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domingo, setembro 25, 2022

Uruguai| Vamos parar contra a reforma educacional e pelas lutas em curso

A próxima greve geral de 15 de setembro se enquadra em um contexto geral de lutas. A principal delas na educação, que há várias semanas está no centro da cena política. Os estudantes dos núcleos de formação de professores com o IPA (Instituto de Professores Artiga) e Magistério à frente começaram a luta, à qual logo se juntaram grandes escolas de ensino médio como o Zorrilla, o IAVA, o Bauzá, o Miranda, o Dámaso e outros. Estudantes e professores têm liderado ocupações, greves e mobilizações em todo o país contra a reforma educacional mercantilizante do governo.

Por: IST Uruguai

Os estudantes têm reivindicado ser verdadeiramente ouvidos e que a reforma seja adiada. Mas o governo só está interessado em impô-lo ignorando as organizações gremiais. Uma reforma que responda aos interesses das multinacionais e que continue a cortar o orçamento não pode ser uma reforma progressiva.

Há também muitos conflitos em curso: trabalhadores de transporte da empresa COPSA reclamam salários não pagos e os de cooperativas se mobilizaram contra a regressiva reforma previdenciária. Há uma grande luta no setor bancário por causa das demissões no City Bank, a indústria de laticínios parou 24 horas contra a repressão antissindical, os trabalhadores de Frigoríficos recentemente fizeram uma mobilização a pé de Durazno a Montevidéu protestando contra os abusos dos patrões. Os operários do pão também estão lutando contra o ataque à empresa Friopan, onde no ano passado oito trabalhadores foram processados ​​por ocupar a fábrica. Além disso, trabalhadores/as da Associação Médica Uruguaia protestaram em frente à mutualista e há conflitos no Hospital Espanhol e Piñeyro del Campo. Trabalhadores estatais da UTE (Administração Nacional de Centrais Elétricas e Transmissões), OSE (Obras Sanitárias do Estado) e ANTEL (Administração Nacional de Telecomunicações) também tomaram medidas para combater os cortes.

Há muita revolta e raiva por baixo que estão impulsionando todas essas lutas em um contexto econômico onde os salários continuam caindo enquanto os preços e os lucros fabulosos de um punhado de milionários proprietários de terras, indústrias e bancos continuam e continuam subindo com a aprovação do governo antioperário de Lacalle Pou.

Educação, ponto alto da luta contra o governo

Como mencionamos no início, a principal luta em desenvolvimento está sendo levada pelos jovens alunos junto com os professores. O conflito rapidamente adquiriu um caráter nacional e é onde a raiva contra o governo se expressa de forma mais aguda e explosiva. Os estudantes assumiram a liderança ocupando os centros e realizando atividades.

A experiência de 2015, quando o movimento educacional derrotou a essencialidade (proibição de greve), do então governo de Tabaré Vázquez, com assembleias massivas e mobilizações contundentes, está fresca na memória dos estudantes e professores, assim como a posterior repressão no despejo da CODICEN (Conselho Diretivo Central). Também é recente para o próprio governo de Lacalle Pou, que está ciente de que qualquer “passo em falso” pode fazer explodir a raiva, como aconteceu em 2015. Por isso, optou agora por operações de despejo “negociadas” e “pacíficas”, com uma presença policial intimidante e também à campanha de difamação, na mídia, contra a luta.

Nesse sentido, Lacalle Pou havia declarado no ato de 25 de agosto: “eles têm todo o direito (…) [mas] o governo vai desocupar todos os locais que estão ocupados; ocupam, nós desocupamos. E não tivemos necessidade de bater em ninguém, com diálogo” (1).

Mas as semanas passam e as ocupações continuam: As remoções, apesar da forte presença policial, longe de intimidar e reprimir o movimento têm sido encaradas como um desafio para os estudantes, que voltam a ocupar os centros de estudos.

Agora o governo, que quer se mostrar firme de que a reforma “vai acontecer”, e buscando retornar a uma falsa “normalidade”, não é mais considerado que se “tenha o direito” de ocupar. Agora dizem que é “ilegal”. Os grêmios de diferentes colégios como Dámaso, Zorrilla e Miranda já estão denunciando os abusos das autoridades que pretendem impedir as ocupações. A luta continua se tencionando: em alguns lugares as autoridades impediram a ocupação fechando as escolas, mas a força da luta conseguiu ocupar as mesmas em muitos lugares apesar das ameaças.

A derrota da reforma educacional será um triunfo para todos os trabalhadores

No dia 15 é importante preparar e realizar, a partir da base, uma grande greve geral contra o governo, contra sua reforma educacional e por nossas reivindicações. De cada escola, colégio e faculdade, cada fábrica e local de trabalho, devemos assumir essa tarefa.

Porque infelizmente a alta direção do PIT-CNT (Plenário Intersindical dos Trabalhadores – Convenção Nacional dos Trabalhadores) não está interessada em aprofundar a luta e convocou uma greve devido à pressão e revolta da base. Eles alegam que a greve serve apenas para descomprimir a raiva e não como um primeiro passo para aprofundar a luta Decidem os passos e as consignas sem consultar as bases, por isso dentro das consignas centrais não há, incrivelmente, nenhuma relacionado à educação. A direção da FEUU (Federação dos Estudantes Universitários do Uruguai) também não levou a luta a sério e apareceu muito timidamente.

Na mesma linha, a proposta da direção da FA (Frente Ampla) – mais preocupada com a espera das eleições de 2024 do que com as lutas – tem sido oferecer-se como “mediador” do conflito por meio de uma comissão parlamentar para apaziguá-lo, e se uniram ao coro do governo de que é preciso “baixar a bola”… e por isso se “solidarizaram”, sem se acanhar, com o provocador e principal face visível da reforma mercantilista, Robert Silva.

Mas ao contrário do que esses dirigentes querem, diante dos ataques do governo é preciso aprofundar a organização e a luta, na perspectiva de derrotar a reforma educacional. Isso seria um triunfo não só porque impediria o aprofundamento da mercantilização da educação a serviço das multinacionais, mas também porque seria um golpe muito duro para o governo que o enfraqueceria ainda mais, fazendo com que o restante das lutas dos trabalhadores ganhem mais força e tenham melhores condições de triunfar.

Diante da intransigência do governo, é preciso que toda a educação unifique a luta. Cada escola, cada faculdade, cada centro de treinamento não pode lutar separadamente, pois torna mais fácil para o governo nos derrotar. Devemos avançar em uma Coordenação Nacional da luta que nos permita decidir sobre medidas unificadas: ocupar todos os centros, mobilizações e assembleias conjuntas, um plano unificado de luta, etc; e onde começamos a discutir a necessidade de nos prepararmos para a Greve Geral junto com todo o movimento operário, tornando realidade o lema histórico “Operários e estudantes, unidos e avante”.

Esta Coordenação será fundamental para poder aprofundar a luta e desta forma ter a oportunidade de formar uma nova direção que responda aos interesses genuínos dos estudantes e trabalhadores e não aos dirigentes acomodados que não querem nada com a luta porque eles só cuidam de seus interesses e cargos.

• Parar todos no dia 15/09!

• Abaixo a reforma educacional do governo! 6+1% agora!

• Pelo direito de ocupação, vamos coordenar e unificar a luta!

• Por um plano econômico operário e popular que parta do NÃO pagamento da dívida externa!

• Que as bases decidam tudo em grandes assembleias!

• Nenhuma confiança nos líderes que querem “diálogo” e “mediação”!

1) O País, 25/08/22. https://www.elpais.com.uy/informacion/politica/ocun-destrabajomos-respuesta-presidente-protestas-reforma-educativa.html

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