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Cuba

Em defesa de Cuba perante o ataque imperialista de Trump! Nenhuma confiança no governo de Cuba!

Eduardo Almeida Neto

fevereiro 6, 2026

O imperialismo norte americano, fortalecido depois da invasão da Venezuela e sequestro de Maduro, agora quer derrubar o regime de Cuba.

Enganam-se aqueles que acreditam que as intenções de Trump tem algo a ver com democracia. O imperialismo norte americano apoia as piores ditaduras do mundo como Arábia Saudita, desde que sirvam a seus interesses. Sustenta a brutal repressão de Israel contra os palestinos.

Trump quer reverter a decadência do imperialismo norte americano e assim enfrentar o imperialismo ascendente chinês usando abertamente seu poderio militar e econômico.

Na Venezuela, com a invasão militar, conseguiu o que queria: o controle do petróleo e uma mudança no governo do país, com Delci Rodrigues alinhada a seus interesses. Impôs assim um recuo do peso crescente do imperialismo chinês no país.

Agora Trump quer estrangular a economia cubana, agravando o bloqueio -existente há 64 anos-com a suspensão do envio de petróleo para a ilha. Depois da invasão da Venezuela foi bloqueado o envio de petróleo desse país para Cuba, que era a principal sustentação de energia desse país.

Trump declarou “emergência nacional” contra Cuba, ameaçando com elevação de tarifas aos países que fornecerem petróleo para a ilha. Isso tem um alvo preciso para evitar que o Mexico supra as necessidades da ilha. Até agora, o governo mexicano só está enviando petróleo em pequenas remessas “por motivos humanitários”.

Segundo a imprensa, Trump também está preparando um bloqueio naval a Cuba, a semelhança do que fez com Venezuela.
Trata-se de um ataque imperialista brutal do mais forte país imperialista do planeta contra um pequeno país, uma ilha, a menos de 200 quilômetros de sua costa.

O objetivo é o mesmo: impor um governo títere dos Estados Unidos e fazer retroceder o peso do imperialismo chinês e russo na ilha. Um brutal aviso para toda América Latina.

Cuba: da primeira revolução socialista na América Latina a crise atual

Cuba foi o primeiro é único país da América Latina a fazer uma revolução socialista vitoriosa, em 1959. Ao derrotar a ditadura de Batista e avançar para a expropriação das grandes empresas norte americanas, a revolução dirigida por Fidel Castro e Che Guevara ganhou enorme prestígio nas massas e na vanguarda de todo o continente.

A LIT sempre se opôs ao bloqueio norte americano contra Cuba, desde sua imposição em 1962. Da mesma forma nos opusemos a tentativa de invasão na Baia dos Porcos em 1961.

No entanto, desde o início criticamos o regime cubano, que nunca ter desenvolvido instituições da democracia operária como os sovietes da revolução russa de 1917. Sempre foi um regime autoritário, controlado por uma burocracia, que depois se vinculou ao estalinismo da URSS.

Se impôs um regime de partido único, às vezes com repressão violenta na base perseguindo todos os opositores ou críticos, inclusive na esquerda. Os sindicatos foram incorporados ao controle do estado, fechando espaços centrais para a expressão das propostas de mudanças da classe operaria.   Como parte do mesmo modelo stalinista, no reino da burocracia sempre existiu a continuidade das opressões racista, machista e LGBTIfóbica. Não por acaso, a elite dirigente cubana é branca, desde a família Castro até Díaz-Canel hoje.

Mesmo assim, as conquistas da revolução cubana no terreno da educação e da saúde mostraram ao mundo as possiblidades de avanços com a expropriação da burguesia e a planificação da economia.  

Depois da restauração do capitalismo na URSS, comandado pela própria burocracia, Cuba começou a seguir o mesmo caminho. Na década de 90 do século passado, o próprio regime castrista acabou com o monopólio do comercio exterior, a planificação da economia e começou a privatizar as empresas estatais. Se abriu o país para as empresas multinacionais, o que foi aproveitado pelo imperialismo europeu para ocupar a ilha. Começou a gestar uma nova burguesia cubana, a partir do aparato de estado e associado as multinacionais europeias.

Isso levou a uma enorme confusão na vanguarda em todo o mundo. Cuba seguia sendo governada por uma burocracia, mas tinha ocorrido uma mudança fundamental: antes uma ditadura burocrática de um estado operário deformado, agora o Partido Comunista presidiu as reformas que chegaram na restauração do capitalismo. Mais ainda, como apoio do estalinismo a nível mundial que segue falando em “Cuba socialista”.

A economia cubana passou a se reger pela lei do valor e não pela planificação da economia. O centro da economia da ilha passou a ser o turismo, com grandes empresas espanholas, como a rede Meliá, ocupando destinos turísticos como Havana e Varadero.

Por que a burguesia imperialista norte-americana não fez o mesmo que a europeia, sendo parte da restauração capitalista na ilha?  A explicação está na burguesia cubana radicada em Miami, expropriada pela revolução em 1959. Essa burguesia se integrou a burguesia imperialista norte-americana e não quer simplesmente voltar a Cuba, mas derrubar a ditadura castrista e recuperar suas empresas expropriadas.

Desde o principio da restauração capitalista, Cuba está em completa decadência, inclusive em relação aos índices de educação e saúde que já foram motivo de orgulho no passado. O turismo, centro da economia cubana, só trouxe dois milhões de visitantes em 2025, o pior resultado em vinte anos, excluindo a pandemia.

A decadência trouxe de volta a miséria para os trabalhadores e o povo pobre de Cuba. Isso levou a explosões em diversos momentos. O mais importante dos últimos anos foi em 11 de julho de 2021, com massivas mobilizações nas principais cidades.

Essas lutas foram reprimidas duramente pelo regime castrista. Para vergonha de todos os que defendem o socialismo, os partidos estalinistas a nível mundial apoiaram a repressão dos trabalhadores pela ditadura burocrática e pro-capitalista. Até os dias de hoje, existem 1185 presos políticos em Cuba, em sua maioria presos no 11J.

A crise atual

A explicação de fundo da crise cubana não é somente o bloqueio norte americano, como diz a propaganda castro estalinista, e sim a restauração do capitalismo na ilha.

Mas o bloqueio norte americano sempre foi um fator de agravamento da crise. E agora, está se transformando em um fator absoluto, pelo bloqueio do petróleo.

A base da geração de energia elétrica em Cuba é altamente dependente do petróleo, entre 80% a 95% . O sistema é sustentado por oito usinas termelétricas principais. Cuba necessita de 110 mil barris de petróleo por dia, e produz só 40 mil. O petróleo venezuelano abastecia 30-40% das necessidades de Cuba e foi suspenso.

Hoje, a população cubana já está passando em várias cidades por 20 horas a cada dia sem energia elétrica. Existe uma crise humanitária em curso.

O criminoso bloqueio norte americano visa impor um governo títere. Trump chegou a dizer que Marcos Rubio, atual secretario de estado do governo norte americano “será o presidente de Cuba”. O objetivo é reocupar a ilha com capital norte americano, deslocar o imperialismo europeu e afastar o imperialismo chinês.

Essa é uma gigantesca ameaça para toda América Latina. Antes Venezuela, agora Cuba. Qual será o próximo passo de Trump?

Desde a LIT chamamos a uma campanha de defesa de Cuba sem prestar nenhum apoio ao governo cubano.

Em particular é necessário exigir aos governos mexicano e brasileiro o fornecimento de petróleo para a ilha. Tanto México como Brasil são exportadores de petróleo e podem perfeitamente suprir as necessidades cubanas

Perante as ameaças imperialistas, é fundamental exigir ao governo cubano liberdades democráticas para o povo cubano. Liberdade para os presos políticos do 11J! Liberdade de organização sindical em Cuba! Armamento para o povo cubano para se defender contra o imperialismo!

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