seg nov 28, 2022
segunda-feira, novembro 28, 2022

Por um 8M de luta com as trabalhadoras à frente! Contra o machismo e o capitalismo!

A cada 8 de Março lutamos pelos direitos das mulheres em todo o mundo, mas este ano, não é mais um ano no calendário. Estamos no terceiro ano da pandemia e essa catástrofe evitável que demonstrou a criminalidade do capitalismo foi e é mais cruel conosco, as mulheres. Sobram motivos que se aprofundam cada vez mais para sair às ruas e lutar contra o machismo e o capitalismo.

Por LIT-QI

A pandemia da fome

A pandemia da Covid-19 ainda não acabou, mas nós mulheres já temos sobre nossas costas um legado de fome, violência e retrocesso de direitos. A grave crise econômica vem atacando fortemente, mas a pandemia nos colocou em uma situação ainda mais asfixiante.

A própria Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que entre 2020 e 2021 as mulheres, em relação ao emprego, voltaram aos níveis semelhantes de 15 anos atrás. Estimam que em torno de 64 milhões de mulheres no mundo ficaram sem trabalho.

As trabalhadoras da saúde e a equipe de atendimento merecem menção à parte: elas viram crescer seus níveis de trabalho com a pressão que a crise sanitária significa e os salários e as condições de trabalho pioraram. Com a continuação da pandemia, as redes de saúde e locais de atendimento não foram melhoradas por nenhum governo e são as mulheres em sua grande maioria quem sustentam essa “primeira linha” de combate à Covid, à custa de sua saúde física e mental.

Estes são dados apenas da economia formal, a massa de mulheres que trabalham informalmente e em condições precárias é alta, o que gera uma vulnerabilidade no emprego e no acesso aos alimentos. Agravado em condições até desumanas para as migrantes, mulheres negras ou LGBTI.

As trabalhadoras e mulheres pobres são empurradas em grande velocidade à fome e à desesperada necessidade de alimentar suas famílias. Este nível de desemprego e fome as coloca em maior perigo e exposição à violência marital e intrafamiliar.

Violência que aumenta

A violência machista continua aumentando no mundo inteiro, recentemente a OMS publicou um informe alarmante que indica que mais de 1 mulher em cada 4 no mundo sofreram violência de gênero. Os feminicídios aumentam e as poucas linhas ou serviços de ajuda às vítimas da violência estão saturados e com um aumento importante na quantidade de denúncias desde o início da pandemia.

Os índices de violência variam e aumentam à medida que os países são mais pobres. As jovens, as negras e as indígenas são as que estão mais expostas, e as mulheres trans, que ademais sofrem ódio lesbobitransfóbico.

Embora temos vindo de processos de triunfo ao conseguir o aborto legal em vários países da América Latina, a violência sexual e o impedimento ao planejamento familiar por parte dos governos, continua sendo um fato inegável de violência. As mortes por aborto clandestino, a prisão e castigo às que recorrem ao mesmo, são ainda muito altas.

A mortalidade materna disparou no mundo, em alguns países duplicou – como no caso da Colômbia – e em outras triplicou, por causa das mortes diretas por Covid, mas principalmente por causa de gravidezes não desejadas pela queda abrupta de serviços de anticoncepção, que levaram a um aumento de abortos inseguros, e ao deficiente atendimento pré – natal, produto do fechamento de maternidades e desvio de recursos para atender a COVID. Estas mortes atacaram as mulheres mais pobres, rurais, racializadas e milhares de meninas.

A luta é o único caminho

Entretanto, nós não somos vítimas indefesas e as mulheres estão à frente de vários processos de lutas. Com heroísmo resistem à invasão na Ucrânia. Saíram junto ao povo cubano contra a ditadura. Na Colômbia conseguiram a descriminalização total do aborto até 24 semanas, assim como a descriminalização também avançou no México e no Chile está sendo debatido.

Há anos que os levantes femininos tem protagonismo na luta de classes mundial, lamentavelmente este ano as direções feministas majoritárias optaram pela passividade ou chamadas formais. Em tempos em que a luta se torna mais necessária do que nunca, nos chamam para confiar nos governos “progressistas” que muitas referências integram, e se não, onde a direita governa, organizam plataformas eleitorais e atrasam a luta direta.

Apesar da presença de mulheres em postos de poder ser uma expressão da justa luta que damos no dia a dia, não apenas é insuficiente, mas também é usado pela burguesia para dizer às trabalhadoras que confiem em seus governos por terem “uma delas” entre suas fileiras.

Mas não são esses governos nem essas referências quem darão a nós o que merecemos. São esses mesmos governos, e muitas vezes essas mesmas mulheres, que aplicam planos de ajuste, continuam segmentando o acesso à vacinação no mundo, realizam reformas trabalhistas, não aumentam os orçamentos da saúde, educação e sobretudo quem prioriza os lucros acima das nossas vidas e nos condenam ao desemprego, à fome e à violência.

As conquistas obtidas são importantes e por isso lutamos com muita tenacidade, mas é insuficiente enquanto continuarmos vivendo em um mundo capitalista. Precisamos de uma revolução socialista para acabar com este sistema assassino, que usa a opressão que nós mulheres sofremos para nos dividir como classe e nos explorar mais, nos pagar menos salário que aos homens, para sermos as desempregadas em massa que pressionam para baixar as conquistas trabalhistas do conjunto da classe operária. Porque ademais, o capitalismo ignora as tarefas domésticas e de cuidado que deveria garantir de forma coletiva, colocando-as nas costas das trabalhadoras e mulheres pobres.

As trabalhadoras à frente

Para conseguir uma luta consequente contra o machismo, só podemos confiar em nossas próprias forças, na luta nas ruas e na solidariedade e luta comum de toda a classe operária.

Mas na luta contra o machismo e a opressão, queremos e precisamos do apoio dos homens trabalhadores, porque o machismo que oprime, humilha e explora as mulheres, serve tanto para dividir e enfraquecer a classe, como para aumentar a exploração de todos os trabalhadores. Neste sentido, somos contra todas as visões separatistas contrárias à batalha, para que os homens rompam com seu próprio machismo e venham lutar conosco.

A luta pelos nossos direitos tem que ser a luta de toda a classe operária, para que nossos companheiros deixem também de reproduzir o machismo e que nossas organizações combatam esse flagelo em nosso interior para que nós tenhamos um lugar na luta comum. A luta não é de forma separada, é de forma comum combatendo o machismo no interior da nossa classe. Não há saída para acabar com a opressão sem derrubar este sistema capitalista que nos oprime e destrói.

As mulheres ucranianas estão dando exemplos de valor e heroísmo, embora o governo de Zelenski as orientou a abandonar o país, muitas optaram por ficar e inclusive voltar para empunhar armas e combater os soldados russos. Vemos as mulheres preparando coquetéis molotov e alistando-se para o combate, assim como mulheres russas mobilizando-se em seu próprio país contra a invasão. A criminalidade de uma situação bélica também ataca com mais dor nas mulheres, e é por isso que neste 8 de março é necessário sair às ruas pela derrota de Putin e sua invasão.

Neste 8M escolhemos lutar, com as trabalhadoras à frente, chamando toda a classe operária e os oprimidos do mundo para que lutem junto a nós, que abracem as demandas femininas e se somem à construção da luta por um mundo socialista.

Por um 8M de luta!

Pela derrota da invasão militar russa na Ucrânia!

Unidade da classe trabalhadora contra o Machismo e o capitalismo!

 

 

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