sáb ago 13, 2022
sábado, agosto 13, 2022

Bitcoin outra tragédia para as classes exploradas

Em 7 de setembro, El Salvador se tornou o primeiro país a adotar o Bitcoin como moeda e divisa de curso legal, o que significa que as empresas;  pequenos e grandes negócios, são obrigadas a aceitar Bitcoin como forma de pagamento.

Por: Plataforma da Classe Trabalhadora – El Salvador

A medida vem 3 meses depois que a Assembleia Legislativa, dominada pelo oficialismo, a aprovou expressamente e ignorou a Lei Bitcoin.

Para incentivar o uso da Criptomoneda o governo aprovou um bônus de $30 desde que que se descarregasse a carteira criada pelo próprio governo (Chivo Wallet), quando a maioria da população não tem acesso à internet e muito menos a um dispositivo de alta qualidade.

Apesar das críticas de diversos setores, inclusive de grande parte da população, sobre a nova moeda, o governo vende a medida como forma de impulsionar o desenvolvimento econômico e o emprego, além de beneficiar quem envia e recebe remessas, garantindo que não há cobrança de taxa de comissão para o envio.

Organizações burguesas como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional alertaram e protestaram contra a medida. Outros afirmam que é apenas mais uma das distrações de um regime autoritário, que busca uma saída rápida  para a crise das finanças públicas e do desperdício gerado pela má gestão e corrupção do próprio governo.

Mas para entender melhor o cenário, devemos nos perguntar algumas coisas, como: O que é Bitcoin? Quem no mundo usa essa moeda? Quem esta medida realmente beneficia? E se essa moeda resolverá o problema da pobreza e do desemprego do povo salvadorenho?

O que é Bitcoin?

É uma criptomoeda criada em 2009 que usa a criptografia para fornecer supostamente um sistema de pagamento seguro, que, ao contrário do dinheiro tradicional, não tem respaldo em nenhum país como o dólar ou o euro. É importante ressaltar que não é a única criptomoeda.

Quem as usa e quem realmente se beneficia com essa medida?

Ficou demonstrado que no mundo quem utiliza esta criptomoeda são pessoas de reputação duvidosa, que aproveitando o fato de não haver marco legal que regule essa moeda, a utilizam para sonegar impostos e não pagar sobre os lucros que auferem à custa do povo trabalhador, mas ao mesmo tempo se viu que lida com o crime organizado, como os cartéis de drogas, para a lavagem de dinheiro, bem como em fraudes nas finanças públicas, como o caso do Reino Unido. Obviamente em El Salvador se propõe como uma ótima alternativa, mas na verdade servirá para cobrir a desastrosa administração das finanças públicas que em 2 anos atingiu níveis históricos de endividamento do país.

O problema econômico dos salvadorenhos será resolvido?

Sem dúvida NÃO, ao contrário, isso trará mais insegurança financeira às famílias salvadorenhas e aumentará sua crise econômica, já que os salvadorenhos sempre têm que viver no dia a dia e do que geram com seu trabalho que mal é suficiente para se alimentar. Pela mesma falta de um plano econômico real que beneficie quem tem menos recursos e não os grandes oligárquicos, grupos burgueses e as transnacionais que geram e tiram lucros milionários à custa do povo, e que com o Bitcoin encontraram outra forma de elevar sua riqueza sem responsabilidade.

O Bitcoin é mais uma forma do capitalismo salvadorenho para disfarçar a crise que atravessa o país, aproveitando, da mesma forma, a falta de conhecimentos e recursos que é necessário para o uso da criptomoeda.

O BITCOIN é apenas mais uma tragédia para as Classes Exploradas.

Concluindo, o Bitcoin, como era a dolarização na sua época, só trará mais desigualdade, pobreza e quase nenhuma oportunidade sustentável de desenvolvimento dos mais necessitados do país, pelo contrário, enriquecerá a um único setor no país, isso até que o povo tome as rédeas e possa ver um projeto que seja igualitário para todos.

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