Depois de seis dias de protestos massivos em todo o país, o governo de Iván Duque foi obrigado a retirar o projeto da Reforma Tributaria do Congresso Nacional e demitir o Ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla. Esta é, sem dúvida, uma vitória parcial das massas, mas estas mesmas massas entenderam que o problema não é a reforma tributária mas todo o pacote e o regime político, que pretende que a crise econômica aprofundada pela pandemia, seja paga pela classe trabalhadora e os pobres. O próprio Governo aceita que a qualquer momento, voltem a apresentar o projeto. Também continua em curso o projeto de lei 010 que termina de privatizar a saúde e precarizar os trabalhadores do setor.

Por: PST-Colômbia

Por isso, a Paralisação Nacional deve ter como objetivo derrubar o governo criminoso de Duque que respondeu com uma violenta repressão ao clamor de milhões de pessoas, que saíram às ruas, que ocuparam as rodovias, praças e parques, com mais de 50 jovens assassinados, centenas de pessoas lesionadas e seis mulheres estupradas pela Polícia.

Entretanto, apesar da repressão, as pessoas continuam mobilizadas, a Paralisação Nacional não é apenas nas cidades: em centenas de municípios do país, a juventude, os professores, os camponeses realizaram atos e manifestações. A Minga[1] Indígena, os caminhoneiros e os trabalhadores da saúde também estão mobilizados contra as medidas do Governo de Duque.

O povo nas ruas e o CNP na virtualidade

E enquanto, nas ruas, a juventude e as organizações sindicais e sociais travavam uma batalha contra a Reforma Tributária, o Comitê Nacional da Paralisação (CNP) – reduzido desde 2019 à burocracia das centrais sindicais – convoca eventos virtuais e continuam jogando pelo enfraquecimento da mobilização, para atribui-se o papel de negociadores de uma luta que não dirigiram e que pretenderam adiar até 19 de maio, embora agora estejam tentando se colocar novamente à frente chamando para um novo dia de luta em 5 de maio, em uma mostra de que estão alinhados no processo.

É urgente que as organizações sindicais afiliadas a estas centrais, que participaram nas lutas, mudem essa burocracia que convoca pactos enquanto a juventude é assassinada, lesionada, detida e violentada pelo Esquadrão Móvel Antidistúrbios (ESMAD) da Polícia Nacional.

É preciso uma nova direção na CUT que se coloque à frente das lutas. Porque as massas, que estão por fora de seu controle burocrático, continuaram nas ruas e conseguiram esta vitória parcial que só poderá se consolidar com a queda do Governo de Duque.

Um Encontro Emergencial para fortalecer as lutas

O Pacote continua em curso, a militarização das rodovias e cidades junto aos crimes da Polícia Nacional contra os manifestantes não podem ficar impunes, e a exigência de um plano de vacinação gratuito e em massa para enfrentar a pandemia continua sendo urgente. Por isso, a Paralisação Nacional deve continuar indefinidamente até a queda de Iván Duque.

É urgente unificar as lutas, fazer um Encontro Nacional Emergencial e eleger democraticamente uma nova direção com as organizações sociais e sindicais, de mulheres, da juventude, das comunidades afro e indígenas, que estão assumindo a luta nas ruas e nas rodovias.

As massas mostraram o caminho, não podemos adiar as lutas com as agendas da burocracia sindical ou os calendários eleitorais. A pandemia mata centenas de pessoas a cada dia, a fome e o desemprego atingem a classe trabalhadora e os setores populares, é a mobilização nas ruas que pode não apenas deter o Pacote, mas derrubar este governo criminoso com uma Paralisação Nacional por tempo indeterminado.

  • Abaixo Duque e seu Plano! Fora Duque e todos os corruptos assassinos!
  • Que os ricos paguem pela crise, não ao pagamento da Dívida Externa!
  • Abaixo o PL 010 que privatiza a saúde!
  • Vacinação Massiva Já!
  • Diante do massacre policial e a militarização, julgamento e punição dos culpados, desmonte imediato do Esmad!
  • Para defender a mobilização, organizar a Guarda Operária e Popular!
  • Paralisação Nacional por tempo indeterminado, parar a produção!
  • Encontro Nacional de Emergência JÁ! Convocar já as assembleias populares!
  • Às ruas para lutar contra Duque e seu Plano! Por um Governo Operário e Popular!

[1] Em quíchua, a palavra “minga” ou “minka” refere-se à reunião de diversos atores, conhecimentos e ferramentas em busca de um objetivo comum (ndt,).

Tradução: Lilian Enck