Argentina: É hora de impulsionar um partido da classe operária
Rumo à construção de um partido operário: a classe trabalhadora busca sua autonomia política e a verdadeira representação.
Estamos vivendo uma mudança na consciência de milhões na Argentina. O presidente está perdendo apoio entre os jovens e a classe trabalhadora (que deram votaram massivamente nele em 2023).
Essa massa de jovens das comunidades, trabalhadores/as, rejeita Javier Milei, mas não quer nem ouvir falar do peronismo. Este é o processo mais rico, histórico, de ruptura com o partido que dominou a classe operária durante 80 anos.
Neste contexto, ocorre o aumento nas pesquisas da imagem positiva de Myriam Bregman, do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS).
Como avançar neste cenário na tarefa de dotar a classe operária de uma ferramenta política para lutar por suas necessidades e pela Segunda e Definitiva Independência nacional, caminho para uma revolução operária e socialista e um governo da classe operária?
Os limites atuais
A FIT-U —em seu momento, uma iniciativa eleitoral progressista— não é o instrumento para isso. Isso agora é reconhecido também pelo PTS e pelo Movimento Socialista dos Trabalhadores (MST), ambos membros da Frente.
Neste contexto, a resposta do partido de Bregman é a necessidade de construir um “Partido da Nova Classe Trabalhadora”. Nos parece que vai na direção correta.
No entanto, a orientação concreta não é. Na prática, limita-se a “Comitês por Myriam presidenta” do PTS e aqueles que aceitam sua política e sua hegemonia, totalmente centralizados por esse partido. Achamos uma orientação equivocada e queremos debater sobre isso.
Antecedentes
Trotsky debatia com o SWP norte-americano sobre essa política na década de 30. Embora não tenha se concretizado, seus ensinamentos são muito úteis.
Existem antecedentes de construção de partidos operários, tais como o Partido Trabalhista inglês, ou o Partido Trabalhista na Argentina, que apoiou Perón em 1946 e depois foi dissolvido por ele mesmo. Está também o PT brasileiro de Lula, na cuja construção o PSTU do Brasil teve participação direta.
Esses partidos reformistas nasceram diretamente dos sindicatos, em meio a grandes lutas e ao surgimento de novas organizações operárias. E impulsionados por dirigentes reconhecidos. Essa realidade não existe em nosso país hoje.
No entanto, isso não é um obstáculo para iniciar uma campanha sobre a necessidade de construí-lo e de um programa para o mesmo. Isso é o que temos condições de fazer desde agora, aproveitando essa popularidade de Myriam e criando um amplo movimento unitário com esse objetivo.
A tática do PTS
Neste sentido, nos parece equivocado, limitado, pouco audacioso e sectário o caminho que propõe o PTS.
Construir “Comitês” nos quais só pode participar um único partido, junto àqueles que aceitam obedientemente sua direção, não é nada atraente para lutadores e dirigentes operários ou juvenis independentes ou que vêm do peronismo e refletem esta nova realidade política.
Isso pode servir para “engordar” o próprio PTS, mas não para impulsionar um verdadeiro e poderoso movimento em direção a um Partido dos Trabalhadores.
Formar Comitês para um Partido de Trabalhadores
Nossa proposta, a partir do acordo com o objetivo, é diferente. Temos que fazer “Comitês por um Partido dos Trabalhadores” abertos, amplos e democráticos, onde todas e todos possamos manter nossa independência e critérios a partir desse acordo comum, nossa própria fisionomia e propostas programáticas e políticas. Esses comitês poderiam ser um marco organizativo para dezenas de milhares de jovens e trabalhadores.
Queremos debater esta proposta para levá-la a cabo com o PTS e demais partidos, assim como com centenas de ativistas e lutadores sindicais, juvenis e políticos.




