Hoje o ministro do Trabalho, Rolando Castro (ex – sindicalista municipal) compareceu a uma coletiva de imprensa acompanhado pelo Secretário Jurídico da Presidência, Conan Castro (irmão do presidente da Assembleia Legislativa e mencionado na lista Engels) para anunciar que o governo salvadorenho condenava qualquer manifestação, viesse de onde viesse e se dirigisse para onde se dirigisse no 1º.de maio.

Por: PCT-El Salvador

Entre outras coisas, disse que aqueles que estavam convocando e aqueles que estariam se manifestando eram familiares de bandidos, colaboradores ou financiadores de gangues. Também assegurou que os verdadeiros dirigentes sindicais estariam em um evento do governo, concentrados em um só local e que não se manifestariam. Isto constitui um novo avanço e a revelação das intenções reais do governo Bukele. O regime de exceção não é mais que uma desculpa para atacar as liberdades democráticas do povo e dos opositores do governo, pois embora a máquina de propaganda do governo nos mostre centenas e até milhares de capturas diárias de membros das gangues, vem à tona dois fatos inegáveis: muitos dos capturados não têm nada a ver com gangues e aqueles que têm, não foram capturados antes, nos 3 anos de governo apesar de hoje nos venderem excelentes resultados de inteligência e operatividade policial. Depois deste avanço, o que continua é o ataque aos direitos dos trabalhadores no país, o despojo de suas economias de aposentadorias, a aplicação de mais impostos regressivos, demissões e mais demissões, repressão e mais repressão.

Esse fato de hoje se reveste de uma gravidade enorme pois avança e consolida uma conduta típica e própria de uma ditadura. Devemos recordar ao ministro Castro que só os trabalhadores podem eleger livremente seus representantes e que ele não foi eleito nem pela população nem pela classe trabalhadora pois seu cargo é eminentemente político e vigente, portanto, não tem nenhuma autoridade para julgar e definir aqueles que são os verdadeiros dirigentes sindicais, que, segundo seu discurso e conduta, nada mais seriam do que aqueles que apoiam o regime. Vemos esta conduta nitidamente e comumente nas ditaduras que se apropriam do direito de decidir quem é bom e quem não é.

O que estamos testemunhando é uma tentativa de criminalização de qualquer tipo de protesto social ou manifestação da oposição. Pior ainda e mais grave ainda é querer identificar ou relacionar os dirigentes sindicais ou sociais com as gangues para poder levá-los à prisão, tal qual anunciou o ministro hoje ao dizer que seriam perseguidos e presos sem importar onde estivessem.

Também não podemos, nem devemos, deixar passar despercebida a gravíssima traição daqueles chamados dirigentes sindicais que associam seu respaldo ao ministro e ao governo no poder. A pior corrupção de um dirigente sindical é perder sua independência de classe, sua independência do governo, dos partidos políticos patronais, por interesses mesquinhos que em nada beneficiam sua base ou sua classe. Este grupo de mal chamados dirigentes não são mais que traidores e suicidas porque, cedo ou tarde, estas medidas que hoje aplaudem e das quais são cúmplices, terminarão se voltando contra eles próprios. Que a história e a classe trabalhadora os julgue e deprecie.

Fazemos um enérgico chamado à classe trabalhadora no país a prestar muita atenção nestes personagens que hoje os traem e a defender seu direito de manifestação, comemorando e lutando em uma data tão importante como é o 1º de maio. Nossa voz também se levanta apelando à classe trabalhadora internacional, à opinião pública, aos diferentes organismos da comunidade internacional para que tomem conhecimento do que está acontecendo em El Salvador e protestem também contra as medidas ditatoriais do governo.

Hoje fica mais evidente a necessidade de unificar todos que somos contra todas estas medidas. Deve surgir de um chamado para realizar uma manifestação única que convoque e junte todos aqueles que não aceitamos estas medidas de regime que só busca esmagar os legítimos direitos e a legítima necessidade de lutar e fazer sentir as demandas justas da classe trabalhadora salvadorenha.

QUANTO MAIS REPRESSÃO, MAIS LUTA!!!!

VIVA O 1º DE MAIO E AS LUTAS DA CLASSE TRABALHADORA!!!

FORA AS DIREÇÕES TRAIDORAS E O REGIME AUTORITÁRIO DE EL SALVADOR!!!

Tradução: Lílian Enck