dom abr 21, 2024
domingo, abril 21, 2024

Abaixo a xenofobia! Em defesa dos refugiados! Viva a unidade dos trabalhadores

O tema dos refugiados está ganhando uma proporção cada vez maior. A globalização da economia, a crise econômica e a polarização da luta de classes, estão levando a novas levas de refugiados e também a crises políticas muito importantes.

Por: Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional

Segundo a ONU, já existem 244 milhões de refugiados, um aumento de 41% em 15 anos, ultrapassando 10% da população na Europa e EUA. A globalização da economia possibilita o mais amplo e libre trânsito de capitais no planeta. No entanto, para os trabalhadores não existe essa liberdade, que é restrita ao capital.

A pesar disso, a presença massiva de refugiados nas tarefas mais pesadas e pior remuneradas já é hoje uma realidade em muitos países. Em alguns, hoje os refugiados são maioria em algumas categorias. Os latinos têm enorme importância nos piores serviços dos EUA. Os turcos são majoritários em setores do proletariado industrial pouco qualificado na Alemanha. Os nicaraguenses são boa parte do proletariado da construção civil e de setores do proletariado rural na Costa Rica.

Desses refugiados, 68,5 milhões são refugiados por motivos políticos, como os que fogem da guerra civil na Síria ou, ultimamente, da repressão na Nicarágua.

Os governos imperialistas e burgueses em geral, atacam os refugiados com políticas e atitudes xenófobas. Trump faz uma perseguição sistemática e brutal aos refugiados. O governo racista e xenófobo da direita italiana impede os refugiados de chegar às costas do país. Já são quase 35 mil refugiados mortos nas travessias do Mediterrâneo. A burguesia em geral aplica uma política monstruosa: incorpora os migrantes nas tarefas piores e, ao mesmo tempo, os ataca como responsáveis pela situação dos trabalhadores nativos. Com isso, divide os trabalhadores e os impede de lutar conjuntamente.

Muitas vezes, as direções sindicais são cúmplices dessas políticas xenófobas, atuando diretamente nesse sentido ou mantendo uma passividade vergonhosa.

Recentemente tivemos os episódios grotescos do ataque de Trump dividindo os pais e filhos refugiados presos nos EUA, que gerou um escândalo mundial.

Agora, a perseguição xenófoba atingiu duramente a América Latina. No Brasil, grupos armados agrediram e expulsaram refugiados venezuelanos em Roraima. Na Costa Rica, uma manifestação de 2 mil pessoas dirigida por grupos de ultradireita, agrediu e expulsou nicaraguenses na praça Mercedes. Esses grupos armados de ultradireita xenófobos atacam violentamente refugiados desarmados.

A mídia, a serviço de governos e ou de máfias burguesas locais se aproveitam de qualquer incidente de violência policial para culpar os refugiados e facilitar um clima de ódio, que é usado para justificar os ataques. Infelizmente, esse tipo de ação dos governos, das burguesias e da mídia têm eco na base dos trabalhadores, dividindo o proletariado.

É necessária uma ação forte e unitária das organizações, sindicatos e partidos ligados ao movimento operário, estudantil e popular para se contrapor a isso. É necessário unir os trabalhadores nativos e refugiados contra os governos e a burguesia! Basta de ataques xenófobos! Lutemos juntos contra nossos verdadeiros inimigos. É hora de mostrar que nós, trabalhadores, não temos fronteiras que nos dividam!

 

Os governos têm obrigação de receber os refugiados

 

As grandes empresas multinacionais e nacionais e os governos burgueses são responsáveis pelas crises econômicas e políticas. É deles também a responsabilidade por resolver os problemas sociais e humanitários causados pelas crises.

É de um cinismo criminoso se aproveitar da mão de obra barata dos refugiados e dificultar a documentação dos trabalhadores e suas famílias. É revoltante que governos apoiem as ditaduras de Assad, Ortega e Maduro e se queixar da legião de refugiados que se formam.

Devemos exigir dos governos planos de obras públicas para dar emprego os trabalhadores nativos e refugiados. Exigir o acolhimento dos refugiados em condições decentes. Dar acesso aos serviços de saúde e educação em igualdade de condições aos refugiados.

 

As direções sindicais e partidos devem assumir essa batalha

 

Ninguém pode se comportar como se não tivesse nada a ver com a situação. As direções sindicais e partidos ligados ao movimento sindical e popular devem assumir a defesa dos refugiados contra qualquer atitude xenófoba. É preciso defender a unidade dos trabalhadores nativos e refugiados contra a burguesia e seus governos.

É fundamental que a imprensa dos sindicatos, as redes sociais, a imprensa alternativa, façam uma grande campanha política contra a xenofobia, a defesa dos refugiados, e da unidade dos trabalhadores!

É preciso ter iniciativas como a CSP Conlutas com sua caravana de apoio aos refugiados venezuelanos. Ou o sindicato da Construção Civil de Boavista que assumiu um acampamento para os refugiados. Ou ainda o Sitrasep e o PT (Costa Rica), que estão ajudando a organizar um grande movimento de solidariedade ao povo venezuelano. Ou a Coordenadora dos refugiados impulsionada por Corrente Obrera em Los Angeles.

As organizações do movimento de massas devem se mover fortemente nesse sentido. Para isso, é preciso que as direções reformistas rompam com os governos ditatoriais que estão no centro das crises dos refugiados. A CUT (Brasil) não aceita sequer a caracterização dos refugiados venezuelanos como refugiados por apoiar o governo Maduro. A brutal crise política, econômica e humanitária geradas por governos como Assad, Maduro e Ortega têm como cúmplices as direções políticas e sindicais que apoiam esses governos burgueses genocidas.

 

A necessária autodefesa contra os ataques xenófobos

 

Não podem ficar sem resposta os ataques armados de grupos xenófobos contra os refugiados. Caso esses ataques se imponham sem resposta, vai se desmoralizar a defesa dos refugiados.

Os mesmos grupos de ultradireita que atacam os refugiados hoje atacarão amanhã as greves dos trabalhadores nativos. Só a unidade dos trabalhadores na luta direta pode barrar esses grupos!

É necessário ajudar a se organizar a autodefesa dos refugiados contra esses ataques. É necessário que o movimento sindical e popular ajude os refugiados na montagem dessa autodefesa.

É hora de dar um basta a xenofobia! Viva a luta dos refugiados! Viva a unidade dos trabalhadores contra a burguesia e seus governos!

 

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