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sexta-feira, julho 12, 2024

O Plebiscito e as lutas

As 430 mil assinaturas alcançadas confirmam que se conquistou o plebiscito contra as AFAP e pela manutenção da idade de aposentadoria nos 60 anos. Este fato marca um ponto de viragem na situação política a favor dos trabalhadores. Isto acontece por três razões.

Por: IST Uruguai

Em primeiro lugar, porque representa um golpe ao governo corrupto e mafioso de Lacalle Pou. Porque com sua reforma da previdência feita a pedido do FMI nos impôs trabalhar até os 65 anos e além disso beneficiou o negócio das AFAP (Administradoras de Fundos de Poupança Previdenciária), já que com a nova lei todos os trabalhadores que entrem a partir de agora ao mercado de trabalho são obrigados a contribuir às mesmas. Tudo isso é questionado.

Em segundo lugar, porque é um golpe para a direção da Frente Ampla que fez todo o possível para impedir que a consulta popular se concretizasse, chegando ao ponto de proibir os seus militantes de utilizarem os comitês para recolher assinaturas. E em terceiro lugar, porque é um golpe para a burocracia sindical e para a sua máxima direção, que também não o queria. Nenhum deles queria isso porque basicamente todos defendem o capitalismo e os seus privilégios dentro dele.

Mas as bases, que não têm privilégios para especular, conseguiram se impor apesar das suas direções. Isso foi possível porque a tarefa foi assumida de baixo, das bases sindicais e de bairro. Esta é a primeira grande conclusão que devemos tirar.

Explorados versus exploradores

A conquista do plebiscito – cuja iniciativa pertence à ATSS (Associação de Trabalhadores da Seguridade Social) – também foi possível porque liga e expressa a raiva que existe entre os trabalhadores contra a situação geral: as aposentaodrias e os salários de pobreza, o roubo de direitos, a precariedade, o desemprego. Tudo às custas dos negócios milionários de poucos como os da AFAP.

Torna-se preto no branco que de um lado estão os explorados que não querem continuar perdendo direitos e do outro os exploradores que querem continuar a enriquecer à custa do nosso trabalho e farão todo o possível para que assim seja.

Esta situação dramática para os trabalhadores está se tornando cada vez mais intensa

As demissões estão aumentando e vemos isso com o fechamento da fábrica de Minas que é parte das Fábricas Nacionais de Cerveja, as 400 demissões na fábrica de Balsa y Asociados ou as 15 que aconteceram no início do ano na PedidosYa.

Foto – IST

A trágica situação das pessoas inundadas na costa está piorando cada vez mais e não há outra resposta senão amontoá-las em tendas ou ginásios. A violência contra as mulheres aumenta dia após dia, assim como o tráfico de drogas que atinge os bairros populares. Esta é a dura realidade para os trabalhadores.

Apenas um caminho: a luta e a organização a partir de baixo

Agora se abre uma nova etapa, onde devemos alertar que a luta para vencer o plebiscito será muito árdua. A esta luta somam-se as mobilizações operárias que têm sido desenvolvidas pela FOEB e pela SUNCA, às quais podemos acrescentar os protestos juvenis pela Palestina.

Em última análise, todas estas lutas fazem parte da mesma luta contra a opressão e a exploração deste capitalismo genocida e decadente. A conquista do plebiscito deve servir-nos para ampliar e aprofundar a organização a partir de baixo e a luta de rua com todos os setores operários e populares que estão lutando. Esta é a melhor campanha que pode ser feita para desferir mais um duro golpe ao governo e ao regime das AFAP.

Neste caminho, teremos diante de nós a tarefa urgente de construir uma nova direção sindical e política que vise acabar com o capitalismo e construir o Socialismo Internacional.

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