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El Salvador

A Longa Noite… A Masmorra Nunca Mais

agosto 25, 2025

Por: Izleño Pipil (PT / El Salvador)

Na longa noite de inverno de 1982. Em 21 de agosto, no ano da morte. O relógio tiquetaqueava e a noite parecia escura. O caminho era irregular e o cansaço evidente, os gritos dos anjos se misturavam às máscaras da morte, e o canto das corujas anunciava a chegada de um rio de sangue.

Na longa noite de um massacre anunciado, diz-se que mais de 200 homens, mulheres, idosos, meninas e meninos perderam a vida nas mãos de um exército covarde, representando a oligarquia nefasta e sanguinária de um país sem história.

A Longa Noite dos 43. A longa noite já dura 43 anos. Anos de busca incessante por justiça. Quarenta e três anos em que ainda exigimos punição para os assassinos. Mas, em vez disso, o que tivemos foram quarenta e três anos de zombaria, desprezo, desdém e negligência por parte dos perpetradores.

Na longa noite de 43 anos, as feridas da memória ainda não cicatrizaram, pois desde o início ficou evidente que o interesse da classe dominante não era reparar os danos perpetrados, mas sim proteger com impunidade os perpetradores. Eles inventaram tantas leis quantas foram necessárias para pintar os rios de sangue com as cores da democracia. Em 1993, novos e velhos partidos políticos, subservientes à democracia burguesa, se uniram no esgoto legislativo e deram origem à Lei da Anistia. Esta lei da anistia = Amnésia = esquecimento, aprisionamento da memória. Esta foi uma lei elaborada e concebida pelos perpetradores e para protegê-los; mas também ignorou e esqueceu as vítimas. Na longa noite de 43 anos, a impunidade ainda reina, pois os responsáveis ​​pelo massacre na prisão ainda não foram condenados.

A longa noite de 43 anos também viu resistência. Resistência de sobreviventes que, apesar de tudo, ainda exigem justiça. A longa noite de 43 anos também viu o nascimento de novas gerações; gerações rebeldes que se recusam a ceder e continuam a exigir justiça e punição para os assassinos.

Hoje, na longa noite de 43 anos, revivemos nossos mortos, os trazemos à nossa memória e, com eles, damos vida àquela luz de esperança que ainda persiste. Revivemos nossa memória e nossa história. Essa história é uma viagem ao passado em busca da verdade. Essa memória se baseia na memória de nossos mortos e de muitos outros (a revolta indígena de 1932, o massacre de Mozote, o massacre de Tenango e Guadalupe, o massacre de Zumpul, o massacre estudantil de 30 de julho, o massacre de Santa Rita, o massacre de San Francisco Angulo, o massacre de Santa Rosita, o massacre de Aradillas, Romero, Rutilio, as 4 freiras Maryknoll, o assassinato de Romero, os padres jesuítas, etc.) mártires da esperança.

É hoje, na longa noite de 43 anos, que as comunidades do norte de San Vicente, em El Salvador, levantam suas vozes e exigem a verdade, e que a justiça seja feita com base nessa verdade. Somente assim o perdão e a reconciliação podem existir neste país sem história.

Que a memória histórica sirva para reivindicar o sangue de nossos mártires e, com base nesse legado, incendiar as lutas, essas muitas lutas por um caminho comum.

Diante da indiferença, dizemos — SOLIDARIEDADE

Diante da injustiça, dizemos — LUTA

Diante da impunidade, dizemos — RESISTÊNCIA

NÃO CAIAMOS, NÃO ESQUECEMOS, NÃO NOS RECONCILIAMOS

JUSTIÇA E CASTIGO PARA OS ASSASSINOS.

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