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Palestina

Resposta a Demétrio Magnoli

PSTU Brasil

maio 5, 2026

Artigo publicado na Folha de S. Paulo em resposta à coluna de Demétrio Magnoli

O jornalista Demétrio Magnoli publicou nesta Folha (1/5/26) artigo onde me acusa de racismo contra o povo Judeu e reitera a tese da sentença que me condenou a dois anos de prisão por denunciar as atrocidades praticadas pelo Estado de Israel contra o povo palestino: a falsa equiparação entre antissionismo e antissemitismo.

“Semitas” são povos que tem em comum um mesmo tronco linguístico, entre os quais estão os hebreus/judeus, e os próprios palestinos. Antissemitismo é, portanto, racismo, o que repudio com todas as minhas forças.

“Sionistas” compõem um movimento político – o sionismo – cuja ideologia racista e colonialista é a base do Estado de Israel que iniciou em 1948 uma guerra de limpeza étnica contra o povo palestino para ocupar suas terras. O antissionismo se opõe a tudo isso, luta à qual me somo com todas as minhas forças.

Não se trata de opinião isolada. O historiador judeu Ilan Pappé documenta esse processo em “A Limpeza Étnica na Palestina”. Centenas de organizações judaicas como a Jewish Voice for Peace” (JVP), nos EUA, ou “Vozes Judaicas pela Libertação”, no Brasil, também denunciam o caráter racista e colonialista do Estado de Israel e rejeitam a falácia dessa equiparação.

É verdade que segue havendo colonialismo e racismo no mundo. Atuais, na forma da espoliação realizada pelo imperialismo contra países como o Brasil. E do passado com consequências até hoje, como os crimes de lesa humanidade cometido contra povos africanos sequestrados e escravizados, ou o genocídio dos povos originários, como ocorreu no Brasil e nos EUA, por exemplo.

A humanidade ainda ajustará contas com essa história, com a devida reparação, quando a classe trabalhadora libertá-la do capitalismo decadente. Mas o interessante aqui é ver como esses exemplos bárbaros do passado são usados pelo jornalista para diluir e justificar a barbaridade do presente: o genocídio do povo palestino pelo Estado de Israel.

É o Estado de Israel, não um contrato abstrato entre pessoas, o responsável pela mortandade de mulheres e crianças pelo exército israelense em Gaza. E nenhum Estado tem o direito de se constituir numa região assassinando e expulsando a população que ali vivia.

Acusar de racistas aos que protestam contra essa atrocidade é o recurso desesperado que restou ao sionismo.

Defender o fim dessas atrocidades é um direito, ou mais, uma obrigação. Assim como quase toda a humanidade defendeu o fim do Estado de Apartheid (racista e colonialista) na África do Sul é preciso defender o fim do Estado (racista e colonialista) de Israel. Para pôr fim ao genocídio do povo palestino e permitir a volta dos que foram expulsos de sua terra.

Só assim poderá florescer uma Palestina Laica, Democrática e Não Racista, onde possam conviver palestinos, judeus que que aceitarem viver em paz e demais etnias da região. Assim como na África do Sul convivem brancos e negros.

Magnoli não escreveu seu artigo para defender o meu direito de expressão. O fez para defender o sionismo, seu Estado e as atrocidades que pratica contra o povo palestino. Como se vê, não concordo com Magnoli. Mas acho bom que o sionismo coloque a cara para defender abertamente suas opiniões. Assim poderemos combate-lo à luz do dia.

Não nos calarão. E a Palestina haverá de ser livre, do rio Jordão até o mar.

*Zé Maria é metalúrgico e presidente nacional do PSTU

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ARTIGO DE DEMÉTRIO MAGNOLI NA FOLHA DE S. PAULO – CAMPANHA CONTRA ZÉ MARIA

DEMÉTRIO MAGNOLI é articulista na FOLHA DE S. PAULO, um dos três principais jornais do Brasil

Artigo publicado no dia 1º de maio de 2026

Link – https://www1.folha.uol.com.br/colunas/demetriomagnoli/2026/05/liberdade-para-a-opiniao-antissemita.shtml

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Liberdade para a opinião antissemita

— A esquerda brasileira não tem o direito moral de contestar a condenação do líder do PSTU por sua conclamação à eliminação do Estado de Israel

— O Brasil ‘progressista’ inventou diversos subterfúgios legais para reprimir a opinião política, criminalizando discursos

“Liberdade é sempre, exclusivamente, a liberdade de quem pensa diferente de nós” (Rosa Luxemburgo). A esquerda brasileira, que vive pregando a repressão judicial à palavra “errada”, não tem o direito moral de contestar a condenação de José Maria de Almeida, líder do PSTU, por sua conclamação à eliminação do Estado de Israel. Eu tenho, porque estou entre os que concordam com a revolucionária comunista alemã.

Sim: o discurso de José Maria foi antissemita, por mais que ele invista no truque vulgar de vesti-lo nas roupagens do “antissionismo”. As acusações que utiliza contra Israel (Estado “racista”, “colonialista”, que pratica “genocídio”) não são suas verdadeiras motivações para bradar por sua extinção. O problema dele é que Israel é um Estado judeu.

Israel, Estado “racista”? Falso. Mas, e se fosse? Por que nunca se exigiu a extinção dos EUA, que manteve leis de discriminação racial até 1967?

Estado “colonialista”? Simplificação ginasiana. E se fosse? Jamais sugeriu-se varrer do mapa os EUA, novamente, junto com Canadá, Austrália, Brasil e vários etc., nações de colonos implantadas sobre as ruínas de povos autóctones.

Israel pratica “genocídio”? Debate válido. Contudo, ninguém teve a ideia de remover do planeta a Turquia, a Alemanha, o Camboja ou Ruanda, que conduziram os maiores genocídios da história contemporânea.

As acusações de Zé Maria, que são as da esquerda antissemita em geral, singularizam Israel, descrevendo-o como síntese de uma perversidade inigualável: o fruto podre de um pecado original. O “pecado”, para eles, é sua natureza judaica.

O Estado judeu não é Netanyahu, mas um contrato nacional que garante direitos políticos e civis para seus 10,1 milhões de cidadãos. Com que autoridade moral um não israelense brada pelo cancelamento do contrato dos outros?

Um cidadão israelense, judeu ou árabe, exerceria seu direito ao propor a seus concidadãos um plebiscito destinado a substituir Israel pela improvável “Palestina laica e democrática” invocada por José Maria. Duvido do êxito da iniciativa –mas o rolo é lá com eles. Por outro lado, quando um estrangeiro (mesmo que fosse judeu!) clama pela supressão do Estado judeu, está batendo bumbo para uma guerra de aniquilação nacional.

Zé Maria não gritou contra a ocupação dos territórios palestinos para exigir a partilha da Terra Santa em dois Estados. Não argumentou que, se Israel rejeita a partilha, restaria apenas uma solução democrática: a concessão de cidadania plena a todos os palestinos dos territórios ocupados. Escolheu, no lugar disso, desfraldar na avenida Paulista a bandeira do Hamas: a Palestina “do rio até o mar”. Mesmo assim, deve conservar a liberdade de expressar ideias abomináveis.

O Brasil “progressista” inventou diversos subterfúgios legais para reprimir a opinião política, criminalizando discursos que podem ser interpretados como racistas, homofóbicos ou misóginos. A criminalização obviamente fracassa em ensinar boas maneiras à sociedade –e, algumas vezes, deflagra um curto-circuito, provocando a condenação de um “progressista” antissemita acusado de racismo.

A decisão judicial é um erro amparado pela lei. Liberdade para Zé Maria! Que o antissemitismo saia da toca, mostre suas faces direita e esquerda, para que possamos combatê-lo à luz do dia.As acusações de Zé Maria, que são as da esquerda antissemita em geral, singularizam Israel, descrevendo-o como síntese de uma perversidade inigualável: o fruto podre de um pecado original. O “pecado”, para eles, é sua natureza judaica.

O Estado judeu não é Netanyahu, mas um contrato nacional que garante direitos políticos e civis para seus 10,1 milhões de cidadãos. Com que autoridade moral um não israelense brada pelo cancelamento do contrato dos outros?

Um cidadão israelense, judeu ou árabe, exerceria seu direito ao propor a seus concidadãos um plebiscito destinado a substituir Israel pela improvável “Palestina laica e democrática” invocada por José Maria. Duvido do êxito da iniciativa –mas o rolo é lá com eles. Por outro lado, quando um estrangeiro (mesmo que fosse judeu!) clama pela supressão do Estado judeu, está batendo bumbo para uma guerra de aniquilação nacional.

Zé Maria não gritou contra a ocupação dos territórios palestinos para exigir a partilha da Terra Santa em dois Estados. Não argumentou que, se Israel rejeita a partilha, restaria apenas uma solução democrática: a concessão de cidadania plena a todos os palestinos dos territórios ocupados. Escolheu, no lugar disso, desfraldar na avenida Paulista a bandeira do Hamas: a Palestina “do rio até o mar”. Mesmo assim, deve conservar a liberdade de expressar ideias abomináveis.

O Brasil “progressista” inventou diversos subterfúgios legais para reprimir a opinião política, criminalizando discursos que podem ser interpretados como racistas, homofóbicos ou misóginos. A criminalização obviamente fracassa em ensinar boas maneiras à sociedade –e, algumas vezes, deflagra um curto-circuito, provocando a condenação de um “progressista” antissemita acusado de racismo.

A decisão judicial é um erro amparado pela lei. Liberdade para Zé Maria! Que o antissemitismo saia da toca, mostre suas faces direita e esquerda, para que possamos combatê-lo à luz do dia.

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