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Colômbia

A rua volta a pulsar contra a ameaça da ultradireita!

A mobilização popular é essencial para enfrentar a ultradireita e conquistar os direitos da classe trabalhadora.

PST Colombia

junho 18, 2026

Voto crítico por Iván Cepeda

No primeiro turno das eleições colombianas, realizada em 31 de maio, o candidato Abelardo De la Espriella, do Movimento Defensores da Pátria, de extrema direita, obteve 43,7% dos votos, frente a 40,9% do candidato Iván Cepeda, do Pacto Histórico e Aliança pela Vida, que representa a continuidade do atual governo de Gustavo Petro. Reivindicando Milei na economia e o presidente de El Salvador, Bukele, na segurança pública, o candidato De la Espriella conta com o apoio entusiástico de Trump.

Petro e Cepeda inicialmente não reconheceram os resultados eleitorais durante uma semana, mudando de posição depois. Em um processo eleitoral totalmente polarizado, o segundo turno das eleições terá lugar em 21 de junho, com denúncias de interferência imperialista no processo eleitoral, ao mesmo tempo que uma Comissão do Congresso pediu a suspensão do mandato de Petro até a finalização da eleição por acusação de participar indevidamente na campanha.

A rua volta a pulsar

Após o primeiro turno presidencial de 31 de maio, milhares de jovens, trabalhadores, estudantes e setores populares saíram espontaneamente às ruas das principais cidades colombianas, para rejeitar o avanço da ultradireita que representa Abelardo de la Espriella.

A primeira amostra foi em Bogotá.  Centenas de jovens tomaram as avenidas do norte e do centro da cidade nas noites de 1 e 2 de junho, enchendo as ruas com energia, bandeiras e consignas contra o autoritarismo.  Em Cali, Medellín, Barranquilla e outras cidades do país estão ocorrendo concentrações especialmente juvenis. Na Universidade Pedagógica e Tecnológica da Colômbia (UPTC) em Tunja, os estudantes saíram em massa às ruas; o mesmo aconteceu na Universidade do Tolima, onde a juventude universitária se fez presente com força para rejeitar o projeto da ultradireita.  Durante os dias seguintes, esse processo de mobilizações e marchas se manteve, com importante componente espontâneo, mas também convocadas por sindicatos.

Também por meio de um processo extremamente rápido, as redes e grupos que pareciam esquecidos das assembleias populares começaram a se reativar por todo o país. Aparecem convocações por toda parte para reuniões sindicais, gremiais e locais.  Assembleias por localidade e bairro, reuniões setoriais que surgem de maneira espontânea, por exemplo de trabalhadores do setor saúde, mostram por um lado a necessidade de se organizar e o erro de ter deixado de lado esses espaços com a chegada do Governo de Petro; mas também mostram a capacidade de recuperação e resposta do movimento social.

Saudamos com entusiasmo essas expressões de rua!

O Paro Nacional de 2021 continua vivo na memória do povo.

Há cinco anos, milhões de colombianos saímos para protestar contra a reforma tributária de Duque, contra a miséria, o desemprego juvenil, a repressão policial e a violência sistemática. Surgiram as Primeiras Linhas, as panelas comunitárias, as assembleias populares, a resistência indígena, camponesa e afro. Embora o movimento tenha sido duramente reprimido, deixou uma lição indelével: a rua é o verdadeiro caminho para conquistar direitos. Mas a memória e a experiência da greve não se apagaram, estiveram contidas graças a que se desviaram para as urnas em 2022, ressurgiram nos protestos destes dias e devem se fortalecer agora. Não permitamos que a memória da explosão social se torne apenas uma lembrança. Vamos transformá-la em organização permanente, independente do Governo ou dos candidatos.

Cepeda agora tem a pressão dos setores burgueses que o apoiam e também desconfiam de um candidato anti instituições (autodenominado “antisistema”), diante de um descontentamento latente semeado com o aumento do desemprego nacional de 2021, que não foi derrotado e o temor de que a crise social possa voltar a explodir a qualquer momento, arrancando seu poder e seus privilégios; é o temor de que uma revolução estoure.

Eles sabem que, assim como o Governo de Petro que negociou favorecendo seus interesses, o de Cepeda continuará com a política de alianças do Acordo Nacional. Desde frações do partido liberal, do santismo, os verdes e outros setores, não estão dispostos a se aventurar a saídas de direita com Abelardo de la Espriella, igualmente se afastam aqueles que foram diretamente atacados de forma machista e homofóbica, como o caso de Juan Daniel Oviedo e Claudia López, condicionando seu apoio a Cepeda e Quilcué. A pressão por alianças e por reduzir ainda mais o programa do Pacto Histórico será maior.

A organização e a mobilização são as tarefas do momento.

Governe quem governar no próximo 7 de agosto, os direitos da classe trabalhadora, dos camponeses, das mulheres, dos povos originários e da juventude não serão defendidos no Congresso ou na Casa de Nariño, mas sim nas ruas, com organização e luta de massas.

O voto crítico por Cepeda e Quilcué em 21 de junho não tem o caráter de um apoio político ao atual governo, nem ao projeto de continuidade de Cepeda; significa um acompanhamento às massas trabalhadoras que, ainda confiando neles, lutam nas ruas contra a ultra direita.

É um voto crítico porque, assim como o atual governo de Petro não é um governo dos trabalhadores, o de Cepeda também não será, devido a que defende o mesmo programa de conciliação de classes e de concertação dos planos econômicos.

Vamos votar criticamente por Cepeda, mas ao mesmo tempo chamar os trabalhadores a desconfiar de sua política de conciliação dos interesses antagônicos dos empresários e dos trabalhadores, impulsionando ao mesmo tempo a independência que devemos ter os trabalhadores frente a todos os governos que defendem o capitalismo.

 O governo de Petro está passando para a história como o primeiro governo de esquerda na Colômbia, mas um governo não deve ser definido por seus discursos, e sim por sua composição de classe e pelo que defende. O governo de Petro tem sido claramente um governo no âmbito do Estado capitalista, o qual tem mantido. Sua composição desde o início até hoje inclui tanto personagens da esquerda reformista quanto independentes e representantes de setores e partidos burgueses; portanto, é um governo capitalista de conciliação de classes.

Rejeitamos qualquer tentativa de fraude, a campanha de desinformação e a ingerência imperialista.

A direita lançou uma brutal campanha de mentiras e manipulação midiática para tentar distorcer a vontade popular. Rejeitamos qualquer tentativa de fraude e levantamos nossa voz contra a ingerência do imperialismo norte-americano e de seus aliados, que buscam definir o rumo da Colômbia de acordo com seus interesses geopolíticos e econômicos.

Este é o momento de retomar a organização independente da classe trabalhadora e dos setores populares.

As assembleias populares por bairro, por quarteirão, por faculdade, por sindicato e por setor devem se multiplicar em todo o país. Essas assembleias devem ser decisórias e de forma alguma devem ser desativadas após o segundo turno. Não podemos esperar que de cima resolvam nossos problemas. A história recente demonstra isso: apenas a pressão massiva de baixo obriga os governos —inclusive os progressistas— a ceder conquistas.

Quem ganhar a segunda volta enfrentará uma crise econômica profunda, pressões do Fundo Monetário Internacional, do imperialismo e uma direita raivosa que não aceitará facilmente a derrota. Se Cepeda ganhar, devemos nos mobilizar para exigir o cumprimento real das promessas de mudança e enfrentar a contraofensiva patronal. Se De la Espriella ganhar, a resistência nas ruas será ainda mais urgente e necessária.

Seguir o caminho da luta

O povo boliviano nos mostra o caminho. Sua experiência nos sinaliza que a direita, em caso de ganhar, imporá contrarreformas para arrasar com os direitos, como fez o presidente Rodrigo Paz, e que a única forma de detê-la é nas ruas com a greve geral, com a paralisação nacional. É a luta nas ruas que pode derrotar a direita. Na Colômbia já temos a experiência. Se não pudemos derrubar Iván Duque em 2021 foi porque os dirigentes da paralisação o desmontaram para canalizar o descontentamento nas urnas.

Se Iván Cepeda ganhar, também teremos que nos mobilizar para exigir do governo que rompa com os capitalistas e resolva os grandes problemas de fundo dos trabalhadores, camponeses, setores populares e camponeses.

Com a unidade dos explorados e oprimidos, na luta direta, podemos derrotar o regime político que ainda se mantém, e conquistar as reformas e reivindicações que precisamos. É por meio de uma revolução nas ruas que poderemos derrotar os poderosos e finalmente governar os trabalhadores e o povo. Caso contrário, cairemos na dinâmica da alternância entre governos de direita e de esquerda que não resolvem os problemas e, pelo contrário, os agravam.

Independência política da classe trabalhadora

 Com os resultados, nos quais a candidatura de ultradireita Abelardo de la Espriella ganha por escassa vantagem sobre a candidatura de Iván Cepeda do Pacto Histórico e de continuidade do governo de Petro; abriu-se uma conjuntura que combina os movimentos das campanhas para ganhar no segundo turno, com uma conjuntura de mobilizações que enfrenta o avanço eleitoral da ultradireita. Essas mobilizações retomam algumas características do processo da paralisação nacional.

A nível internacional assistimos a uma conjuntura de lutas contra governos de direita, como na Bolívia e no Chile, que mostram que os processos de luta abertos há poucos anos continuam latentes.

O capitalismo é um sistema que explora o trabalho assalariado, expropriando a riqueza que produzimos os trabalhadores, não é um sistema que os trabalhadores possamos reivindicar como nosso; nesse mesmo sentido, um governo que pretenda desenvolver o capitalismo não é um governo dos trabalhadores. Por isso, os trabalhadores devemos manter independência política com a consigna: governe quem governar, os direitos se defendem.

Estratégicamente impulsamos a construção de um partido, não eleitoral, mas para a luta e a revolução socialista, para conquistar um governo dos trabalhadores e um sistema econômico sem exploradores nem explorados.

Contra a intervenção de Trump e o imperialismo norte-americano nas eleições!

Voto crítico sem apoio político por Iván Cepeda e Aída Quilcué!

Pela luta nas ruas e a organização independente para derrotar o imperialismo e a burguesia!

Contra a política de conciliação e do Acordo Nacional de Cepeda, um acordo dos de baixo pelas reivindicações da Greve Nacional!

O governo do Pacto Histórico não é nosso governo, por um verdadeiro governo Operário e Popular!

A partir dos processos de luta e organização, estimular a mobilização e a organização independente, retomando os processos de luta da Greve Nacional!

Quem quer que governe, os direitos são defendidos!

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