Sob tortura e sem acusação formal, Israel prorroga prisão ilegal dos ativistas Thiago e Saif por seis dias
Em mais uma afronta ao direito internacional, a Justiça de Israel decidiu nesta segunda-feira (5) estender por mais seis dias a prisão dos ativistas humanitários Thiago Ávila, brasileiro, e Saif AbuKeshek, integrantes da Flotilha Global Sumud. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Magistrados de Ashkelon, que acatou o pedido do governo israelense para mantê-los detidos até o próximo domingo (10), às 9h, mesmo sem apresentar qualquer acusação formal contra os dois.
Thiago e Saif foram sequestrados na semana passada por forças israelenses, em águas internacionais, a mais de mil quilômetros de Gaza, quando navegavam em missão humanitária em apoio ao povo palestino. Dentre cerca de 180 ativistas sequestrados, a maioria foi liberada após 48h, mas Thiago e Saif seguem detidos, sendo submetidos a interrogatórios e tortura física e psicológica.
Advogadas da organização de direitos humanos Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, denunciaram que não existe fundamento legal para a continuidade da prisão e ressaltaram que a própria legislação israelense não poderia ser aplicada ao caso, já que ambos foram capturados fora do território sob jurisdição de Israel e não são cidadãos israelenses.
Mesmo diante disso, o juiz Yaniv Ben-Haroush autorizou a manutenção da detenção com base, em parte, em “provas secretas” que nem os ativistas nem a defesa puderam acessar. Um expediente típico de tribunais de exceção e que viola frontalmente o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Tortura e ameaças
A situação torna-se ainda mais grave pelas condições desumanas impostas aos dois ativistas. Segundo a defesa, Thiago e Saif estão em isolamento total, sob iluminação intensa 24 horas por dia dentro das celas, que visam privar os ativistas de dormirem. Sempre que são transferidos, inclusive para exames médicos, permanecem vendados. Ameaças do exército sionista às famílias também foram relatadas.
Trata-se de um regime de tortura física e psicológica destinado a quebrar a resistência dos presos e produzir desgaste extremo em meio ao interrogatório. Desde a madrugada de 30 de abril, ambos seguem em greve de fome, ingerindo apenas água, em protesto contra o sequestro e os maus-tratos a que vêm sendo submetidos.
Em nota, a Adalah afirmou que a decisão judicial “equivale à validação da ilegalidade do Estado” e anunciou recurso imediato ao Tribunal Distrital exigindo a libertação incondicional dos ativistas.
Como denuncia a defesa dos ativistas, o “Judiciário israelense não atua como instância de garantia de direitos, mas como peça de legitimação da política de perseguição contra qualquer iniciativa de solidariedade internacional ao povo palestino”.
Protestos condenam ação sionista e exigem liberdade a ativistas
A prisão prolongada de Thiago e Saif já provoca indignação e mobilizações. Espanha e Itália registraram protestos, que exigiram a libertação imediata dos dois sequestrados e denunciaram a tentativa de Israel de intimidar a resistência internacional.
No Brasil, diante da gravidade do caso, cresce também a cobrança para que o governo Lula atue com a máxima firmeza pela proteção consular de Thiago Ávila, pressionando por sua libertação imediata.
O governo brasileiro também não pode se furtar a denunciar as condições de tortura e ilegalidade das detenções, bem como precisa romper as relações comerciais e militares com Israel. Nosso país não pode ser cúmplice de um regime racista e genocida.
A continuidade da prisão ilegal de Thiago e Saif deixa evidente que não se trata de um processo judicial, mas de uma operação política que visa intimidar todos que ousarem enfrentar o cerco genocida que Israel impõe sobre Gaza.
Por isso, é urgente ampliar a mobilização nas ruas, fortalecer a pressão internacional e exigir do governo Lula ações concretas e imediatas para trazer Thiago de volta e garantir a liberdade de ambos os ativistas.




