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terça-feira, abril 23, 2024

Aquecimento global: O calor extremo e o capitalismo

Em várias partes do mundo estão sendo registradas grandes ondas de calor e temperaturas recordes. No estado do Texas, nos Estados Unidos, a temperatura chegou a 50°C. Mas o calor também se alastra pelos estados da Louisiana, Mississippi, Alabama e Flórida. 

Por: Jeferson Choma

A onda extrema de calor coloca em risco particularmente os idosos, trabalhadores do setor de construção, carteiros, entregadores e pessoas sem-teto. 

“Este é um calor mortal, especialmente para pessoas pobres e da classe trabalhadora. Trabalhadores rurais e diaristas precisam trabalhar ao ar livre, apenas para sobreviver, mas correm o risco de insolação, sob as condições opressivas”, explica uma matéria do Worker’s Voices/La Voz de los Trabajadores, organização norte-americana simpatizante da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI). 

Diante disto, sindicatos e organizações dos movimentos sociais estão exigindo medidas para assegurar a proteção dos trabalhadores e trabalhadoras, como a suspensão do trabalho em dias de extremo calor e a instalação de aparelhos de ar concionado.

No gráfico acima é possível ver que o El Niño está cada vez mais forte e atingindo temperaturas mais elevadas em função do aquecimento global

Temperaturas elevadas ao redor do planeta

O norte dos Estados Unidos também tem sido afetado pela fumaça dos incêndios florestais no Canadá, onde mais de 80 mil km2 de floresta queimaram, o que representa uma área 50 vezes maior que a cidade de São Paulo. 

Cientistas alertam que as temperaturas podem subir ainda mais, a partir do dia 18 de julho. Um alerta foi disparado para a Grécia, Itália e Espanha, juntamente com Marrocos e outros países do Mediterrâneo que têm enfrentado um calor arrebatador. No último dia 16, o Aeroporto Internacional do Golfo Pérsico, no Irã, registrou uma temperatura de 66,7°C.

Há várias semanas, regiões da China, incluindo a capital Pequim, também têm sofrido com o calor intenso combinado com fortes chuvas. No último dia 16, o país chegou a registrar 52°C. No Japão, a agência meteorológica recomendou medidas de precaução à população durante os próximos dias, quando as temperaturas podem chegar a 40°C.

Brasil: chuvas e ciclone

No Brasil, na semana passada, um ciclone extratropical deixou mais de 1 milhão de moradores da região Sul sem energia elétrica. Com ventos de aproximadamente 140 km/h, o ciclone tinha a forma de um furacão F1 – a mais baixa da escala. Desde o início de 2023, três ciclones atingiram o Sul, deixando 19 pessoas mortas.  Além do ciclone, na semanada passada chuvas torrenciais desabrigaram 27 mil habitantes de Alagoas e Pernambuco. 

A semana mais quente da História

Isso tudo está ocorrendo quando o planeta Terra registrou a semana mais quente que se tem noticia. Com a temperatura média global em 17,23°C, o dia 6 de julho foi o mais quente já documentado, segundo os dados do Centro Nacional de Previsão Ambiental dos Estados Unidos, ligado à Administração Oceânica e Atmosférica (Noaa, na sigla em inglês). 

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o calor extremo é um dos eventos meteorológicos mais mortais. No verão do ano passado, apenas na Europa, as fortes temperaturas provocaram mais de 60 mil mortes, segundo uma pesquisa divulgada na revista “Nature Medicine”, especializada em questões médicas. 

Mesmo em meio ao inverno do Hemisfério Sul, o calor mais intenso fez com que, na Antártida, o gelo marinho atingisse sua menor extensão em um mês de junho, ficando 17% abaixo da média. O calor no continente gelado pode acelerar o derretimento do “Glacial Thwaites”, uma geleira que tem o tamanho do Paraná, o que pode elevar em quase um metro o nível dos oceanos e, ainda, desencandear um efeito cascata de derretimento de outras enormes geleiras antárticas. 

Colapso ambiental 

Ou o socialismo ou a catástrofe climática

É bastante plausível que alguns dos fenômenos descritos estejam correlacionados com o início do El Niño (alterações na temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico), e apresentam características que incluem o aumento da temperatura global, assim como alterações nos padrões de chuva e seca em todo o mundo. 

Mas, embora o El Niño seja um fenômeno natural que ocorre há milhares de anos, é bem evidente que ele tem se tornado cada vez mais intenso e frequente em função do aquecimento do clima, ocasionado pelo consumo de combustíveis fósseis. Basta verificar o gráfico ao lado para ver que os últimos El Niño foram os mais quentes já registrados. 

Por isso, cientistas já dizem que o atual El Niño (que ainda nem mostrou toda sua força) poderá fazer com que a temperatura média global ultrapasse o limite de 1,5°C a mais do que no período pré-industrial (1860), o que provocaria imensos riscos à saúde, à alimentação e à sobrevivência de muitas espécies.  É preciso lembrar que a temperatura já aumentou 1.1°C desde esse período.

É preciso revolucionar e socializar as forças produtivas

Em sua sanha por lucro, o capitalismo provocou o aquecimento global e a destruição dos ecossistemas. A falência dos acordos climáticos mostra que o sistema não pode resolver a crise que provocou e sequer poderá garantir alguma transição energética para evitar que a temperatura do planeta cruze o limite de 1,5°C. 

Apenas uma sociedade socialista pode planejar democraticamente a transição energética, começando com a nacionalização de todas as fontes, inclusive das matrizes fósseis, que devem passar ao controle dos trabalhadores. 

Somente no socialismo é possível revolucionar as forças produtivas e possibilitar o desenvolvimento de novas fontes de energia renováveis, em substituição à matriz fóssil. Sem romper o ciclo expansionista da acumulação e usar bens comuns como meios de atender às necessidades coletivas da sociedade, a civilização caminhará para a catástrofe.

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