Na manhã do dia 6 de abril, foi realizado um ato, restrito pelas imposições da pandemia, com cerca de 50 representantes de centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais e populares, em solidariedade aos trabalhadores e ao povo da Colômbia.

Por: Wilson Honório da Silva

Como se sabe, o povo do país tem saído, maciçamente, às ruas, desde 28 de abril, quando teve início uma Greve Nacional contra um Reforma Tributária através da qual o governo do presidente Ivan Duque pretendia jogar os custos da crise econômica para as costas dos trabalhadores, aumentando, por exemplo, o imposto sobre o valor agregado (IVA) dos alimentos básicos e, também, a alíquota do imposto sobre os salários.

O projeto foi derrubado pela força da mobilização, assim como o Ministro da Economia. Contudo, principalmente a partir do dia 1º de maio, o governo deu início a um verdadeiro massacre, que já deixou dezenas de mortos e um número incerto de feridos e desaparecidos, além dezenas de denúncias sobre casos de estupro e outras formas de violência.

Para conhecer melhor este processo, leia as notas do PSTU (“Todo apoio à luta dos trabalhadores e do povo colombiano” ), da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (“SOS Colômbia: Deter o Massacre! Não à militarização das cidades!”) e, também, o artigo “Diante de protestos, governo colombiano apela para massacre”.

Unidade contra a crise e um massacre sangrento

O ato realizado na frente do Consulado da Colômbia foi convocado de forma unitária por onze centrais sindicais do país, como CSP-Conlutas, Intersindical – Instrumento de Luta, Central única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central de Sindical de Trabalhadores (NCST), Central de Sindicatos do Brasil (CSB), Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e Pública — Central dos Servidores.

No texto, entregue aos representantes do governo colombiano no Brasil, os organizadores da manifestação destacam, por exemplo, o fato de que em Cali, “onde o protesto tem sido mais forte, o governo e o prefeito deram ordem para reprimir o protesto social” com “o direito de policiais e soldados ao uso de armas”. Também se ressalta que, desde que Duque chegou à presidência, há três anos, “mais de 1.000 lutadores sociais foram assassinados”.

Diante disto, além de repudiar “a repressão brutal na Colômbia, assim como os ataques do governo de Iván Duque e do parlamento com sua proposta de reforma tributária”, as centrais exigiram a imediata libertação dos presos políticos.

O documento foi entregue à consulesa Ana Laura Acosta Orjuela, que aceitou receber apenas dois representantes, sendo escolhidos Fabiola Valdambrini, da Executiva Estadual da CSP-Conlutas, e Renê Vicente, presidente da CTB São Paulo.

Solidariedade dos movimentos sociais e de combate às opressões

“Trabalhadoras e trabalhadores estão lutando, nas ruas, há uma semana, mas não só contra a Reforma Tributária. Quase metade da população está vivendo abaixo da linha da pobreza, enquanto a Covid avança no país (…). O governo Duque, agora, ordena que sua polícia ataque os trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo as mulheres, que estão sendo violentadas, estão sendo estupradas, inclusive quando presas (…). Mas isto não vai impedir que as mulheres continuem nas ruas, como fizeram as mulheres do Chile, da Bielorrússia, do Líbano. Elas continuarão nas ruas, não são intimidadas”, destacou Fabíola, que também é militante do Movimento Mulheres e Luta.

O Luta Popular, movimento filiado à CSP-Conlutas também esteve no ato, prestando solidariedade aos nossos irmãs e irmãos colombianos. “Queria dizer pra vocês sobre a importância da unidade da classe trabalhadora, do povo pobre e da periferia e das centrais sindicais, que, hoje, estão cumprindo, aqui, um papel real, de unidade e de luta, juntando todos pra lutar contra o sistema capitalista na América Latina. Sistema este, que todo dia, cada vez mais, explora cada morador da América Latina (…). É importante colocar na consciência de cada trabalhador que a luta real é a unidade de ação (…) porque só a luta vai mudar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras”, falou o companheiro Silvinho, morador da Ocupação dos Queixadas.

A importância da solidariedade internacional

Tendo contribuído para a construção do ato, o PSTU São Paulo destacou a importância da luta em curso no país vizinho e da solidariedade internacional à luta. “O governo não está economizando em repressão, mortes e estupros para tentar impedir o inevitável levante da juventude e da classe trabalhadora em defesa de seu direito à vida. É muito importante que se realizem, em todos lugares do mundo, ações como esta, de solidariedade, porque o que está acontecendo na Colômbia, hoje, é apenas um retrato do que nos espera (…). Porque os problemas que nós enfrentamos são os mesmos. É uma pandemia para a qual os governos não têm vacinas, não têm medidas adequadas de proteção. É uma crise econômica que tira os empregos, tira direitos”, lembrou Fábio Bosco, em nome do partido.

Uma luta que, em nossa opinião, assim como tem sido defendido pelo Partido Socialista dos Trabalhadores (PST), organização-irmã do PSTU em solo colombiano, tem que ir para além da necessária derrubada de Duque e seus projetos de superexploração, do fim do massacre e a punição dos responsáveis.

É importante, mesmo agora, no calor das lutas, discutir a necessidade de construção de um governo operário e popular. Algo que, como os companheiros e companheiras do PST colombiano têm discutido, passa pela convocação de amplas assembleias populares que discutam os rumos do movimento e convoquem um Encontro Nacional de Emergência, das organizações sociais e políticas do país.

“É importante dizer em alto em bom som que é muito importante derrubar cada um destes governos capitalistas, cada uma destas reformas. Mas, é preciso ir além. Temos que lutar pra colocar a classe trabalhadora no poder. O que a América Latina precisa é de uma revolução socialista, só assim poderemos impedir os efeitos da pandemia e o desemprego e a carestia que se abatem sobre a classe trabalhadora”, conclui o companheiro, que também faz parte do Setorial Internacional da CSP-Conlutas.

Atos semelhantes ao realizado também foram realizados em outras cidades do país e, também, outros lugares do mundo como em Londres (Inglaterra), San José (Costa Rica), Málaga (Espanha), Los Angeles (EUA), Buenos Aires (Argentina), Berlim (Alemanha), Quito (Equador), dentre vários outros países.

O próximo passo desta campanha de solidariedade internacional, que ganhou a “hastag” #SOSColômbia, nas redes sociais, é uma mobilização mundial, na porta das embaixadas colombianas, convocada para sexta-feira, dia 7 de maio.