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Reverter o golpe para os companheiros de Celima!

março 14, 2025


Por: PST – Peru

Os trabalhadores da Celima receberam um duro golpe. Após 200 dias de luta incansável contra o processo de demissão coletiva iniciado pela empresa, e apesar dos inúmeros e contundentes argumentos que lhes deram esperança de uma resolução favorável, o Ministério do Trabalho (MTPE) decidiu a favor da empresa.

A decisão foi tomada dois dias antes do prazo, no momento em que os trabalhadores estavam desenvolvendo seu plano de luta, como se para enviar uma mensagem nítida: “fazemos o que queremos”.

A resolução caiu como uma bomba sobre a classe trabalhadora e seus dirigentes, que colocaram suas expectativas na justa luta dos companheiros da Celima. O mesmo aconteceu com os líderes da Federação dos Trabalhadores da Indústria Manufatureira e Serviços Afins (FETRIMAP) e da Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP), que durante todo esse tempo fomentaram a confiança no Ministério do Trabalho e confiaram cegamente em seus “advogados”.

Gilmer Ibáñez, líder da FETRIMAP e advogado do sindicato, tentou minimizar o fato afirmando que “a resolução é culpa de uma funcionária nova”. Como se um funcionário recém-chegado pudesse tomar decisões sem a aprovação de seus superiores.

A única explicação plausível é que estamos diante de uma decisão política do ministério. O problema da Celima não é um caso isolado. Nestes mesmos dias, outra demissão coletiva começou em Owens Illinois, outra base da FETRIMAP, o que levou o próprio Gilmer Ibáñez a falar de “uma onda de demissões coletivas”, agora que são mais de cem. Vários sindicatos não conseguem encontrar uma solução para suas demandas, mesmo depois de mais de cem dias de greve. Para piorar a situação, o próprio Ibáñez informou que o MTPE está preparando um novo pacote de medidas antitrabalhistas.

Não há dúvida: tudo isso faz parte de uma política empresarial combinada que, com o apoio do governo Boluarte, busca enfraquecer as organizações dos trabalhadores e impor medidas de superexploração. Não é culpa individual ou pessoal de uma funcionária, mas consequência da política representada, desde a funcionária até o ministro Daniel Maurate, funcionários de um governo a serviço dos interesses empresariais.

O problema fica ainda mais evidente quando se analisa o caso da Celima. A empresa justifica a demissão coletiva alegando “excesso de pessoal” e a necessidade de “recuperar a eficiência”, com base num relatório pericial que ela própria pagou (ou melhor, comprou). Diante disso, os trabalhadores mostraram que essas justificativas são falácias destinadas a encobrir o verdadeiro objetivo: destruir seu sindicato. Eles apresentaram fortes evidências demonstrando, entre outras coisas, que:

  • Não há “excesso de pessoal”, muito pelo contrário. A falta de mão de obra é tanta que muitos trabalhadores são forçados a estender suas horas para concluir tarefas. Alguns trabalhadores em “layoff” até continuam trabalhando devido à falta de pessoal. Além disso, em 2023 a empresa já demitiu cerca de 300 trabalhadores mediante a compra de demissões.
  • A empresa está classificando como “excedentes” trabalhadores sindicalizados, líderes, aqueles com entre 25 e 35 anos de serviço e aqueles com restrições de saúde. Isso constitui uma discriminação flagrante que viola os direitos fundamentais.
  • Os balanços da empresa mostram lucros, não perdas. Em 2022 e 2023, a empresa obteve lucros exorbitantes (com um crescimento de 60%), e no último ano só experimentou uma diminuição em suas margens de lucro.

A empresa não respondeu a nenhum desses argumentos. Nas três reuniões de “conciliação” no MTPE, a empresa enviou advogados que não deram respostas concretas, já que nem sabiam a localização da fábrica. Seu único argumento era insistir que os trabalhadores aceitassem a aposentadoria voluntária.

E o que o Ministério do Trabalho fez? Nada. Não investigou, não tomou nota das defesas e queixas dos trabalhadores. Simplesmente copiou e colou as razões da empresa para emitir sua resolução. Parece incrível, mas foi assim.

A atitude dos empregadores não é nova. A empresa já havia descumprido uma resolução anterior, que negava uma primeira tentativa de demissão coletiva, e sequer pagava os salários devidos. E o que o Ministério do Trabalho fez? Nada.

Esta é a realidade enfrentada pelos trabalhadores da Celima: a prepotência de seu empregador, o Grupo Belmont-Cassinelli, endossada pelo Ministério do Trabalho em nome do governo de Dina Boluarte.

Os trabalhadores, confiantes de que as autoridades agiriam de forma independente e justa, e com a experiência de seus advogados, não podem acreditar no que está acontecendo. Os líderes da FETRIMAP agora alegam que há uma influência nefasta dos escritórios de advocacia dos empregadores sobre o ministério, tentando desviar o protesto para eles.

Mas, novamente, o problema não são os advogados. O verdadeiro culpado é o governo Boluarte, um governo subserviente à Confederação Nacional das Instituições Empresariais Privadas (CONFIEP), que dita a política do Ministério do Trabalho. Os grandes empregadores, que usaram este governo para desocupar Pedro Castillo e reprimir os protestos no sul dos Andes, agora o estão usando para desmantelar as organizações operárias e cortar direitos trabalhistas, ameaçando inclusive com até novo pacote antitrabalhista.

Além disso, é do interesse dos empresários que o golpe nos companheiros da Celima seja consumado, pois assim eles se sentirão mais confiantes para continuar agindo impunemente contra os setores que lutam e resistem.

Este é o contexto da luta dos companheiros da Celima. Se até hoje a sua luta tem sido difícil, agora será ainda mais, porque reverter uma resolução adversa não é uma tarefa simples.

Os companheiros se preparam para apresentar apelação bem fundamentados e para novas mobilizações. No entanto, o que aconteceu com a primeira resolução deixa evidente para onde sopra o vento.

Portanto, o decisivo será o apoio que receberão da classe trabalhadora. Até agora, os companheiros lutaram sozinhos, como muitos sindicatos que enfrentam greves de mais de 100 dias sem encontrar uma solução para suas demandas. Isso porque a política das lideranças da FETRIMAP e da CGTP tem sido a de que cada uma resolva seus problemas separadamente, enquanto a CONFIEP e o Ministério, com o apoio do governo, atuam em conjunto.

Os companheiros da Celima entendem que sua luta é a de todos os trabalhadores.  Estão mostrando que a lei das demissões coletivas, cuja aplicação está se espalhando como uma mancha, deve ser revogada por meio da luta unida. Chamaram a FETRIMAP e a CGTP a um plano de luta e de greve nacional. No entanto, até agora só conseguiram extrair deles uma ou duas mobilizações modestas que não tiveram impacto.

O problema está nas direções da Fetrimap e da CGTP, que depositam sua confiança nas autoridades e escondem a responsabilidade central do governo. Suas marchas, convocadas de tempos em tempos, servem apenas como uma válvula de escape para o descontentamento.

Essas direções são as principais responsáveis pelos retrocessos e derrotas enfrentados por vários setores da classe trabalhadora e setores populares, apesar de suas lutas heróicas. A mesma coisa aconteceu com o levante no sul em 2022-2023, e agora está acontecendo com o sindicato combativo da Celima.

Não há dúvida de que os companheiros de equipe da Celima continuarão lutando até o fim. Eles estão conscientes da justiça de sua causa, das condições adversas que enfrentam e do papel das lideranças, a quem sempre questionaram. Sua força está em sua convicção de classe: os direitos não são negociados ou cedidos, são defendidos.

Dos setores mais avançados da classe operária e do povo, é urgente dar-lhes apoio e construir a luta unida que é necessária. E exigir da CGTP e da FETRIMAP, mais do que nunca, que assumam sua responsabilidade e convoquem e preparem uma greve nacional unitária e combativa.

Tradução: Lílian Enck

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