ter jan 31, 2023
terça-feira, janeiro 31, 2023

Diante da hipocrisia da União Europeia, organizemos a solidariedade aos refugiados!

A Europa é cenário da pior crise humanitária do planeta em mais de 60 anos. Segundo a Agência de Refugiados das Nações Unidas (Acnur), 2015 será o ano com o maior número de refugiados da história, 60 milhões de pessoas que fogem das guerras coloniais empreendidas pelo imperialismo norte-americano e europeu, ou da fome e da miséria advinda da exploração e opressão do capitalismo imperialista.

As cenas de barbárie que assistimos no território europeu contra os refugiados, pelas mãos dos governos da UE, não diferem nem um pouco do que fazem os governos dos países de onde essas pessoas vêm. Nem por isso são menos revoltantes.

O que vem acontecendo na Hungria, Grécia, Áustria e Itália, com milhares de mães cruzando com seus filhos as cercas de arame farpado construídas pelos governos e fugindo da polícia ; a imagem do pequeno Aylan, o menino sírio encontrado sem vida na costa turca; a “jornalista” húngara que chuta covardemente um homem com o filho nos braços, são a face mais brutal dos acontecimentos. É a mesma atitude de Merkel, quando em um programa na TV disse sem cerimônias a uma garota palestina: “volte ao seu país”. Este é o verdadeiro rosto da União Europeia imperialista.
 
Em contrapartida a tudo isso, surgem mostras de solidariedade massivas em diferentes países. Solidariedade surgida espontaneamente, apesar dos governos europeus, e que apontam o caminho a seguir. Os governos têm tido que reagir diante da iniciativa popular. Milhares de famílias abrem a porta de suas casas; outras tantas doam dinheiro, alimentos e roupas. Assembleias, atos e manifestações estão sendo organizadas em diferentes cidades não só da Europa como também em todo o mundo. No dia 12 de setembro, milhares de pessoas participaram de manifestações no mundo todo.
 
Uma pequena parcela desta catástrofe chega à Europa. Neste ano, até o momento, 137 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo. Mais de 50 mil cruzaram da Turquia para a Grécia, dos quais 30 mil são sírios que fogem das bombas e das armas químicas utilizadas por Bashar al-Assad, pelo Estado Islâmico e pelos países imperialista que bombardeiam a região, todos inimigos dos povos.
 
A UE humilha os refugiados e a extrema direita se aproveita
 
As potências imperialistas europeias (Alemanha, França e Inglaterra) utilizam a UE como uma ampliação das suas fronteiras, para evitar e controlar o fluxo de pessoas que chegam aos seus países. Utilizam a desculpa da luta contra o terrorismo do EI para dificultar ainda mais a entrada de refugiados na Europa. Na Hungria, o registro dos recém-chegados é cada vez mais lento e as pessoas são marcadas com números na pele, como faziam os nazistas com seus prisioneiros.
 
Vale lembrar que, quando começou a onda de barcos no Mediterrâneo, os ministros de relações exteriores propuseram bombardeá-los na costa da Líbia para “salvar esses pobres coitados das máfias”. Diante da reação popular, mudaram o discurso para a imprensa. Um discurso totalmente contrário ao que continuam fazendo: intensificar a repressão para “organizar” a entrada. Separados como gado, os que têm uma profissão que interessa aos governos podem sobreviver, já os que “sobram” podem ser devolvidos a seus países.
 
Diversos prefeitos disseram que só aceitam cristãos. A Dinamarca publicou anúncios em quatro jornais libaneses informando que as condições para a obtenção de asilo no país endureceram. Anunciaram também o fechamento de rodovias e ferrovias por conta da “crise humanitária”. No Estado Espanhol, as deportações sumárias estão legalizadas. Em suma, a Europa constrói muros e aumenta a repressão.
 
A extrema direita europeia se aproveita da situação para radicalizar seu discurso xenófobo contra os imigrantes. Na Alemanha, ocorreram mais de 200 ataques a centros de acolhimento. Um homem urinou em um garoto sírio em plena rua. A extrema direita europeia tem laços com os regimes políticos. Na Alemanha, os grupos Pegida (Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente), AfD (Alternativa para a Alemanha) e NPD (Partido Nacional Democrata) atuam impunemente e inclusive são financiados por grandes políticos, empresários e juízes. Na Itália, a Liga Norte se aproveita do sofrimento humano para reforçar sua propaganda xenófoba e Grillo dá seu apoio ao primeiro-ministro húngaro ultradireitista, o construtor das cercas de arame farpado.
 
Os Estados Unidos e a UE são os responsáveis pela crise atual
 
Os líderes da UE proclamam discursos como se não tivessem nada a ver com essa situação. Falam de catástrofes e guerras como se fossem fenômenos naturais e não eventos causados pela política. Isso é a mais pura hipocrisia. A UE e os EUA exercem uma dominação política, econômica e militar sobre os demais países do mundo. Impõem políticas neoliberais, mantêm relações comerciais com ditaduras, para as quais vendem armas, e utilizam as bombas quando lhes convém. A dominação colonial de antigamente se converteu na dominação econômica e militar de hoje. O imperialismo é o verdadeiro responsável pelas catástrofes humanitárias.
 
Enquanto isso, o genocida Assad faz o que bem entende. O ditador sírio, apoiado diretamente pela Rússia e pelo Irã, elogiado por Chávez como “humanista” e até hoje apoiado pelo governo de Maduro, continua matando o seu povo impunemente com bombas e armas químicas. Não mede esforços para continuar no poder e não se importa em seguir exterminando sua gente, pois conta com o apoio velado da UE e dos EUA, que enquanto armam o Estado Islâmico, impõem o embargo de armamento para as verdadeiras organizações que lutam contra o regime.
 
Os que não reconhecem o caráter imperialista da UE e de seus próprios Estados vacilarão em responder à sua hipocrisia, isso quando não trilharem o caminho da capitulação. Da crítica formal à UE até aprovar com seu voto leis racistas (como aRefundação Comunista e a Esquerda, Ecologia e liberdade – SEL, na Itália) e o apoio à construção dos CIE’s (Centros de Internação de Estrangeiros). Tudo isso vem acompanhado de declarações sobre as “medidas de controle” nas fronteiras.
 
Em resposta a Rajoy, que disse que “na Espanha cabem os que já estão aqui”, Barcelona e Madrid foram declaradas “cidades refúgio” por suas respectivas prefeitas. Para que a medida de “cidades refúgio” seja efetiva e não passe de um mero anúncio para a imprensa, não se pode esperar a “boa vontade” do PP e das instituições do Estado, que demoram seis anos para reconhecer um simples pedido de asilo. Enquanto isso, as famílias são obrigadas a viver na rua. Sem se opor às condições impostas pelo Estado Espanhol para acolher os refugiados, as medidas ficaram nas “manchetes”.
 
Direitos a todos os refugiados
 
A UE afirma que receberá aproximadamente 160 mil refugiados neste ano. Para impedir a entrada das pessoas, eles burlam suas próprias leis e tratados internacionais. Seria suficiente se cumprissem a Convenção dos Refugiados de 1951, que garante o direito inalienável de refúgio a quem o demande. Alegam que esse número totalmente insignificante se deve à falta de recursos, porém quando se tratou de socorrer os bancos falidos pelo parasitismo os recursos foram abundantes. A verdade é que sobram recursos: existem 11 milhões de habitações vazias na UE, existem infraestruturas para acolher muito mais pessoas; além de tudo isso, o BCE deve prover o que faltar. Porém, a medida mais humanitária que pode ser tomada nos dias atuais é o não pagamento das dívidas públicas a um punhado de banqueiros. Aí estão os recursos.
 
A mesma UE que renega e maltrata os refugiados é a que impõe à Grécia um plano de fome e espoliação, a mesma indignação com que repudiamos a política da UE para os refugiados e condenamos as imposições imperialistas sobre a Grécia deve, ao mesmo tempo, impulsionar nossa luta contra cada um dos governos em nossos países que mantêm suas medidas de ataques à classe trabalhadora. Que nossa indignação se transforme em luta!
 
Toda solidariedade aos refugiados!
Chamamos todos a fortalecer os atos e concentrações para exigir da UE um tratamento digno aos refugiados!
Não às cotas mínimas! Asilo imediato para todos os solicitantes nas fronteiras!
Direitos para os refugiados à saúde, educação e trabalho!
Expropriação das casas vazias que estão nas mãos dos bancos e especuladores!
Que o Banco Central Europeu disponibilize os recursos para uma atenção digna!
Fim da agência de fronteiras FRONTEX! Abaixo a repressão!
Solidariedade de classe entre os trabalhadores nativos e estrangeiros contra os governos de austeridade!
 
Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)
Corriente Roja – Estado Espanhol
Movimento Alternativa Socialista – Portugal
Partito di Alternativa Comunista – Itália
Ligue Communiste des Travailleurs – Bélgica
International Socialist League – Inglaterra 

Tradução: Julio Soares

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