No dia 18 de março, recordaremos os 150 anos da eclosão da Comuna de Paris, o primeiro governo operário da história. Nesta data, a LIT-QI publicará um especial com artigos sobre diversos aspectos desta experiência fundamental para o movimento operário e o marxismo.

Por: Daniel Sugasti

Embora tenha durado 72 dias, o estudo da Comuna e as lições teórico-políticas sintetizadas pelo marxismo seguem vigentes.

A humilhante derrota do exército de Luís Bonaparte (Napoleão III) na Guerra franco-prussiana acelerou um processo de descontentamento popular. O imperador francês foi aprisionado pelos prussianos e o Segundo Império Francês desmoronou. Em Paris, a Terceira República foi proclamada e um Governo Provisório de Defesa Nacional, presidido por Louis Jules Trochu, foi constituído.

Por ordem do chanceler Otto von Bismarck, Paris foi bombardeada e sitiada até a assinatura do armistício em 28 de janeiro de 1870.  Dez dias antes, o Império alemão fora proclamado no Palácio de Versalhes, selando a unificação alemã. A França perdeu as províncias de Alsácia e Lorena, além de assumir o pagamento de duras reparações de guerra. Após a capitulação, Adolphe Thiers assume a presidência provisória, em 17 de fevereiro de 1870.

A Guarda Nacional se preparou para defender Paris diante da deserção da burguesia francesa e a entrada do exército prussiano. Tratava-se de uma milícia parisiense de centenas de milhares de combatentes, que elegiam seus próprios oficiais. Com o apoio da população, posicionaram canhões para resistir.

No dia 18 de março de 1871, Thiers tentou confiscar esses canhões, com o objetivo de desarmar a Guarda Nacional e o povo de Paris. Contudo, fracassou estrondosamente. Parte das tropas regulares se uniram à Guarda. O governo francês precisou fugir e se instalar em Versalhes. Paris ficou nas mãos do Comitê Central da Guarda Nacional, que convocou eleições no dia 26 de março de 1871, dando início oficial à Comuna de Paris, o primeiro governo operário da história.

Até sua sangrenta derrota – estima-se que o exército francês executou mais de 30 mil pessoas e obrigou outras 7 mil ao exílio –, a Comuna adotou uma série de medidas que, como Marx escreveu, fizeram dela “um governo da classe operária, fruto da luta da classe produtora contra a classe apropriadora, a forma política enfim descoberta para realizar, dentro dela, a emancipação econômica do trabalho” (A Guerra Civil da França).

A LIT-QI publicará um especial comemorando esta data. Uma série de artigos abordará distintos aspectos da Comuna, entre eles: o contexto no qual eclodiu; as medidas adotadas; os limites de sua direção e as razões de sua derrota; as posições de Marx, Engels e a Primeira Internacional; a polêmica entre as correntes que atuaram na Comuna; o papel das mulheres neste processo; a questão militar; entre outros. Esperamos que os assuntos a abordagem dos autores e autoras sejam úteis e uma justa homenagem a esta façanha da revolução operária internacional.