search
Grécia

Revisitar SYRIZA: um debate estratégico para o marxismo hoje

A experiência do SYRIZA revela os limites da conciliação entre a esquerda e as instituições do capitalismo.

Florence Oppen

agosto 5, 2026

Introdução

A ofensiva do governo de Javier Milei não se limita a ajustar o orçamento do Estado. Ajusta também, e talvez acima de tudo, o horizonte político da esquerda argentina, submetendo à prova suas concepções estratégicas mais arraigadas. Frente a um programa de ajuste de uma profundidade inédita desde a crise de 2001, e com a crescente popularidade do FITU (Frente de Esquerda e os Trabalhadores – Unidade), amplos setores buscam construir uma alternativa mais ampla capaz de disputar o governo. Nesse debate reaparece uma proposta conhecida: que essa alternativa se daria mediante a reunificação de toda a «centroesquerda» ou a «esquerda ampla» e a conformação de um partido ou movimento amplo que priorize os acordos entre as agrupações de esquerda acima das delimitações programáticas. Aqueles que defendem essa orientação sustentam que apenas uma força desse tipo pode romper o isolamento da esquerda e se tornar uma verdadeira alternativa de poder. Mas a história tem mostrado repetidamente que a amplitude sem programa é um refúgio de iludidos.

O debate não é novo. Há pouco mais de uma década, milhões de trabalhadores em todo o mundo depositaram expectativas semelhantes no SYRIZA, a coalizão de esquerda que chegou ao governo na Grécia prometendo pôr fim à austeridade sem romper com o euro —como se a história, em sua ironia mais fina, pudesse resolver suas contradições sem passar pelo fio da ruptura. Sua ascensão e, sobretudo, sua capitulação diante da Troika —a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, responsáveis por supervisionar os programas de ajuste e resgate da eurozona— constituem uma das experiências estratégicas mais importantes da esquerda do século XXI. Ao redor do SYRIZA se desenvolveu um amplo debate internacional sobre que tipo de organização política a classe trabalhadora precisava após a crise da social-democracia, no qual surgiram propostas de formar «partidos amplos» e «novas formações de esquerda», concebidas como coalizões eleitorais que reunissem distintas tradições políticas sob um programa deliberadamente aberto. Retornar a essa experiência não responde apenas a um interesse histórico, já que muitas das discussões de fundo abertas então se reavivaram hoje na esquerda argentina.

A crise grega não foi um fenômeno isolado. Fez parte da crise geral da zona do euro iniciada em 2008, na qual os Estados socializaram as perdas do sistema financeiro por meio de resgates bancários financiados com dívida pública e programas posteriores de austeridade. A Grécia representou a expressão mais aguda dessas contradições.^1

A crise também transformou o sistema político grego. O PASOK, o partido social-democrata que havia governado o país durante décadas, passou de 43,9% dos votos em 2009 para 13,2% em 2012. Esse colapso deu origem ao termo pasokização, utilizado para descrever o colapso eleitoral dos partidos social-democratas que implementaram políticas de austeridade. Ao mesmo tempo, entre maio de 2010 e o final de 2015, ocorreram vinte e oito greves gerais —incluindo quatro de 48 horas— junto com centenas de greves setoriais, ocupações e manifestações que transformaram a Grécia no principal epicentro da resistência europeia às políticas de austeridade.^2

Nesse contexto, o SYRIZA passou de ser uma força marginal a se tornar uma alternativa de governo. Obteve 4,6% dos votos em 2009; 16,8% em maio de 2012; 26,9% em junho do mesmo ano; e finalmente 36,3% em janeiro de 2015.^3

Entre 2012 e 2015, o SYRIZA se consolidou como um referencial para amplos setores da esquerda internacional. Para milhões de trabalhadores e jovens, representou uma alternativa frente à crise econômica, os planos de ajuste e o descrédito dos partidos tradicionais. Mas para amplos setores da população, o voto na coalizão de esquerda foi antes de tudo uma forma de punir os partidos responsáveis pelos memorandos de austeridade, mais do que uma adesão plena a um projeto socialista. Como apontava então a própria LIT, o voto expressava fundamentalmente a rejeição popular aos partidos que haviam administrado a Troika durante os primeiros anos da crise.^4

Diversas organizações revolucionárias interpretaram o crescimento e triunfo eleitoral do SYRIZA de maneiras distintas. O MST (Movimento Socialista dos Trabalhadores) apresentou o SYRIZA como o modelo de uma nova esquerda ampla capaz de superar o «sectarismo» da esquerda revolucionária tradicional. O Committee for a Workers’ International (CWI), através de sua seção grega Xekinima, a entendeu como a expressão mais avançada das «novas formações de esquerda», concebidas como um passo em direção a novos partidos operários de massas. O Secretariado Unificado a considerou a experiência mais promissora dos «partidos amplos» surgidos após a crise da social-democracia europeia. Embora suas elaborações diferissem, coincidiam em um ponto fundamental: o SYRIZA abria um novo caminho para disputar o governo e enfrentar a austeridade sem romper inicialmente com os marcos institucionais existentes.^5

A LIT criticou desde o início a estratégia do SYRIZA porque estava determinada por uma contradição de fundo: pretendia pôr fim à austeridade sem romper com as instituições que a impunham. Desde essa perspectiva, o problema não era unicamente o programa eleitoral de Tsipras, mas a estratégia que o sustentava. Este artigo reconstrói esse debate a partir dos documentos produzidos pelas distintas correntes entre 2012 e 2015. Seu propósito não é estabelecer um balanço retrospectivo, mas analisar como cada uma interpretou a experiência do SYRIZA enquanto esta se desenvolvia e que conclusões estratégicas extraiu dela.^6

O que era a SYRIZA? O Programa de Tessalônica e a aposta pela negociação

Após a capitulação de 2015, o SYRIZA foi apresentado por muitos como um partido social-democrata a mais. No governo, pagou a dívida, manteve a Grécia no euro, implementou um terceiro memorando com novos ajustes e não expropriou os bancos. Na prática, acabou gerenciando o capitalismo grego em crise, assim como havia feito o PASOK.^7

No entanto, essa caracterização não explica completamente o apelo que o SYRIZA teve entre 2012 e 2015. Antes de assumir o governo, não era percebido como um partido social-democrata a mais, mas sim como uma alternativa de uma nova “esquerda radical”, surgida de uma aliança de forças diversas: eurocomunistas, trotskistas, maoístas, ecosocialistas e independentes.^8

Essa heterogeneidade foi apresentada como uma virtude porque parecia oferecer uma saída para a fragmentação da esquerda marxista. Várias correntes buscaram, com uma terminologia levemente distinta, adaptar-se a essa amplitude política: a unidade da «centro-esquerda», as «novas formações de esquerda» ou os «partidos amplos» anticapitalistas. Embora essas categorias não fossem equivalentes exatas, compartilhavam um suposto estratégico: era possível construir uma organização capaz de reunir tradições políticas diversas em torno de um programa que combinasse ideais revolucionários e reformas radicais, e apontar para fórmulas de governo em solitário ou em coalizão que não planteassem uma ruptura imediata com as principais instituições do capitalismo. Nesse marco, podiam conviver orientações muito diferentes, desde aqueles que concebiam essas formações como uma nova variante da esquerda reformista que oferecia uma nova via ao socialismo, até aqueles que as entendiam como uma mediação para futuros partidos operários de massas.

A orientação estratégica do SYRIZA encontrava sua expressão mais acabada no Programa de Tessalônica, apresentado por Alexis Tsipras em setembro de 2014. O programa incluía medidas sociais ambiciosas: a restituição do bônus de Natal, a eletricidade gratuita para 300.000 lares, o salário mínimo em 751 euros. Tudo isso custava 11.400 milhões de euros. Mas a pergunta — que o programa não formulava, como se fosse de má educação fazê-lo — era: de onde sairia esse dinheiro se não se tocasse nem na dívida nem no euro? O aspecto decisivo não era o conteúdo dessas medidas, mas o mecanismo proposto para torná-las viáveis. O SYRIZA propunha convocar uma «Conferência Europeia sobre a Dívida», estabelecer um período de carência para seu pagamento, excluir o investimento público das restrições do Pacto de Estabilidade e flexibilizar a política do Banco Central Europeu. O pressuposto político era claro: pôr fim à austeridade por meio de uma renegociação com as instituições europeias, mantendo a Grécia dentro do euro e da União Europeia. Como resumiu o próprio Tsipras, a alternativa era «negociação europeia com o SYRIZA ou aceitação dos termos dos credores com Samaras».^9

Tsipras pretendia navegar contra a corrente, mas sem soltar o leme do euro. Essa contradição —como tantas na história do movimento operário— não era fruto da má fé, mas da lógica mesma de uma posição de classe vacilante, situada a cavalo entre dois mundos. Agora bem, uma análise marxista não se deixa enganar pelas intenções dos dirigentes. Se centra na correlação objetiva de forças —no terreno, não no discurso; na estrutura, não na anedota. A dívida estava nas mãos dos credores europeus; o euro era administrado pelo Banco Central Europeu, controlado pelas principais potências do continente; e a liquidez do sistema bancário grego dependia da Troika. A negociação, portanto, não se desenvolvia entre atores de peso equivalente, mas dentro de uma estrutura profundamente assimétrica de poder, sob a lógica subjugadora do capital alemão e francês.^10

Em junho de 2012, Tsipras declarou à BBC: «Não ao memorando de falência. Sim ao euro». Como se o euro e a falência fossem irmãos inimigos, e não —como era o caso— pai e filho do mesmo regime. Poucos dias depois, afirmou à Reuters que «a União Europeia está blefando» e que a Grécia permaneceria na moeda única. Antes das eleições de janeiro de 2015, resumiu seu projeto afirmando: «Não vou ser um líder da extrema esquerda. Vou ser o primeiro-ministro de todos os gregos». Essas declarações não eram concessões conjunturais, mas a expressão coerente de uma estratégia política: terminar com a austeridade negociando melhores condições dentro do euro, sem romper com ele.^11

SYRIZA como projeto estratégico e o debate na esquerda

A rápida expansão do SYRIZA converteu uma experiência nacional em um referencial para a esquerda internacional. A crise da social-democracia, o descrédito dos partidos tradicionais e a irrupção de novas forças políticas pareciam anunciar uma etapa distinta. Nos anos posteriores à crise de 2008, consolidaram-se organizações já existentes, como o Bloco de Esquerda em Portugal (1999), o PSOL no Brasil (2004) e Die Linke na Alemanha (2007), enquanto surgiram novas experiências como Podemos no Estado espanhol (2014), o crescimento dos Democratic Socialists of America (DSA) em torno das campanhas de Bernie Sanders (desde 2016) e La France insoumise na França (2016). Embora suas trajetórias, programas e formas organizativas tenham sido diferentes, todas contribuíram para uma discussão comum sobre as formas de reorganização política da esquerda após a crise aberta em 2008. O SYRIZA foi a primeira dessas experiências a chegar ao governo. Por essa razão, o debate que provocou adquiriu de imediato uma dimensão internacional. O que estava em jogo não era apenas o futuro da Grécia, mas a viabilidade de uma estratégia que começava a influir em boa parte da esquerda europeia, norte-americana e latino-americana.^12

O MST na Argentina foi, provavelmente, a organização latino-americana que mais claramente se aderiu a essa nova experiência. SYRIZA não era simplesmente uma coalizão eleitoral bem-sucedida, mas a confirmação de uma orientação política que essa organização vinha defendendo há anos: a necessidade de construir uma «nova esquerda ampla» capaz de superar tanto a fragmentação da esquerda quanto o isolamento das organizações revolucionárias. A amplitude de SYRIZA não era considerada uma concessão tática, mas uma virtude estratégica.

Em janeiro de 2015, Alejandro Bodart viajou a Atenas, convidado pelo SYRIZA, e declarou: «Os sectários como Jorge Altamira deveriam aprender com o SYRIZA. É uma coalizão de esquerda ampla, integrada por 13 forças, na qual se priorizam os acordos. Desde o MST propomos esse modelo de unidade para que a esquerda argentina deixe seu papel testimonial e avance como opção de governo». Após a vitória eleitoral, insistiu na mesma orientação. Em um artigo intitulado «Syriza traz ventos de mudança», Bodart sustentou que «a vitória histórica do Syriza reafirma nosso projeto de construir na Argentina uma Nova Esquerda moderna, ampla e não sectária».^13

Para o MST, SYRIZA e Podemos expressavam uma mesma tendência histórica: o surgimento de novas organizações capazes de ocupar o espaço deixado pela crise da social-democracia e de disputar o governo pela esquerda. Bodart sustentava que, após o caso grego, «o contágio mais próximo que se vem é o possível triunfo de outra nova esquerda, Podemos, nas eleições de maio na Espanha». Mesmo após a capitulação de Tsipras, o MST sustentou que «o verdadeiro debate é a necessidade de impulsionar grandes coalizões amplas e de esquerda, assumindo seus riscos».^14 A experiência grega modificava o balanço sobre sua direção, mas não a orientação estratégica em direção à construção de organizações amplas.

A LIT, por sua vez, compartilhava a alegria do povo grego pela derrota eleitoral dos partidos da Troika, mas distinguia cuidadosamente entre compreender as expectativas populares e reforçá-las politicamente. Como afirmava poucos dias depois das eleições, «entender as ilusões no novo governo não exige apoiar as ilusões mesmas». Sua conclusão era que a única garantia de uma mudança real continuava sendo «a luta dos trabalhadores e do povo grego».^15 Desde o começo sustentava que o novo governo enfrentaria uma disjuntiva inadiável: «aplicar um plano de resgate dos trabalhadores e do povo ou pagar a dívida dos banqueiros e especuladores. Ou com os trabalhadores e o povo grego ou com a Troika. Esse é o dilema».^16

O Comitê para uma Internacional dos Trabalhadores (CWI) entendia que a discussão aberta pelo SYRIZA não começava com a Grécia, mas sim com a crise histórica da representação política da classe trabalhadora. Desde a década de 1990, a organização sustentava que o enfraquecimento da social-democracia tradicional favoreceria o surgimento de “novos partidos de trabalhadores”, ou seja, novas organizações de massa que não reproduziriam necessariamente a estrutura nem o programa dos velhos partidos operários do século XX. As “novas formações de esquerda” deviam ser entendidas como uma etapa transitória dentro desse processo mais amplo de recomposição política.^17

Essa perspectiva levava o CWI a assumir uma dupla tarefa: fortalecer as organizações revolucionárias existentes e intervir ativamente na formação desses novos partidos operários de massas. Como resumiu Dobson, a organização deveria combinar a construção da organização revolucionária com a participação na construção de novos partidos operários.^18 A coexistência de ambas as tarefas descansava na ideia de que a hegemonia reformista dessas novas formações não terminaria condicionando seu desenvolvimento político nem as convertendo em um obstáculo para a construção de um projeto revolucionário.

O CWI advertia que a condução liderada por Tsipras apoiava sua política em um discurso contra a austeridade, mas continuava convencido de que era possível negociar uma saída dentro das instituições do capitalismo europeu. Sustentava que uma vitória eleitoral da coalizão seria um passo à frente porque modificaria a relação de forças entre as classes e abriria um novo ciclo de lutas capaz de empurrar o governo para posições mais avançadas. Como explicava Andros Payiatsos, a razão principal para apoiar o SYRIZA era que a classe trabalhadora esperava que algumas de suas demandas fossem atendidas, e que uma vitória do SYRIZA teria um efeito libertador sobre a sociedade e poderia desencadear um novo período de luta de classes. No mesmo sentido, afirmava que, apesar da mudança da direção em direção à negociação com a Troika, era possível que fossem empurrados para a esquerda sob a pressão do movimento de massas.^19

Nesse sentido, a posição do CWI ocupava um lugar intermediário e confuso entre o entusiasmo do MST e a crítica desenvolvida pela LIT. Compartilhava com esta a preocupação pela moderação crescente da direção do SYRIZA, mas continuava considerando que uma vitória eleitoral poderia desencadear um processo de radicalização de massas capaz de alterar a correlação de forças dentro do próprio governo.

O Secretariado Unificado compartilhava boa parte desse diagnóstico do CWI, embora desenvolvesse uma elaboração própria em torno aos «partidos amplos» ou «anticapitalistas», organizações suficientemente amplas para reunir tradições políticas diferentes sem exigir uma delimitação programática completa como condição prévia para intervir na luta política.^21 Mas aquela aposta pelos partidos amplos não era monolítica. Dentro do próprio SU, a seção grega OKDE-Spartakos questionou abertamente essa política e sustentou que SYRIZA permanecia definitivamente dentro do marco do capitalismo e da democracia burguesa. O intercâmbio público entre o Buró Executivo internacional e sua própria seção grega mostrou que o debate não era externo, mas interno ao próprio Secretariado Unificado. Enquanto a direção internacional continuava chamando a apoiar eleitoralmente a SYRIZA, OKDE-Spartakos respondia que o partido permanecia definitivamente dentro do marco do capitalismo e da democracia burguesa, questionando tanto sua estratégia em relação ao euro quanto a orientação geral do Buró Internacional.^22

Anos mais tarde, Kostas Skordoulis resumiu retrospectivamente essa crítica com uma formulação ainda mais direta: decidiram conscientemente se tornar os administradores do capitalismo grego. Desde sua perspectiva, a capitulação de 2015 não foi o resultado de um erro tático, mas de uma decisão política coerente com o projeto assumido pela direção de Tsipras.^23

A LIT chegou a uma conclusão distinta porque partia de outro problema. A discussão sobre a SYRIZA era inseparável da discussão sobre sua direção. Mas a questão de fundo não era simplesmente se Alexis Tsipras terminaria capitulando, mas que projeto político expressava essa direção e que estratégia propunha para enfrentar a crise grega. Desde a perspectiva da LIT, o Programa de Tessalônica não representava um projeto de ruptura frustrado posteriormente pela pressão da Troika, mas uma estratégia baseada na possibilidade de derrotar a austeridade por meio da negociação com as instituições encarregadas de impô-la. Preservar o euro, permanecer na União Europeia e renegociar a dívida não eram aspectos secundários do programa, mas suas premissas fundamentais.

Essa convicção, mantida sem fissuras desde 2012, levava a LIT a concluir que as principais reivindicações levantadas pelo SYRIZA —o fim da austeridade, a recuperação de salários e aposentadorias, o não pagamento da dívida e a expropriação dos bancos— eram incompatíveis com a preservação do marco institucional da União Europeia, o poder dos grandes bancos e, em última instância, do próprio sistema capitalista. Assim colocado, o problema não era simplesmente a amplitude da coalizão, mas a estratégia de conciliação de classes sobre a qual essa amplitude descansava.^24

Em maio de 2015, a LIT aprofundou sua caracterização do governo. Já não se limitou a questionar a estratégia negociadora de Tsipras, mas definiu o gabinete Syriza-ANEL como um «governo burguês atípico» ou de frente popular: um governo dirigido por organizações provenientes do movimento operário que administrava um Estado capitalista em aliança com setores da burguesia. A discussão deixava assim de se centrar nas intenções subjetivas de Tsipras para se situar no caráter de classe do governo e do Estado que administrava.^25

Depois do referendo: o teste de fogo

Chegou o momento em que as palavras deixaram de ser palavras. Em 5 de julho de 2015, mais de seis milhões de gregos foram às urnas. Não votavam por um governo nem por um partido: votavam uma pergunta, a mais elemental e ao mesmo tempo a mais radical que um povo pode se fazer em tempos de crise: sim ou não à austeridade? Essa pergunta, em sua nudez, já era um julgamento sobre a ordem existente. 61,3% disse não. Naquela noite, na varanda da sede do SYRIZA, Tsipras não proclamou uma ruptura. Anunciou uma negociação. O teste de fogo acabava de começar.^26

O referendo não surgiu do nada. Era o ponto culminante de um ciclo de mobilização aberto anos antes por meio de dezenas de greves gerais —muitas delas de magnitude sem precedentes desde a restauração da democracia—, além de ocupações e manifestações contra os memorandos impostos pela Troika. A classe trabalhadora grega era, em 2015, um vulcão em erupção. Mas o SYRIZA não queria a lava; queria negociar com o cratera. A ascensão eleitoral do SYRIZA foi a principal expressão política desse processo de radicalização social, mas não o originou.^27

SYRIZA não chegava debilitada a esse momento decisivo. Pelo contrário, acabava de receber o maior apoio político de toda a sua trajetória. Milhões de trabalhadores haviam rejeitado as condições impostas pela Troika e concedido ao governo um mandato inequívoco para enfrentá-las. A aceitação, apenas alguns dias depois, de um terceiro memorando ainda mais severo que o rejeitado nas urnas, transformou aquela vitória em um problema teórico para toda a esquerda internacional. O resultado colocou o governo na situação mais paradoxal que um político pode imaginar: acabava de receber um cheque em branco de milhões de trabalhadores, e o usou para comprar o terceiro memorando. A história, como sabia Marx, ocorre duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa. Na Grécia, a tragédia foi das massas; a farsa, de seus representantes.

A questão já não era se a SYRIZA poderia chegar ao governo. A pergunta se tornou mais brutal: como explicar que um governo fortalecido por uma vitória política tão contundente acabasse aceitando exatamente aquilo que a maioria da população acabava de rejeitar?

Essa pergunta adquiria um significado diferente conforme o diagnóstico prévio que cada corrente havia formulado sobre o SYRIZA. Até aquele momento, as divergências haviam permanecido parcialmente ocultas atrás do apoio comum à rejeição das políticas da Troika. O referendo deixou nítido que essas diferenças não se originavam em 5 de julho. Provinham de uma discussão prévia sobre o caráter do Programa de Tessalônica, o significado da União Europeia e a estratégia que deveria seguir um eventual governo do SYRIZA.

Nesse sentido, a vitória do «NÃO» não resolveu o debate aberto desde 2012; deslocou-o para um terreno novo: a relação entre o mandato expresso por milhões de trabalhadores e a estratégia que o governo estava disposto a seguir no dia seguinte.

Para o MST, o CWI e o Secretariado Unificado —embora com matizes importantes entre si—, o triunfo do NÃO modificava substancialmente a correlação de forças. O respaldo popular obtido pelo governo parecia abrir uma oportunidade inédita para endurecer a negociação com as instituições europeias ou para apoiar-se na mobilização social e empurrar o processo para posições mais avançadas.

A LIT, por outro lado, considerava que o referendo não modificava a contradição fundamental que vinha apontando desde o começo. O problema decisivo não era a magnitude do apoio popular nem a força conjuntural do governo, mas a estratégia sobre a qual esse governo se baseava. Enquanto a direção do SYRIZA continuasse tentando preservar simultaneamente o euro, a União Europeia e a negociação com os credores, o mandato expresso nas urnas terminaria inevitavelmente subordinado a esses limites políticos. O referendo não anulava a contradição do Programa de Tessalônica; a levava ao seu ponto máximo de tensão.

Foi precisamente essa tensão que começou a se manifestar nas primeiras reações públicas das diferentes correntes imediatamente após a divulgação do resultado.

O que significava o triunfo do NÃO?

As primeiras reações coincidiram em um ponto fundamental: o resultado do referendo representava uma derrota política para a Troika e um triunfo extraordinário da mobilização popular. Mas essa coincidência inicial ocultava diferenças profundas sobre o sujeito político capaz de converter esse apoio eleitoral em uma ruptura efetiva com a austeridade.

O MST interpretou o resultado como uma confirmação do caminho percorrido pelo SYRIZA. Sua declaração celebrou a vitória afirmando: «Parabéns ao povo grego, parabéns ao SYRIZA e parabéns a Alexis Tsipras».^28 A formulação não era casual. O sujeito que havia derrotado a Troika se apresentava como uma unidade: o povo, SYRIZA e o governo. O enorme apoio popular recebido por Tsipras parecia confirmar que a estratégia seguida desde janeiro conservava plena legitimidade política.

O CWI compartilhava o entusiasmo pelo resultado, mas introduzia um matiz importante. Também saudou o NÃO como uma derrota do imperialismo europeu. No entanto, insistia que esse mandato só poderia se tornar efetivo por meio de uma ruptura com o pagamento da dívida, a nacionalização da banca e a mobilização independente dos trabalhadores, tanto dentro quanto fora do SYRIZA.^29 O problema já não era exclusivamente o governo; passava a depender da capacidade da mobilização popular para empurrar o SYRIZA além dos limites que sua própria direção parecia disposta a aceitar.

O Secretariado Unificado desenvolveu uma expectativa similar. Durante os dias posteriores ao referendo, continuou sustentando que o governo dispunha agora de uma relação de forças mais favorável para modificar o curso das negociações. A possibilidade de que o SYRIZA se apoiasse na mobilização de massas seguia ocupando um lugar central em sua análise.^30

Embora essas três interpretações diferissem entre si, compartilhavam uma premissa comum. Todas entendiam que o NÃO havia fortalecido politicamente o governo e que esse fortalecimento poderia modificar o desfecho da confrontação com as instituições europeias.

A LIT formulou o problema de maneira distinta. Também chamou a votar NÃO e participou ativamente da campanha contra o memorando. Mas considerava que o resultado do referendo não modificava a contradição central apontada desde 2012. A questão decisiva não era o apoio popular obtido pelo governo, mas o projeto político que esse governo continuava defendendo. Enquanto a direção do SYRIZA continuasse tentando preservar simultaneamente o euro, a União Europeia e a negociação com os credores, o mandato expresso por milhões de trabalhadores terminaria subordinado a essa estratégia.

Por isso, a LIT não interpretava o referendo como uma validação do caminho percorrido pelo governo, mas sim como a máxima expressão de uma contradição prestes a explodir. O apoio popular fortalecia objetivamente a possibilidade de romper com a Troika, mas não modificava o fato de que a direção do SYRIZA continuava tentando resolver o conflito dentro do mesmo marco institucional cuja preservação havia constituído o núcleo do *Programa de Tessalônica*.

Visto retrospectivamente, esta foi a diferença decisiva. Para o MST, o CWI e o Secretariado Unificado, o NÃO abria uma nova oportunidade política. Para a LIT, havia chegado o momento de verificar se a estratégia de negociar com as instituições europeias podia se sustentar frente ao primeiro grande choque com elas. O problema já não consistia unicamente em ganhar o referendo, mas em determinar o que o governo faria com essa vitória.

Essa pergunta ficou respondida apenas alguns dias depois, quando Alexis Tsipras aceitou um terceiro memorando ainda mais severo que o rejeitado nas urnas.

A capitulação: o que realmente havia falhado?

A aceitação do terceiro memorando não foi uma notícia. Foi uma sentença. Na linguagem da história, chamam-se fatos consumados. Mas sentença de quê? De uma direção traidora? De uma estratégia ingênua? De um projeto impossível?

As respostas divergiram precisamente porque cada corrente respondia a uma pergunta distinta. E essa divergência remetia a diagnósticos formulados antes que o referendo sequer existisse. A chave residia em determinar o que havia fracassado: uma direção política, uma estratégia de negociação ou um projeto político mais amplo.

Três correntes compartilhavam, no fundo, uma mesma orientação: o problema era Tsipras. Bodart o dizia sem rodeios: «a única saída realista para a Grécia é aplicar um plano anticapitalista, não pagar a dívida e até sair do euro».^31 O MST, fiel à sua abordagem, localizava a derrota no abandono do programa por parte da direção. Não era a estratégia da «nova esquerda ampla» que havia fracassado, mas sim aqueles que a haviam conduzido. A solução, então, era encontrar uma direção disposta a levá-lo até o fim. Por isso a ruptura de Lafazanis e a criação de Unidade Popular foram saudadas como uma segunda oportunidade —com as mesmas premissas estratégicas, mas com outro timoneiro. Como se na história das revoluções bastasse mudar de capitão para que o barco mudasse de rumo.

O CWI, mais cauteloso, concordava no essencial: Tsipras havia abandonado a única política compatível com o mandato popular. Mas seu balanço não se detinha na direção. A crise grega confirmava a necessidade de combinar as novas organizações de massas com uma direção claramente socialista, disposta a romper com a União Europeia, o euro e o capital financeiro. A experiência questionava o rumo seguido pelo SYRIZA como caso particular, não a estratégia geral de apoiar a intervenção na formação de novos partidos amplos.

O SU chegou a uma conclusão muito semelhante. A derrota era histórica, mas não implicava abandonar a perspectiva dos partidos anticapitalistas. A explicação voltava a se centrar nas decisões de Tsipras e em sua negativa a se apoiar na mobilização popular.

Vistas em conjunto, essas três interpretações compartilhavam um traço comum. A capitulação de Tsipras aparecia como um fato conjuntural, não como a consequência lógica de seu projeto político. Explicava-se pelas decisões adotadas por uma direção determinada e por sua negativa a apoiar-se plenamente na mobilização aberta em torno do referendo. Nenhuma questionava o suposto estratégico de fundo: que era possível frear a ofensiva contra a classe trabalhadora a partir das instituições do Estado burguês sem romper com o marco da União Europeia e da economia capitalista. A derrota, nessa leitura, era reversível.

Para a LIT, era um erro centrar a explicação em por que Tsipras havia capitulado, levantando a questão em termos morais ou psicológicos. Não se tratava de explicar uma traição individual, mas de estabelecer quais interesses de classe expressavam esse governo e o projeto político que representava. A pergunta decisiva não era por que havia fracassado um dirigente, mas que estratégia havia chegado a seus limites históricos.

Desde a perspectiva da LIT, a aceitação do terceiro memorando não constituiu uma ruptura inesperada com a orientação anterior do governo, mas sim seu desfecho lógico. A estratégia do SYRIZA descansava sobre uma conciliação entre objetivos incompatíveis: satisfazer as reivindicações dos trabalhadores preservando, ao mesmo tempo, o euro, a União Europeia, o Estado capitalista grego e os interesses do capital financeiro expressos no pagamento da dívida. Quando essa contradição se tornou insustentável, não foi o marco institucional que cedeu, mas sim o conteúdo social do programa. Por essa razão, *Correio Internacional*, em seu balanço da experiência grega, formulou uma pergunta distinta da predominante nas demais correntes: **»A quais interesses de classe o SYRIZA sucumbiu?»**^32

Esta conclusão encontrava sustentação na evolução interna do SYRIZA. Dentro da coalizão coexistiam a Plataforma de Esquerda, partidária de romper com o euro; o denominado Grupo dos 53, que mantinha uma posição crítica; e a direção pró-europeia liderada pelo triunvirato Tsipras-Pappas-Dragasakis.^33 Este último havia definido sua orientação já em novembro de 2014, antes mesmo de chegar ao governo. Os principais responsáveis pela negociação com a Troika —Varoufakis, Tsakalotos, Kotzias, Voutsis e Stathakis— respondiam a essa direção política e não à base do partido. Quando o conflito com as instituições europeias alcançou seu ponto culminante, o aparato do Estado, controlado por esse setor, impôs sua orientação, enquanto a esquerda do SYRIZA, carente de mecanismos de controle democrático e de uma organização independente capaz de se apoiar na mobilização de massas, foi deslocada.^34

A experiência confirmava assim a caracterização que a LIT havia formulado desde 2012. A contradição entre as reivindicações populares e a preservação do marco institucional europeu não havia desaparecido com o referendo; só havia se agudizado até se tornar irresolúvel. Como sintetizava posteriormente a LIT: «todo governo que não rompa com a burguesia e o imperialismo acaba sendo (mais cedo ou mais tarde) instrumento do capital financeiro».^35 O que antes do governo constituía um aviso estratégico, depois de julho de 2015 aparecia confirmado pela experiência.

Aulas estratégicas: mobilização, autoorganização e programa de transição

Frente a uma estratégia que havia conduzido à derrota, a LIT propunha uma alternativa de classe com três pilares.

O primeiro era a mobilização independente da classe trabalhadora. Desde julho de 2012, Correio Internacional havia chamado à greve geral e à ocupação de fábricas, advertindo que a estratégia de Tsipras de buscar a «paz social» era um beco sem saída.^36 Não se tratava de uma consigna abstrata, mas de uma aposta concreta: o único contrapeso real a uma direção que se deslocava para a direita era a organização autônoma dos trabalhadores nos locais de trabalho e nas ruas.

O segundo pilar era a autoorganização dos trabalhadores. A experiência da Plataforma da Esquerda havia demonstrado que, sem mecanismos de controle de base, os dirigentes podiam tomar decisões sem consultar o partido. Por isso, promoviam-se instrumentos como o mandato imperativo, a revogabilidade dos cargos, as comissões de base, as assembleias abertas e a rotação de responsabilidades.^37 Estes não eram detalhes organizativos menores: eram a condição para que uma direção respondesse à base e não aos aparelhos do Estado.

O terceiro era recuperar o método do programa de transição. Não se tratava de levantar um «programa máximo» (o socialismo) nem um «programa mínimo» (reformas dentro do capitalismo). Era um programa de ruptura que partia de necessidades imediatas: medidas concretas que um governo verdadeiramente anticapitalista deveria aplicar sem demora. Não pagamento da dívida. Expropriação dos bancos sob controle operário. Saída planejada do euro. Ruptura com a OTAN. O programa de transição não é uma lista de boas intenções, mas sim uma ponte entre as necessidades imediatas dos trabalhadores e a tarefa estratégica de tomar o poder.^38

A experiência grega mostrou até que ponto a amplitude organizativa, quando não está acompanhada de delimitações programáticas precisas, se torna o sepulcro das ilusões reformistas. A história não perdoa a ambiguidade nos momentos decisivos. A clareza estratégica não é um luxo sectário, mas uma condição para não acabar administrando a derrota.

Embora a LIT tenha chamado a apoiar o «NÃO» no referendo, o fez com um programa político explícito: mostrar a contradição entre o conteúdo do referendo e o do governo de Tsipras. Não se tratava de romper o diálogo com os trabalhadores, mas de reconhecer suas expectativas legítimas, intervir nas mobilizações reais e deixar que as massas fizessem a experiência por si mesmas. Esse aviso não era «setorial»; era a única maneira de construir uma confiança política baseada em experiências reais e de impulsionar formas de organização pela base, independentes e democráticas, para exercer um contrapeso real a um governo que ia trair.^39

Conclusão

A experiência do SYRIZA foi muito mais do que um episódio da política grega. Constituiu o primeiro grande experimento de governo surgido do ciclo aberto pela crise financeira de 2008 e, por essa razão, se tornou uma referência obrigatória para as distintas estratégias de reorganização da esquerda internacional. O interesse que despertou entre organizações tão diversas como o MST, o CWI, o Secretariado Unificado ou a LIT expressava uma discussão mais ampla sobre como reconstruir uma alternativa política para a classe trabalhadora após a crise da socialdemocracia.

A discussão sobre a amplitude organizativa remetia, na verdade, a um problema mais profundo: a natureza do projeto político que essas novas organizações deveriam expressar. Enquanto algumas correntes consideravam possível abrir um novo ciclo político por meio de organizações suficientemente amplas para reunir tradições e programas diversos, a LIT sustentou desde o começo que o problema decisivo não era a amplitude em si mesma, mas a estratégia que tornava possível essa amplitude e os limites que essa estratégia impunha quando uma organização chegava ao governo.

O debate sobre a SYRIZA, visto em perspectiva, nunca foi apenas uma discussão sobre Alexis Tsipras. Foi uma discussão sobre o Estado, o imperialismo europeu e que tipo de governo os trabalhadores precisam. O Programa de Tessalônica expressava um projeto político que buscava acabar com a austeridade preservando o euro, a União Europeia e o Estado grego integrado na arquitetura institucional do capitalismo europeu. A controvérsia entre as diferentes correntes da esquerda revolucionária girou precisamente em torno da viabilidade desse projeto.

O desfecho de julho de 2015 foi a derrota de um governo, mas mais ainda, a prova das distintas estratégias elaboradas pela esquerda internacional frente à crise aberta em 2008. Essa prova não foi superada por aqueles que confiavam na amplitude organizativa como substituto da clareza programática. Tsipras e sua corrente, que representavam uma tendência conservadora e burguesa apresentada como radicalismo, encontraram seu limite na mesma lógica que hoje atravessa outros projetos de centro-esquerda contemporâneos —La France Insoumise, Podemos, o PSOL— que cresceram a partir do descontentamento popular, mas que em momentos decisivos não propuseram a ruptura com o euro, a dívida ou os bancos, mas optaram pela conciliação ao participar em coalizões de governo.^40 A experiência grega mostrou que a crise da social-democracia não conduz automaticamente a uma política de ruptura com o capitalismo. Também pode abrir caminho para novas formações reformistas capazes de canalizar o descontentamento popular sem romper com as estruturas fundamentais da ordem existente.

A pergunta que o SYRIZA deixou em aberto não perdeu validade: que tipo de organização política a classe trabalhadora precisa para não acabar administrando sua própria derrota? A resposta, à luz da Grécia, aponta em uma direção: clareza programática, independência de classe e controle de base. Tudo o mais, como demonstrou o SYRIZA, é um convite à capitulação.

REFERÊNCIAS

^1 Costas Lapavitsas et al., *Crise na Zona do Euro* (Londres: Verso, 2012); Barry Eichengreen, *Salão de Espelhos* (Oxford: Oxford University Press, 2015).

^2 Ministério do Interior da Grécia, resultados eleitorais de 2009 e 2012; LIT-CI, «¡Nem uma trégua ao governo de Samaras!», *Correio Internacional*, julho de 2012.

^3 Ministério do Interior da Grécia, resultados oficiais das eleições parlamentares de 2009, maio de 2012, junho de 2012 e janeiro de 2015.

^4 Liga Internacional dos Trabalhadores–Quarta Internacional, «Grécia: Syriza canaliza um enorme rejeição popular aos ataques da troika europeia,» 27 de janeiro de 2015.

^5 Alejandro Bodart, «Syriza traz ventos de mudança,» Movimento Socialista dos Trabalhadores, janeiro de 2015; Andros Payiatsos, «Grécia: Rumo a um Governo Syriza?,» *The Socialist*, 7 de janeiro de 2015; Quarta Internacional, Escritório Executivo, «O Futuro dos Trabalhadores da Europa Está Sendo Decidido na Grécia,» 25 de maio de 2012.

^6 Stathis Kouvelakis, *A Onda Syriza*; Costas Douzinas, *Syriza no Poder: Reflexões de um Político Acidental* (Cambridge: Polity, 2017); Alex Callinicos, *Decifrando o Capital* (Londres: Bookmarks, 2014).

^7 Stathis Kouvelakis, *A Onda Syriza*, caps. 8–10; Costas Lapavitsas, *O Caso da Esquerda Contra a UE* (Cambridge: Polity, 2019), cap. 5.

^8 Syriza, *Declaração Fundadora* (Atenas, 2004); Kouvelakis, *A Onda Syriza*, cap. 1.

^9 Alexis Tsipras, «O Programa de Tessalônica,» discurso proferido na Feira Internacional de Tessalônica, 13 de setembro de 2014.

^10 Costas Lapavitsas, *O Caso da Esquerda Contra a UE*, cap. 4.

^11 BBC News, entrevista com Alexis Tsipras, junho de 2012; Reuters, entrevista com Alexis Tsipras, junho de 2012; Reuters, entrevista com Alexis Tsipras, janeiro de 2015.

^12 Matt Dobson, «Novas Formaçõe da Esquerda: Escola CWI 2015—Relatório da Discussão sobre Novos Partidos dos Trabalhadores, Populismo de Esquerda e as Ideias e Programa do Podemos, Syriza,» *Alternativa Socialista*, 13 de agosto de 2015.

^13 Alejandro Bodart, declarações em Atenas, janeiro de 2015; Movimento Socialista dos Trabalhadores, «Syriza traz ventos de mudança,» janeiro de 2015; Alejandro Bodart, «Os sectários deveriam aprender com a Syriza,» Movimento Socialista dos Trabalhadores, janeiro de 2015.

^14 Alejandro Bodart, «A vitória histórica do Syriza reafirma nosso projeto de construir uma Nova Esquerda moderna, ampla e não sectária,» Movimento Socialista dos Trabalhadores, janeiro de 2015.

^15 Liga Internacional dos Trabalhadores–Quarta Internacional, «Grécia: Syriza canaliza um enorme rejeição popular aos ataques da troika europeia,» 27 de janeiro de 2015.

^16 Liga Internacional dos Trabalhadores–Quarta Internacional, «Grécia: Syriza canaliza um enorme rejeição popular aos ataques da troika europeia,» 27 de janeiro de 2015.

^17 Matt Dobson, «Novas Formaçõe da Esquerda: Escola CWI 2015—Relatório da Discussão sobre Novos Partidos dos Trabalhadores, Populismo de Esquerda e as Ideias e Programa do Podemos, Syriza,» *Alternativa Socialista*, 13 de agosto de 2015.

^18 Matt Dobson, «Novas Formaçõe da Esquerda.» Original em inglês: *»construindo a organização revolucionária enquanto participa da construção de novos partidos de trabalhadores»*.

^19 Andros Payiatsos, «Grécia: Rumo a um Governo Syriza?», *The Socialist*, 7 de janeiro de 2015. Original em inglês: *»A principal razão pela qual apoiamos a Syriza… é que há uma expectativa da classe trabalhadora de que algumas de suas demandas serão atendidas… uma vitória da Syriza terá um efeito libertador sobre a sociedade… e pode desencadear um novo período de luta da classe trabalhadora.» / «é possível que eles sejam empurrados para a esquerda sob a pressão do movimento de massas»*.

^21 Quarta Internacional, Escritório Executivo, «O Futuro dos Trabalhadores da Europa Está Sendo Decidido na Grécia,» 25 de maio de 2012.

^22 Quarto Bureau Internacional e OKDE-Spartakos, «Troca entre o Bureau da FI e OKDE-Spartakos (Seção Grega),» 9 de junho de 2012. Original em inglês: *»definitivamente dentro do quadro do capitalismo e da democracia burguesa»*.

^23 Josefina L. Martínez, «Entrevista: ‘Tsipras está salvando o capitalismo grego’,» *Left Voice*, 8 de outubro de 2015 (entrevista com Kostas Skordoulis). Original em inglês: *»Eles decidiram conscientemente se tornar os gestores do capitalismo grego»*.

^24 «Uma estação de passagem na crise,» *Correio Internacional*, agosto de 2012; Ricardo Ayala, «Primeiras lições da Grécia,» *Correio Internacional*, no. 13 (São Paulo: Editora Lorca, agosto de 2015).

^25 Liga Internacional dos Trabalhadores–Quarta Internacional, «O governo de Syriza tira dinheiro dos hospitais para pagar a dívida,» 11 de maio de 2015.

^26 Yanis Varoufakis, *Adultos na Sala: Minha Batalha com o Estabelecimento Profundo da Europa* (Londres: Bodley Head, 2017); Reuters, cobertura das negociações entre o governo grego e a Troika, junho–julho de 2015.

^27 LIT-CI, «¡Nem uma trégua ao governo de Samaras!», *Correio Internacional*, julho de 2012; Ministério do Interior da Grécia, resultados do referendo de 5 de julho de 2015.

^28 Movimento Socialista dos Trabalhadores, «Parabéns ao povo grego, parabéns à Syriza e parabéns a Alexis Tsipras,» 6 de julho de 2015.

^29 Comitê para uma Internacional dos Trabalhadores, «Declaração sobre o Referendo Grego,» 6 de julho de 2015. Original em inglês: *»inside and outside of Syriza»*.

^30 Quarta Internacional, Escritório Executivo, declaração sobre o referendo grego, julho de 2015; Liga Internacional dos Trabalhadores–Quarta Internacional, «O povo grego disse NÃO… mas Tsipras e o governo do Syriza disseram SIM,» julho de 2015.

^31 Alejandro Bodart, «Tsipras capitulou: agora a única saída para a Grécia é um plano anticapitalista, não pagar a dívida e até sair do euro,» Movimento Socialista dos Trabalhadores, julho de 2015.

^32 Ricardo Ayala, «Primeiras lições da Grécia,» *Correio Internacional*, no. 13 (São Paulo: Editora Lorca, agosto de 2015).

^33 *The Times*, 18 de junho de 2015; Anadolu Ajansı, 26 de agosto de 2015; GreekReporter, 26 de agosto de 2015.

^34 Eric Toussaint, «O relato de Varoufakis: uma autocondenação», Verso Books, 2017; Kouvelakis, «Nasce Unidade Popular», 2015; GreekReporter, 26 de agosto de 2015.

^35 Liga Internacional dos Trabalhadores–Quarta Internacional, «O governo de Syriza retira dinheiro dos hospitais para pagar a dívida,» 11 de maio de 2015.

^36 LIT-CI, «¡Nem uma trégua ao governo de Samaras!», *Correio Internacional*, julho de 2012; LIT-CI, *Marxismo Vivo*, n.º 6 e n.º 7, 2015-2016.

^37 Sobre mecanismos de controle de base: tradição do bolchevismo leninista e estatutos tipo da LIT-CI.

^38 LIT-CI, *Marxismo Vivo*, Nº 6, dezembro de 2015; e Trotsky, *O programa de transição*, 1938.

^39 LIT-CI, *Marxismo Vivo*, Nº 7, 2016.

^40 LIT-CI, *Marxismo Vivo*, Nº 7 (2016); *Correo Internacional* (2015-2017, 2022-2024).

Leia também