Enquanto nas eleições de 2013 a esquerda reformista se esconde sob a toga de Antonio Ingroia (fiel servidor dos órgãos repressivos do Estado burguês) [1] e elimina qualquer referência – tanto simbólica como programática – à luta de classes, na tentativa de voltar a sustentar, de qualquer maneira, o próximo governo de centro-esquerda.  É necessário fazer conhecer, inclusive nestas eleições, um ponto de referência de classe, alternativo e revolucionário.



O objetivo das candidaturas da Alternativa Comunista é um só: dar visibilidade às lutas dos trabalhadores e dos jovens que, apesar da desagregação e asfixia das burocracias sindicais e, portanto, dos partidos da esquerda governista (a partir do partido Esquerda, Ecologia e Liberdade – SEL, na sigla em italiano – e da Refundação), se desenvolvem em nosso país, ainda que por enquanto, em um ritmo substancialmente mais lento do que ocorreu em outros países europeus como a Espanha e a Grécia.



O PdAC apresenta uma lista própria para as eleições nacionais



A Alternativa Comunista apresenta um programa de classe e uma lista de candidatos operários, estudantes e imigrantes. O candidato a primeiro ministro é Adriano Lotito, de 20 anos, estudante universitário em Bologna e batalhou linha de frente das lutas estudantis do último ano, que têm sido a vanguarda das mobilizações em nosso país. Isto acontece enquanto a Refundação Comunista com Ingroia e sua coalizão Revolução Civil, apoiam candidatos que têm defendido a repressão policial das lutas da juventude (como Dei Pietro [2], que se solidarizou com os policiais do G8, de Gênova e as igrejas, com "leis especiais", após a manifestação de 15 de outubro de 2011; com a polícia e os magistrados dos órgãos repressivos da burguesia; sequer fechando as portas à ex-MSI, Movimento Social-Italiano, fascista).



A candidatura de um jovem, hoje estudante e amanhã trabalhador precarizado ou desempregado, simboliza a necessidade de uma perspectiva de alternativa revolucionária, contraposta à todas as faces da burguesia e, ao mesmo tempo, distante das opções submetidas aos patrões da chapa de Ingroia e da esquerda reformista. Uma alternativa que não sairá eleita das urnas, mas que se construirá nas lutas operárias e estudantis, contra os governos “dos sacrifícios” e da austeridade que querem descarregar a crise do capitalismo sobre os trabalhadores nativos ou imigrantes, estudantes e precarizados.



A campanha eleitoral do PdAC estará à serviço deste único projeto: unir e desenvolver as lutas para construir uma oposição de classe ao próximo governo burguês, isto é, o provável governo de Bersani-Vendola, que terá o apoio (mais ou menos "crítico") de Ingroia, Refundação, Itália dos Valores – IDV, Verdes e alaranjados diversos. E trabalhar para unir-se internacionalmente às lutas, a partir das lutas contra o pagamento da dívida imposta pelos governos dos banqueiros e industriais na Europa.



Uma perspectiva de revolução: não "civil" e sim socialista!



[1] Antonio Ingroia é um juiz, jornalista e político italiano, candidato a primeiro ministro na cabeça da chapa Revolução Civil com vista às eleições italianas de 2013, com o apoio do Partido da Refundação Comunista, Partido dos Comunistas Italianos, Federação Verde, Itália dos Valores e o Movimento Laranja de Luigi de Magistris. Também se incorporam a essa coalizão os seguintes movimentos: A Mudança É Possível, Agenda Vermelha de Borsellino e o Povo Vermelho.



[2] Antonio Dei Pietro é o líder da Itália dos Valores-IDV.

Tradução: Gleice Oliveira