Após quatro dias de massivos protestos na Greve Nacional, o governo de Duque ordenou a militarização das cidades para conter as mobilizações que continuam apesar de terem sido brutalmente atacadas pela Polícia Nacional. Já são por volta de 35 pessoas assassinadas, 400 detidos, mais de dez jovens lesionados e 2 mulheres estupradas pela Polícia Nacional, que usam armas de fogo à queima-roupa para dispersar os manifestantes e entram nas casas e conjuntos residenciais disparando gases e armas paralisantes.

Por: Comitê Executivo – PST Colômbia

A juventude, a classe trabalhadora e os pobres – apesar da pandemia – foram às ruas arriscando suas vidas, não só diante da possibilidade de contágio, mas também diante da repressão policial. As massas não só saem para enfrentar a reforma tributária e o Pacote de Duque, mas também para protestar contra as condições de miséria em que vivem.

Os protestos são liderados pela juventude que têm pela frente apenas o desemprego, o endividamento  para estudar e condições de trabalho precárias, e também por setores populares, que em sua maioria, vivem da economia informal e sofrem perseguições policiais cotidianamente.

No ano passado, de acordo com os números maquiados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (Dane), a pobreza extrema atingiu 42,5% da população, um aumento de quase sete pontos em relação a 2019, que foi de 35,7%. Em outras palavras, a pandemia deixou 3,6 milhões de pessoas em extrema pobreza.

Militarização das cidades

Ivan Duque anunciou na noite de 1º de maio que apelaria para a “assistência militar”, figura da Lei 1.801 de 2016 ou Código Policial que se define como “o instrumento legal que pode ser aplicado quando atos de grave alteração da segurança e da convivência o exigirem ou perante risco ou perigo iminente, ou para enfrentar  uma emergência ou calamidade pública, através da qual o Presidente da República poderá dispor, temporária e excepcionalmente, do apoio da força militar”. A medida é tomada depois de que o ex-presidente Álvaro Uribe Vélez por meio de redes sociais chamasse a apoiar “o direito de militares e policiais ao uso de suas armas”.

Esta medida autoritária do governo uribista de Iván Duque, é um sinal da fragilidade do regime diante de uma onda de protestos em todo o país, que não conseguiram conter e que teve epicentro na cidade de Cali e no sudoeste da Colômbia.

De fato, a Polícia vem assumindo o controle nas cidades, passando por cima das prefeituras, que estão apenas olhando de longe, limitando-se a dar declarações de apoio às instituições ou de ir aos centros de detenção para “verificar” as ações policiais.

O silêncio diante do massacre

Este massacre, que deixa mais de 20 jovens assassinados em Cali, Bogotá e Ibagué, que deixa vários lesionados pelas armas do esquadrão Móvel Anidistúrbios  (ESMAD), que deixa mais de 400 detidos, conta com o silêncio dos supostos órgãos de controle. Nem a Procuradoria-Geral da República nem a Defensoria do Povo fizeram alguma coisa perante a barbárie policial. Também há o silêncio das prefeituras, que se limitaram a apoiar a Polícia e acusar a juventude de vandalismo; o silêncio dos organismos multilaterais que em outras ocasiões se manifestaram contra os governos que reprimem as manifestações; com o silêncio dos meios de comunicação que, defendendo seu regime, são porta-vozes da Polícia Nacional e não mencionam seus crimes escondendo as cifras de assassinados.

Porém, o povo está nas ruas e está disposto a continuar lutando, a continuar convocando as mobilizações em uma Greve Nacional que, como em 2019, superou os cálculos da burocracia das centrais sindicais que controlam o Comitê Nacional de Greve, que convocou um show virtual enquanto milhares de pessoas estavam nas ruas, em um ato de traição aos protestos.

Também superou os cálculos dos partidos de oposição, alguns que têm apoiado suas prefeituras alternativas na repressão policial e outros que preferiram “apoiar” as lutas, mas não tomar a frente, para se mostrarem “imparciais ante ao regime”.

Enquanto isso, milhares de jovens, camponeses, mulheres, comunidades afro e indígenas e a classe trabalhadora vão às ruas não só contra a reforma tributária que foi rejeitada até pelos partidos do governo, mas contra as condições de pobreza e miséria que tiveram que suportar por décadas e que pioraram durante a pandemia.

SOS Colômbia

Por isso, fazemos um chamado às organizações da classe trabalhadora, defensoras dos direitos humanos, sociais e populares a nível internacional, a se solidarizarem com as lutas na Colômbia, a denunciarem o massacre perpetrado contra aqueles que foram às ruas e rejeitam a militarização ordenada pelo governo autoritário de Iván Duque.

Apelamos também aos militares e à polícia para que não continuem a cumprir estas ordens de massacrar a população da qual fazem parte, a não disparar contra o seu próprio povo, a se recusar a reprimir e a aderir às lutas heroicas travadas pela juventude.

O Partido Socialista dos Trabalhadores convoca a realização de uma campanha internacional de SOS Colômbia, é preciso apoiar as lutas com mobilizações no exterior, com protestos nas embaixadas colombianas, com boicote aos produtos colombianos, exigindo que pare este massacre.

Urge também uma Reunião de Emergência que possa dirigir a Greve Nacional contra o Governo de Duque, porque o Comitê Nacional de Greve, controlado pelas burocracias sindicais, não tem conseguido assumir a liderança. É preciso uma nova direção das organizações sindicais e populares para enfrentar esta declaração de guerra do governo Duque contra a classe trabalhadora e os pobres.