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quinta-feira, fevereiro 29, 2024

Zelensky no Senado Chileno: Discursos hipócritas que em nada ajudam a resistência operária e popular ucraniana

Neste 24 de fevereiro de 2023 completou-se 1 ano da invasão contrarrevolucionária da Rússia de Putin no território da Ucrânia. É um conflito fundamental na cena política mundial onde. A partir do MIT-QI seção chilena da LIT-QI, temos nos posicionado pelo triunfo da resistência operária popular da Ucrânia contra a invasão de Putin.

Por: MIT-Chile

O Senado do Congresso chileno concordou em receber esta terça-feira, virtualmente, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, em uma sessão conjunta, para ouvir sua mensagem sobre a guerra que seu país mantém contra a Rússia desde fevereiro de 2022. Entretanto, a proposta foi rechaçada em reiteradas ocasiões por representantes de Apruebo Dignidad com o argumento de que as relações internacionais, devem ser estabelecidas pelo presidente da República ou pela Chancelaria.

Os parlamentares de Chile Vamos, promotores da vinda de Zelensky, discursam com a hipocrisia de condenar as violações dos Direitos Humanos que foram vistos durante o transcurso da guerra depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, mas fazem vista grossa de sua própria história: uma coalizão de direita cujos vários de seus componentes foram ativos colaboradores da ditadura e que não tiveram problemas em aplicar políticas de fome e repressão sob o regime militar, assim como hoje não têm receio em justificar as mortes e mutilações após o 18 de outubro.

Esta não seria a primeira participação do mandatário ucraniano no Chile. Há duas semanas, Zelensky participou de uma sessão virtual com o presidente Gabriel Boric. Naquela ocasião, Boric solidarizou-se com o presidente europeu e declarou que continuará apoiando todos os esforços “para alcançar a paz necessária”. Entretanto, este esforço não tem relação alguma com o povo ucraniano, muito menos com a resistência operária ucraniana: as condenações e o apoio moral do governo chileno são palavras ao vento, porque as relações comerciais e os negócios entre empresários chilenos e empresários russos não pararam. Enquanto do Chile são enviados salmões, cobre, produtos do mar (produtos que não são acessíveis às pessoas comuns na Rússia) importamos carvão fóssil, nitrato de amônio (utilizado para fabricar fertilizantes, fósforos ou antibióticos) e a Delivery YANGO, de origem russa, subsidiária da Yandex, um conglomerado tecnológico com sede em Moscou e que realiza mais de 50 mil entregas por mês no Chile, continua operando em nosso país; contando entre seus clientes setores do varejo como Hites, La Polar, Sparta, etc., e que logo se estenderá ao México e à Bolívia.

Mas esta hipocrisia é a mesma que as nações imperialistas fazem com os capitais russos, pois como uma mostra disso, a mesma Yandex, opera nos Estados Unidos, Europa e Reino Unido sem que fosse sancionada em nenhum país. O mesmo cinismo com que a OTAN faz vista grossa à tomada e anexação da Crimeia e que continua fazendo. Ao mesmo tempo, dizem enviar armas para a resistência ucraniana, mas não dizem que essas armas chegam a conta-gotas, porque seu interesse não é derrotar Putin e sim obrigá-lo a negociar uma saída que possa inclusive significar a perda de território ucraniano.

Mas este cinismo também está naqueles que sustentaram e continuam sustentando que Putin iniciava um processo de desnazificação da Ucrânia e uma ação anti-imperialista e anti- OTAN, mas frente a estas duas afirmações esquecem o fato de que o próprio Putin financiou as campanhas da ultradireita na França como a de Marine Le Pen e a Frente Nacional com cerca de US$11 milhões através do banco russo: o Primeiro Banco Checo-Russo. A existência de grupos neonazistas na Ucrânia como o Regimento Azov em nada prova que a classe trabalhadora ucraniana, que está sendo massacrada, seja neonazista. A presença de grupos da extrema-direita é muito minoritária no exército ucraniano. Ao mesmo tempo, na Rússia existem inumeráveis organizações neonazis e de extrema-direita, como o próprio grupo paramilitar Wagner, hoje peça-chave na guerra pelo lado russo.

Da mesma forma omitem o fato de que o exército de Putin não disparou uma só bala contra qualquer soldado das potências imperialistas muito menos da OTAN; pois seu principal objetivo tem sido disparar contra o exército ucraniano não regular, pois 70% das tropas são formadas pela classe trabalhadora, a quem Zelensky está mais preocupado em desarmar, ao invés de expropriar os próprios oligarcas russos na Ucrânia.

Nesta guerra de agressão nacional é um crime colocar-se do lado dos agressores, como o fazem grande parte da esquerda chilena como o PC – AP (Partido Comunista Chileno – Ação Proletária) , diferentes setores do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), alguns grupos ditos “antifascistas” e estalinistas. Também é um grave erro político manter posições neutras ou pacifistas dizendo NÃO à guerra como se esta não fosse a continuação da luta de classes, como o faz o Partido Comunista do Chile ou o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PTR), porque isso é dizer hoje concretamente à resistência do povo ucraniano, que neste momento e com armas nas mãos se auto-organizam, que se entreguem de joelhos frente a uma nação capitalista e invasora.

Por último e não menos importante, Zelensky também não é um representante da classe trabalhadora e do povo que está lutando na frente de batalha, e sim dos oligarcas ucranianos que querem estreitar relações com o imperialismo norte-americano e europeu. Enquanto milhões de trabalhadores dão suas vidas na frente de batalha, Zelensky vem promovendo reformas contra a classe trabalhadora, com uma reforma trabalhista e a privatização de empresas. O Parlamento e seu governo apoiam os patrões que estão reduzindo ou diretamente não pagando salários e direitos aos trabalhadores, como denuncia o dirigente operário ucraniano Yuri Samailov.

Frente a esta guerra de agressão nacional, nós não somos neutros nem pacifistas, como Movimento Internacional dos Trabalhadores – seção chilena da Liga Internacional dos Trabalhadores LIT-QI somos pela vitória da classe trabalhadora ucraniana:

Pela expropriação na Ucrânia de todas as empresas de oligarcas russos que continuam funcionando!

Nenhum direito a menos à classe operária ucraniana que hoje é o motor da resistência!

Que o Chile rompa relações comerciais e diplomáticas com a Rússia!

Pela derrota das tropas invasoras e pela integridade territorial da Ucrânia!

Por uma Ucrânia independente, livre e soberana, governada pelos trabalhadores!

Tradução: Lílian Enck

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