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Correio Internacional

A política econômica do imperialismo estadunidense na encruzilhada

A decadência do imperialismo estadunidense e a ascensão da luta de classes global.

Eduardo Almeida / PSTU - Brasil e Espi Ramó / WV - EUA

fevereiro 5, 2026

O final de 2025 trouxe consigo três importantes documentos estratégicos redigidos pelos planejadores do imperialismo estadunidense. Trata-se da Estratégia de Segurança Nacional (NSS) do presidente para 2025, o Relatório n.º 83 do Grupo de Trabalho sobre Segurança Econômica do Conselho de Relações Exteriores, intitulado «Vencer a corrida pelas tecnologias do amanhã», e o «Relatório anual ao Congresso sobre os avanços militares e de segurança que afetam a República Popular da China» do Departamento de Defesa/Guerra.

Em conjunto, os três relatórios desenham um panorama no qual a posição internacional do imperialismo estadunidense passa de um domínio indiscutível a ser obrigado a lutar por seu lugar em uma nova ordem mundial. Embora os Estados Unidos mantenham sua superioridade econômica e militar, os grandes avanços tecnológicos da China e seu controle de setores estratégicos estão encurtando rapidamente as lacunas. Todos os relatórios apontam para um sistema econômico mundial que enfrenta o estagnamento e conflitos cada vez mais agudos entre as grandes potências.

O relatório do Conselho de Relações Exteriores (CFR), principal think tank do governo dos Estados Unidos, reconhece que, em todos os países, «cada vez mais, a economia e a segurança nacional têm convergido…». As economias nacionais são reforçadas pelo investimento estatal e pela «política industrial», principalmente nos setores de armamento e defesa. Também houve um forte aumento no uso de restrições à exportação desde 2018, o que indica uma maior agressividade econômica.

A luta pela hegemonia tecnológica e a IA

Nesses documentos se perfilam os 3 eixos da política econômica do imperialismo estadunidense para tentar desesperadamente conservar sua hegemonia: o impulso da competição tecnológica centrada na IA, a guerra tarifária e a reindustrialização dos EUA. O NSS é nítido: “O poder nacional estadunidense depende de um setor industrial forte, capaz de satisfazer as demandas de produção tanto em tempos de paz quanto em tempos de guerra”. Para isso, propõe “relocalizar” a produção industrial no “hemisfério ocidental” sob seu domínio e concentrar-se “nos setores tecnológicos críticos e emergentes”, “em particular em matéria de inteligência artificial, biotecnologia e computação quântica, que impulsionem o progresso mundial”. É importante ressaltar que esses três setores são de “duplo uso”, ou seja, civil ou comercial e também militar.

A disputa tecnológica é fundamental para o futuro do imperialismo em geral e dos Estados Unidos em particular. De momento, a economia norte-americana apresenta uma estabilidade precária porque os preços das ações das “sete magníficas” estão em alta, em grande parte graças ao investimento especulativo em «inteligência artificial», na construção de centros de dados e em tecnologias de vigilância massiva. Ainda não há confirmação de que essa aposta tecnológica se incorpore ao conjunto da economia, o que garantiria uma taxa de lucros correspondente. O gigantesco fluxo de investimentos em IA assegura, até agora, o crescimento do mercado de ações dos Estados Unidos, com recordes após recordes. Mas existe uma bolha em torno da IA, ainda maior do que as bolhas de investimento do passado recente. Continua sendo uma aposta, com um enorme potencial e grandes riscos. Apesar da importância desses grandes monopólios de tecnologia avançada, os Estados Unidos estão muito atrasados em matéria de investimento, e o resto dos setores econômicos apresenta uma baixa produtividade. A produção manufatureira nos EUA está em baixa, em parte devido às políticas tarifárias.

Como detalha o relatório do CFR, nos últimos dez anos, «o Governo chinês gastou aproximadamente 900 bilhões de dólares em inteligência artificial, tecnologia quântica e biotecnologia, mais do que o triplo do que o Governo dos Estados Unidos destinou a essas tecnologias durante o mesmo período».

A competição com a China, mais uma vez, também é o pano de fundo desta corrida tecnológica. O imperialismo americano continua sendo hegemônico no campo dos semicondutores e da IA, mas a China responde de forma agressiva e surpreendeu o mundo com o DeepSeek. A China também está muito à frente dos Estados Unidos em veículos elétricos e baterias de lítio, painéis solares e veículos aéreos não tripulados (drones), e investe o dobro que os EUA em tecnologia quântica.

A política do “Big Stick” na América Latina e Europa, para controlar territórios e recursos, se deve ao fato de que a China conseguiu uma vantagem estratégica ao se inserir nas cadeias de valor dos setores tecnológicos do futuro. Para conseguir reindustrializar-se e competir com a China, os EUA devem primeiro restabelecer um lugar privilegiado nos mercados de recursos estratégicos. O CFR afirma que “os Estados Unidos dependem da China para terras raras (70 % no total, 99 % para terras raras pesadas), componentes de centros de dados e chips (30 % das placas de circuito impresso [PCB], 60 % dos produtos químicos), insumos biotecnológicos e desenvolvimento de fármacos (80 % dos materiais de partida chave [KSM], 33 % da capacidade mundial de ingredientes farmacêuticos ativos [API], 80 % das empresas biotecnológicas americanas têm pelo menos um contrato com a China) e fornecedores únicos de equipamentos quânticos (diodos laser, espelhos, amplificadores).”

O governo de Trump autorizou recentemente a exportação de chips da NVIDIA para a China, com o argumento do chefe de IA do governo, David Sacks, de que agora o envio de chips de IA avançados para a China desestimula os concorrentes chineses, como a Huawei, a redobrar seus esforços para alcançar os designs de chips mais avançados da Nvidia e AMD. Isso supõe um reconhecimento de que o bloqueio americano apenas reforçou a corrida chinesa em direção à autonomia no desenvolvimento de semicondutores.

A guerra comercial entre a China e os EUA.

A imposição de tarifas já faz parte do reconhecimento do declínio dos Estados Unidos. Antes, o imperialismo podia impor sua hegemonia econômica através do «livre comércio» e, a partir daí, utilizava o Estado americano, assim como as instituições mundiais (ONU, FMI, OMC) para impor sua hegemonia política, militar e financeira.

Hoje em dia, o «livre comércio» favorece a China, que consegue em vários âmbitos, como a produção de meios de produção, carros elétricos, painéis solares e outros, vender produtos melhores e mais baratos que os dos Estados Unidos. Esta é a base da guerra tarifária de Trump, uma medida defensiva, típica das economias mais frágeis. O nacionalismo imperialista do governo dos Estados Unidos é uma expressão de sua decadência.

E isso não conseguiu frear a China. Em 2025, a China superou a meta de um trilhão de dólares em exportações em novembro, um aumento de 21,7% em relação a 2024. Vendeu menos para os Estados Unidos e mais para o resto do mundo. E as tarifas impostas por Trump fizeram com que as exportações chinesas para os Estados Unidos diminuíssem em quase 20%. Mas a China reduziu suas compras de soja americana e de outros produtos e continuou vendendo três vezes mais para os Estados Unidos do que comprava.

Em essência, as tarifas, como medida defensiva do imperialismo estadunidense, não conseguiram deter a decadência do imperialismo. Afetam o comércio mundial, mas não revertam a decadência.

A política de reindustrialização de Trump nos Estados Unidos é uma aposta complicada. Pode funcionar parcialmente se conseguir repatriar a produção de semicondutores e os centros de dados associados à disputa pela inteligência artificial. Mas os Estados Unidos não estão em condições de reverter a globalização como um todo, porque teria que destruir e reconstruir as cadeias de valor internacionais, incluindo a produção de componentes hoje globalizados. Isso implicaria um aumento geral dos custos que os grandes monopólios dos Estados Unidos não poderiam assumir.

Em conjunto, a política econômica de Trump não garante a recomposição da hegemonia norte-americana. Sua maior aposta é o domínio da IA, o centro dos centros do problema. Veremos até que ponto essa aposta conseguirá compensar a provável ineficácia da guerra tarifária e da reindustrialização do país.

Frente à guerra comercial, é muito importante que os socialistas expliquem ao movimento operário que a política comercial dos governos burgueses é elaborada pelos capitalistas em benefício de sua própria classe e não para os trabalhadores. Seja “livre comércio” ou protecionismo, a aplicação da política tem por objetivo proteger e aumentar os lucros da classe dominante. As contradições inerentes ao sistema capitalista não podem ser resolvidas nem por meio de tarifas nem por meio de manobras militares ameaçadoras. A única solução para o desemprego e a precariedade crescentes, assim como para a onda inflacionária, é a luta de classes, com um programa que plante a necessidade de que sejam os trabalhadores quem assumam o comando da economia. 

As políticas comerciais protecionistas em países imperialistas como os EUA vão de mãos dadas com o auge do chauvinismo e com os ataques a imigrantes e a outras comunidades oprimidas. Devemos explicar aos sindicatos que não devem apoiá-las, pois não resolverão a crise econômica muito real que o capitalismo está atravessando em escala mundial. Devemos, em todas as nossas organizações, lutar contra o patriotismo nacionalista e a xenofobia que instalam as guerras comerciais e explicar que a chave é que os trabalhadores e os setores oprimidos travem uma luta política implacável pela independência da classe capitalista em suas organizações e comunidades, para formular um programa de luta que responda às suas necessidades mais imediatas.

A disputa militar e a corrida armamentista

«… os dias em que os Estados Unidos sustentavam toda a ordem mundial como Atlas terminaram». Esta frase pode dar a entender que o imperialismo deixa de lado a luta pela hegemonia mundial no terreno militar. Grande erro. O significado real é que os Estados Unidos mudaram os instrumentos dessa luta, adaptando-os à sua própria decadência.

Em primeiro lugar, Trump mantém todo a ênfase na disputa pela hegemonia militar:

«Queremos recrutar, treinar, equipar e movimentar o exército mais poderoso, letal e tecnologicamente avançado do mundo para proteger nossos interesses, dissuadir guerras e, se necessário, ganhá-las de forma rápida e decisiva, com o menor número possível de baixas entre nossas forças… Queremos a dissuasão nuclear mais sólida, crível e moderna do mundo, além de defesas antimísseis de última geração, incluindo um Golden Dome para o território americano, para proteger o povo americano, os ativos americanos no exterior e os aliados dos Estados Unidos. Os Estados Unidos não podem permitir que nenhuma nação se torne tão dominante a ponto de ameaçar nossos interesses. Trabalharemos com nossos aliados e parceiros para manter o equilíbrio de poder em nível global e regional, a fim de evitar o surgimento de adversários dominantes.”

Em segundo lugar, o imperialismo se caracteriza por não contar mais com os recursos suficientes para desempenhar o papel de polícia do mundo, com tropas militares nos lugares mais importantes do planeta.

Esse enfoque na disputa militar se manifesta em um orçamento militar cada vez mais desorbitado, apesar do endividamento brutal do país, já que desde 2020 a dívida pública excede o PIB (entre 118% e 126%). Estados Unidos continua sendo, com diferença, o país com o maior orçamento militar. Em 2024, sob Biden, superou os 824 bilhões de dólares; em 2026, ascendeu a 900 bilhões de dólares, e Trump propôs aumentar o orçamento militar dos Estados Unidos para 1,5 trilhões de dólares para o ano fiscal de 2027 – algo nunca visto na história.

A China ocupa o segundo lugar, com um gasto militar total de 246 bilhões em 2025, mantendo um ritmo de aumento anual de 7% nas últimas duas décadas. No entanto, outras fontes, como o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), estimam que o gasto real da China em defesa foi de cerca de 318 bilhões de dólares em 2024, enquanto outro estudo o coloca em um valor ainda maior: 471 bilhões de dólares.

Os Estados Unidos poderiam estar em guerra com a China em 2027. Esta data sempre fez parte dos documentos estratégicos de planejamento militar dos Estados Unidos como a data em que este país poderia estar preparado para enfrentar o aumento do armamento da China.  

A maquinaria bélica industrial estadunidense está operando a pleno rendimento. As empresas estadunidenses de produção de armas aproveitaram a guerra da Ucrânia e as disposições e projetos de lei de ajuda militar para reativar suas linhas de produção, que agora estão reforçadas pela concorrência com a China. Desde o início da guerra na Ucrânia, os Estados Unidos já duplicaram sua produção de projéteis de artilharia de 155 mm, com o objetivo de alcançar 100 000 projéteis por mês até 2025.

No obstante, a rápida expansão militar da China, em particular seu poderio naval, questionou a vantagem estratégica dos Estados Unidos, especialmente em possíveis conflitos relacionados a Taiwan. A China está ampliando rapidamente sua força naval e aspira a contar com uma frota maior que a dos Estados Unidos. E este último não pode acompanhar o ritmo devido à ampla capacidade dos estaleiros chineses, que supera com folga a dos Estados Unidos: Segundo o Pentágono, a China tem a previsão de alcançar uma frota de 400 navios em 2025 e de 440 em 2030, enquanto o Plano de Navegação 2022 da Marinha dos Estados Unidos é alcançar os 350 navios tripulados… ¡em 2045!

A partir daí, o imperialismo norte-americano está «recrutando e comprometendo» ativamente apoiadores regionais para desempenhar esse papel contrarrevolucionário. Isso passa por uma relocalização do papel da Rússia de Putin, a qual Trump quer deslocar de seu bloco com a China. Daí sua mudança de postura em relação à Ucrânia e toda a batalha que trava para que a Europa mude de postura frente à Rússia.

No mesmo sentido, Trump exige ao imperialismo europeu um aumento dos investimentos militares (para 5% do orçamento) para aliviar a carga da OTAN sobre os Estados Unidos.

No Oriente Médio, Trump aposta no papel regional contrarrevolucionário de Israel e, paralelamente, no da Turquia, Egito e as monarquias do Golfo.

E também, o que é muito importante, os acordos de Abraão, que permitiriam a integração econômica da Arábia Saudita e outros países da região com Israel, além dos já assinados, como os dos Emirados Árabes Unidos.

Isso poderia ser uma barreira para o avanço econômico da China, que hoje em dia já é o principal exportador para Israel e, provavelmente, para os principais países do Golfo. Além disso, fortaleceria uma nova aliança contrarrevolucionária para Trump.

Pressão ou sabotagem à União Europeia?

Neste novo ordenamento mundial, a Europa ficou relegada, sem poder aparecer como um bloco econômico e político próprio nem como um parceiro em igualdade de condições com os Estados Unidos dentro da OTAN. Isso se deve em parte ao declínio econômico da região. Segundo o economista Michael Roberts, «espera-se que o crescimento da zona do euro desacelere em 0,2 pontos percentuais no próximo ano, situando-se em 1,2 % em 2026». Isso está muito abaixo do crescimento do PIB mundial, estimado em torno de 2,6 %. O imperialismo europeu está perdendo rapidamente os últimos vestígios de suas posses coloniais formais, especialmente na África, o que deixa mais território em jogo na nova luta interimperialista.

A guerra da Ucrânia, iniciada em 2022, mostrou que, atualmente, a capacidade da Europa para se defender da Rússia é muito mais fraca do que antes. Os Estados Unidos negociam diretamente com Putin a divisão da Ucrânia e, ao conceder a Putin a manutenção de sua esfera de influência, deixa a Europa em sua posição mais vulnerável desde a Segunda Guerra Mundial. Hoje em dia, a Rússia realiza ações militares de “sabotagem” limitadas na Europa com um alcance sem precedentes, sem que tenha havido quase nenhuma resposta europeia, exceto a tentativa dos países da UE de melhorar sua postura defensiva por meio de um maior gasto.

É possível que, como aponta o analista socialista Michael Probsting, o objetivo de Trump seja “destruir a União Europeia e instalar governos pró-americanos nos Estados europeus”, utilizando “uma retórica chauvinista de direita sobre os «perigos» da migração e a defesa das «nações soberanas» frente às «instituições transnacionais»”. É certo que se a UE colapsar, os Estados nacionais terão que tratar com os Estados Unidos “de forma individual, ou seja, a partir de uma posição negociadora mais fraca”, e embora “sendo realistas, os Estados Unidos não podem esperar transformar todos os Estados europeus em vassalos, esperam conseguir isso pelo menos com vários países”, Áustria, Hungria, Itália ou Polônia – mencionados na versão ampliada do NSS. Embora essa possibilidade não possa ser descartada, o futuro da UE ainda está por ser decidido. 

Em todo caso, o que está claro é que os EUA já não contam com a Europa como seu principal parceiro. A NSS e sua versão mais extensa, ainda não publicada, apontam para a criação ou revitalização de diversos organismos multilaterais de coordenação. Isso inclui a ideia de criar uma coalizão «Core 5» (C5) integrada pelos Estados Unidos, China, Rússia, Índia e Japão. A ideia da C5 indica que os Estados Unidos já não querem governar o mundo junto com a UE. A classe dirigente americana vê cada vez mais a UE como um obstáculo para reordenar as relações econômicas com a Rússia e a China, cada uma em sua esfera de influência.

Este declive da Europa o torna explícito o documento de Segurança Nacional, que lhe acrescenta um interessado verniz ideológico, o da já conhecida “guerra de civilizações”. 

«A Europa continental tem perdido participação no PIB mundial —de 25% em 1990 para 14% atualmente— devido, em parte, às regulamentações nacionais e transnacionais que minam a criatividade e a laboriosidade. Mas esse declínio econômico é eclipsado pela perspectiva real e mais crua da desaparecimento da civilização. Entre os problemas mais importantes que a Europa enfrenta estão as atividades da União Europeia e de outros organismos transnacionais que minam a liberdade política e a soberania, as políticas migratórias que estão transformando o continente e criando conflitos, a censura da liberdade de expressão e a repressão da oposição política, a queda da natalidade e a perda da identidade nacional e da confiança em si mesma».

Em outras palavras, a decadência europeia é um fato e sua origem reside na União Europeia e nos governos de democracia liberal, que questionam a extrema direita. O imperialismo norte-americano não pode agir da mesma maneira com os países imperialistas europeus que com os sul-americanos. Mas explicitamente busca fazer explodir a UE para poder negociar país por país e apoia abertamente os movimentos de extrema direita europeus. Para isso, a luta contra os imigrantes desempenha um papel importante, bandeira política fundamental da extrema direita europeia.

As consequências sobre a luta de classes mundial. A polarização aumentará ainda mais

É inegável que um governo de extrema direita no poder do país mais poderoso do planeta, armado com esta estratégia, causará repercussões importantes e brutais em todo o mundo. A pressão econômica, os recursos militares, a influência política e ideológica se manifestarão com dureza em todo o mundo.

Mas se enganam aqueles que tiram conclusões unilaterais sobre a aplicação desta estratégia. Mesmo com todo o poderio estadunidense, não consegue superar sua decadência com medidas extraeconômicas como a guerra tarifária. Ou avança no domínio e na extensão da IA e outras tecnologias de ponta, ou aprofunda sua decadência e favorece ainda mais a China.

O mesmo ocorre com a luta de classes. A enorme polarização social e econômica, produto da aplicação desta estratégia, provocará também uma polarização política cada vez maior e uma acentuação da luta de classes. A invasão da Venezuela, que pode ser apenas a primeira de uma série, aponta na mesma direção.

A ofensiva genocida de Israel contra Gaza provocou um aumento histórico do apoio à luta palestina em todo o mundo, o que até mesmo provocou pela primeira vez fenômenos como a greve geral na Itália.

Em todo o mundo estão surgindo mobilizações que chegam a explosões populares, como as ocorridas no Sri Lanka, Bangladesh e Nepal, que apontam nesse sentido.

Inclusive nos Estados Unidos, as gigantescas mobilizações «No Kings» contra Trump, assim como suas derrotas eleitorais na cidade de Nova York e em outros estados, demonstram que essa polarização política está aumentando.

Podem voltar a ocorrer grandes ascensos revolucionários na América Latina, como em 2018 e 2019, que podem gerar confrontos diretos não apenas com os governos burgueses da região, mas também com Trump.

Além disso, em vários países do mundo começa a surgir uma efervescência na vanguarda que dá lugar ao crescimento do espaço para programas revolucionários.

Como dizia Moreno, «o imperialismo não faz o que quer, mas o que pode». E as ações do imperialismo norte-americano, guiadas por esta estratégia, podem provocar novas convulsões na luta de classes a nível mundial.

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