e sociais da classe trabalhadora.
 
Só se pode entender a política criminosa e anti-operária desse governo no marco da política que o imperialismo tem para a região e de como a oligarquia panamenha, que é sua fiel subserviente, a aplica em nosso país.
 
No Panamá, estamos as portas da aprovação de um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos que é parecido com o acordo que funciona em todo o restante da América Central. A aplicação da lei 30 só pode ser compreendida no marco dessas políticas de recolonização econômica, política e militar que são empreendidas no conjunto da América Central.
 
A agressão de Martinelli levada adiante contra a classe trabalhadora é uma ação que busca desorganizar e dissolver a força organizada dos trabalhadores, para que a classe não consiga responder a altura aos ataques cada vez mais duros da ofensiva patronal. Se analisarmos com detalhe a Lei 30, esta busca atacar a possibilidade de resistência coletiva dos trabalhadores, derrotar os sindicatos, dividir a classe, impedir de fato o direito de greve e promover a impunidade policial.
 
Isto é assim porque Martinelli visa aprofundar até as últimas conseqüências o imoral modelo econômico de corte neoliberal, que já havia sido organizado, em suas formas fundamentais, sob o governo do PRD. Este modelo, cujo coração é garantir os bons negócios aos banqueiros, às seguradoras, aos grandes grupos imobiliários, de construção, comerciais e importadores necessita derrotar a possibilidade de resistência da classe operária para aprofundar seus planos de superexploração.
 
A insurreição em Bocas del Toro aponta o caminho da luta
 
A lei 30 encontrou pela frente a firme resistência dos trabalhadores. Neste caso foram os trabalhadores bananeiros de Bocas del Toro, organizados no SINTRAIBANA e outros sindicatos operários que mostraram o caminho da luta.
 
Em Bocas del Toro presenciamos uma verdadeira rebelião popular, não só porque os trabalhadores enfrentaram com valentia e firmeza durante 11 dias o governo de Martinelli, rechaçando a repressão policial e sofrendo com a morte de pelo menos nove ativistas, mas também porque os trabalhadores passaram por cima de sua própria direção e impuseram métodos de luta insurrecionais que foram incorporados por todo o povo bocatorenho.
 
É verdade que a força da rebelião popular em Bocas del Toro foi contida através da repressão empreendida a sangue e fogo pelo governo e custou nove vidas. No entanto, a rebelião deixou em crise o governo e toda a sua ofensiva patronal.
 
A convocação para a greve de 13 de julho (posterior aos acontecimentos de Changuinola) foi importante, mas não foi suficiente para forçar o governo voltar atrás na sua política. Na greve participaram, de diferentes maneiras, os trabalhadores da construção civil, da educação, da Universidade do Panamá, em menor grau os trabalhadores do comércio e houve também ações de grupos de estudantes universitários nos Centros Regionais. Sabemos que ocorreram ações em vários lugares de Santiago, Penonomé, David e La Chorrera. Em Colón, a greve foi muito importante, existindo também casos de grande combatividade como no Complexo Hospitalar Manuel A. Guerrero, onde os trabalhadores, pela segunda vez, tiveram descontados seus salários por terem participado da greve.
 
Mas para ser claro acerca da realidade da greve em Bocas Del Toro, esta esteve relativamente isolada. Com exceção dos trabalhadores do setor da construção e da educação que paralisaram suas atividades quase que por completo, ficou claro a debilidade dos aparatos sindicais para paralisar setores importantes da produção. É necessário reverter essa situação.
 
O governo busca deter o processo de radicalização e luta social, suspendendo durante 90 dias três dos artigos que tem a ver a com o Código de Trabalho e chamando um diálogo com os movimentos sociais. O governo de Martinelli, seguindo o conselho da burguesia, tenta agora passar a lei 30 não pela via das balas e da repressão, mas sim sobre a base da traição e do diálogo na mesa de negociação.
 
Neste sentido, nossa organização quer ser categórica: Exigimos a revogação da lei 30 de maneira imediata e nos opomos à participação no falso diálogo social que quer montar o governo!
 
Temos que dar importantes passos na preparação de uma greve geral que paralise o país. Esta é a única forma de sepultar definitivamente a lei 30 e os planos de Martinelli.
 
Que propomos ao movimento popular?
 
Para conseguir este objetivo o movimento popular deveria colocar as seguintes tarefas:
 
1- Não cair na armadilha do falso acordo do governo. Não se pode aceitar que se revoguem somente os aspectos parciais da lei 30. FRENADESO, CONATO, ULIP e os ambientalistas devem se manter firmes e unidos na exigência que unificou os diversos setores em luta: Revogação integral da lei 30, a lei carcerazo (que criminaliza as manifestações populares) e o decreto que atenta contra o sistema ecológico panamenho.
 
2- Se o governo insiste em manter estes bizarrices jurídicas, as centrais sindicais e populares deveriam encaminhar a preparação de uma autêntica greve geral unitária que repita a façanha em Bocas Del Toro.
 
3- Valorizamos o processo de Reuniões Nacionais de Dirigentes que estão acontecendo no país, mas acreditamos que essas iniciativas devem ser unitárias. Não são prudentes nesse momento ações descoordenadas, devemos conseguir uma única Frente Unitária de Luta com uma forte representação das bases populares, para assim termos planos e ações unificadas e contundentes nas ruas. Devemos evitar o burocratismo, o sectarismo e evidentemente qualquer ação de traição que leve essa gloriosa luta à derrota. Repetimos, se queremos uma verdadeira greve geral que dobre o governo de Martinelli, esta ação deve ser preparada e executada de forma unificada.
 
4- Precisamos exigir a renuncia imediata dos responsáveis da repressão em Bocas del Toro, Alma Cortés, do MITRADEL, o diretor Nacional da Polícia e José Raúl Mulino, ex-ministro de Governo e da Justiça. Assim como o julgamento e castigo aos responsáveis materiais e intelectuais dos nove mortos em Bocas del Toro.
 
5- Como temos assinalado, a política criminosa de Martinelli só pode ser entendida como um capítulo da política do Imperialismo para a região. Por isso opinamos ser de suma importância exigir a anulação da aprovação de TLC com os Estados Unidos que realizará a Assembléia Legislativa.
 
6- Se um fato demonstra com claridade o último mês de luta, é a necessidade que o povo trabalhador forje seu partido operário e socialista que oriente as lutas e consiga coordenar e generalizar o crescente descontentamento contra o governo de Martinelli. Nós da Liga de Trabalhadores ao Socialismo estamos empreendendo esforços para construir de fato esse instrumento.
 
Tradução: George Bezerra