O general Otto Pérez Molina renunciou à presidência da Guatemala e foi posto em prisão preventiva por dirigir a rede criminosa “A Linha”, tal qual que aconteceu com a Vice Presidenta, Roxana Baldet­ti. Este é um triunfo da mobilização do povo guatemalteco contra o governo corrupto da burguesia desse país. Des­de a saída do general Anastásio Somoza da Nicarágua em 1979, há 36 anos, não havia caído um governante na América Central obrigado pela mobilização popular.

 

A burguesia desse país e o imperialismo estadunidense pretendem que todos acreditem que a saída do governo de Otto Pérez é uma conquista da CICIG [Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala], do “sistema democrá­tico” e da “justiça”, porém essa afirmação não é a correta.
No principio, a burguesia e a Embaixada dos Estados Unidos tentaram proteger o general Otto Pérez Molina, pri­meiro impedindo que o início da investigação da CICIG se estendesse até o presidente, e quando isso foi inevi­tável devido a pressão popular, fizeram de tudo para impedir que se aplicasse o Juízo Político no Congresso, o que também fracassou.
 
Foi a impressionante mobilização do povo guatemalteco o que exigiu aos deputados e funcionários da justiça que se distanciassem do governo e continuassem com o processo até dar com as evidências que incriminam diretamente o ex-governante, rompendo assim a proteção que o Parti­do LIDER e a Embaixada gringa davam a Pérez Molina.
 
Inicialmente, o movimento foi impulsionado por jovens da classe média, mas o em­purrão que determinou a queda do general Molina foi dado pelos estudantes universitários, pelo magistério, setores operários e camponeses que realizaram greves, fechamento de estradas e ocupações de edifícios públicos em sucessivas paralisações nacionais para expulsar o corrupto governante; a essas paralisações se somou parte da mesma burguesia afetada por certas políticas de Otto Pérez, com paralisações patronais.
 
Nessas condições, a burgue­sia governante e o imperialismo tiveram que aceitar que a saída de Otto Pérez era o mal menor diante da iminência de um levantamento popular, no qual a classe trabalhadora começava a participar de forma crescente. A “renúncia” do governante foi uma medida preventiva para evitar que ele fosse colocado pra fora por um levantamento popular como o que pôs pra fora a Anastásio Somoza na Nicarágua.
 
Hoje em dia, o empenho principal da burguesia guatemalteca é encerrar rapidamente este capítulo, procurando o revezamento do corrupto ex-presidente por outra figura da oligarquia. Momentaneamente, o vice-presidente, Alejandro Maldonado é quem cumpre esse papel, velho político ultradireitista, aliado de Ríos Mont, e cúmplice de massacres; e em janeiro de 2016 assumiria Jimmy Morales, da Fren­te de Convergência Nacional, partido criado por ex-militares de ultradireita. Com essa substituição se pretende virar a página, fingir que tudo passou e manter a mesma situação de sempre.
 
No entanto, as eleições recém-passadas não solucionaram nenhuma das causas pelas quais o povo saiu às ruas. Portan­to, a conjuntura de luta segue aberta para continuar exigindo o castigo dos corrup­tos, a devolução dos fundos roubados e a construção de uma sociedade democrática.
 
Vários setores de vanguarda começam a exigir uma Assembleia Constituinte Po­pular e Plurinacional para reorganizar o país, de forma que os principais desejos de mudança dos trabalhadores, jovens, mulheres, e o povo em geral sejam satisfeitos.
 
Nós dizemos que só um governo de operários e camponeses será capaz de levar este processo de transformação até suas últimas consequências.
 
A Guatemala é um exemplo de como o povo pode rechaçar um governo corrupto, não por nenhuma CICI [Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala] nem pelas bondades do sistema de justiça, mas graças à mo­bilização popular, com medidas de pressão efetivas. Porém, além, desta luta, que tem tantas conexões com a luta dos e das indignados (as) em Honduras, põe sobre a mesa a atualidade de construir uma Fede­ração Socialista de Estados Centro americanos, o velho sonho de Morazán, o qual somente poderá ser realizado por uma revolução cujo principal protagonista seja a classe tra­balhadora centro americana.
 
Artigo publicado no El Trabajador n.° 114, setembro de 2015.-

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