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sexta-feira, julho 19, 2024

Uruguai| 7 de julho: Paralisação e unificação das lutas!

A Prestação de Contas enviada ao parlamento pelo governo contém em seus artigos um importante recorte no Estado e um pacto de leis antioperárias.

Por: IST – Uruguai

Paralelamente, negociações são desenvolvidas nos Conselhos de Salário onde, de fato, se impõe uma redução dos nossos salários. Isso porque os percentuais concedidos aos nossos salários estão muito abaixo da enorme alta dos preços dos alimentos.

Os combustíveis não pararam sua escalada de aumentos. Desde 2020 até hoje aumentaram em média mais de 40%. O botijão de gás de 13 kilos passou, nos últimos anos, de 650 para 850 pesos (mais de 25% de aumento) e os alimentos de primeira necessidade subiram entre 20% e 50%.

A este duro ajuste do reacionário governo de Lacalle Pou acrescente-se a retirada de direitos, os cortes e a mercantilização na educação Pública, o desmantelamento das Empresas do Estado e sua privatização.

A vida se torna insuportável nos bairros humildes. É cada vez maior o número de operários e desempregados que precisam fazer malabarismos para poder comer e muitos tem que buscar comida nas panelas populares. Cada vez mais as pessoas são empurradas para dormir na rua e vasculhar o lixo para tirar plásticos ou metais para vender, ou pior ainda, para comer diretamente as sobras jogadas no lixo.

O governo dos mais ricos e as grandes patronais são os responsáveis

Esta situação não é produto da guerra na Ucrânia, embora esta influencie. Esta situação é criada pelo Plano Econômico que o governo de Lacalle Pou aplica a serviço dos grandes capitalistas. O Uruguai, propagandeado como um grande produtor e exportador de carne e alimentos, onde produzimos comida para 30 milhões de pessoas, ao mesmo tempo e contraditoriamente, tem um importante setor de pessoas com muitíssimas dificuldades para terem acesso à alimentação ou que passam fome diretamente.

É à custa do enorme roubo que se faz do salário da classe trabalhadora, das demissões, da falta de comida e teto dos mais humildes, o lugar de onde saem os vultosos lucros que vão parar nas enormes contas bancárias dos exportadores, das patronais instaladas nas Zonas Francas, das multinacionais e da grande patronal “crioula”. Eles estão em festa, são os beneficiários das medidas de ajuste e junto com eles os organismos internacionais que garantem continuar cobrando a fraudulenta dívida externa.

Governo, Parlamento, Justiça e Forças Armadas são as instituições que garantem esta enorme desigualdade inerente ao sistema capitalista. Enquanto nós trabalhadores perdemos o poder de compra e os humildes ficam sem comida e teto, no outro extremo os ricos ficam mais ricos.

Por tudo isto, preparar uma contundente paralisação geral a partir da base

Por todos estes motivos, pelas reivindicações e lutas em curso de diferentes sindicatos, é que devemos realizar uma paralisação contundente em 7 de julho, uma grande paralisação geral contra este governo dos patrões e poderosos.

Devemos tomar a paralisação em nossas mãos, organizá-la a partir da base em cada fábrica, em cada escritório, em cada escola, colégio ou faculdade, para que seja uma expressão massiva de repúdio à política de fome e cortes do governo, colocando as reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras no centro.

A “oposição progressista”

Lamentavelmente, os dirigentes da Frente Ampla (FA), para além de seus discursos, têm se dedicado a negociar com o governo no parlamento, mostrando-se como oposição “responsável” e seus objetivos estão postos na campanha eleitoral de 2024. Não utilizam seu poder de convocatória para chamar para as ruas para enfrentar este sinistro plano de governo. Estão muito confortáveis em seus cargos e cadeiras parlamentares.

Esta direção da FA, não representa minimamente a defesa dos interesses dos trabalhadores. Por mais que doa aos honestos militantes de base, a FA não é a ferramenta que os trabalhadores precisam. As declarações de Mujica dando uma mão a Manini Rios, fervente defensor do golpismo e dos torturadores, pela questão da Colonização, são outra amostra de que estes senhores não têm nada a ver com as necessidades da classe operária e tampouco com a luta pelos Direitos Humanos.

A paralisação parcial e a necessidade de um plano de luta decidido nas bases

Muitos sindicatos estão em luta, os professores se mobilizam contra o corte de recursos, a perseguição sindical e a mercantilização. Os portuários de Montecom contra as mais de 100 demissões, os trabalhadores de Conaprole estão em luta, a Mesa Coordenadora de Entidades se mobiliza contra as privatizações e por salário. A pesca, os frigoríficos, a construção e dezenas de milhares se enfrentam com as patronais privadas e as multinacionais.

Em 7 de julho haverá uma unificação na paralisação de fato, mas e depois? Cada sindicato voltará a lutar separadamente? Nós da IST opinamos que é necessário continuar e aprofundar a unificação da luta de todo o movimento operário.

O que aconteceria se fosse criada uma plataforma única de todo o movimento sindical, onde se reivindicasse de conjunto, por exemplo, um salário mínimo de meia cesta básica ($55mil) e que se incluíssem as reivindicações do ensino, das Entidades, de todos os trabalhadores privados e as reivindicações das mulheres trabalhadoras?

Vocês imaginam uma mobilização e uma luta unificada de todo o movimento operário? Onde em grandes assembleias seja debatido e resolvido o aprofundamento das medidas, ou seja, um plano de luta escalonado de 24, 48, 72 horas…. por nossas reivindicações.

O governo e as patronais enfrentariam uma grande força unida e não lutas por setor, mais fáceis de derrotar. A paralisação de 7 de julho deveria ser a arrancada de um grande plano de luta unificado. Lamentavelmente, a enorme maioria da direção do PIN CNT (Central sindical), não quer esta unidade e só faz medidas para descomprimir a raiva, para depois não convocar uma nova medida por meses.

Por isso, nas mesmas lutas que viemos desenvolvendo, temos a necessidade de ir temperando novos dirigentes que consultem e levem adiante o que a base decidir e unifiquem a luta. Esse seria o melhor caminho para ter perspectiva de vitória para derrotar o plano de fome do governo, as privatizações e os abusos da patronal privada.

– Todos à paralisação geral contra o governo e as patronais!!

– Abaixo o plano de fome do governo!!

– Por um salário mínimo de meia cesta básica!!

– Não ao pagamento da dívida externa!!

– Que a base decida em assembleias massivas um plano de luta e como continuamos!!

– Por uma nova direção construída no calor da luta!!

Tradução: Lilian Enck

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