seg nov 28, 2022
segunda-feira, novembro 28, 2022

Impulsionemos a mobilização das massas, unifiquemos nossa luta!


O terror do Estado Islâmico (EI) tem suas raizes na invasão imperialista ao Iraque. Dentro da ampla oposição que luta contra Al Assad na Síria, EI foi apoiado financeira, logística e politicamente pelo imperialismo, pelo Estado Turco e pela capital do Golfo Árabe. EI usou seu poder para atacar primeiro a

oposição; enquanto isso solidificou sua hegemonia militar e política, tirando vantagem da crise política dentro do Iraque, obteve o apoio da velha guarda armada e de burocratas civis, assim como da burguesia sunita, do regime do Baath. EI controla o estado de Ambar (Ramadi, Felluce) no oeste do Iraque há um ano. Agora está atacando cidades estratégicas: em Shengal, agrediram a região kurda de Ezidi, em Telafer atacaram Turkmens; tentam apoderar-se dos bens dos povos na região, através de ações terroristas, massacres e violações.



EI deseja expandir seu poder para a Síria. O município Kobane, de Roava, era uma barreira estratégica para eles, e a esperança das pessoas da região, com sua constituição secular-democrática e seu governo autônomo. EI atacou Kobane por três frentes, por cerca de um mês, conseguindo isolar a população do lugar.



Os kurdos que vivem na Turquia começaram a relocalizar-se perto de Kobane em busca de solidariedade. Então o EI começou a lançar-se contra a passagem fronteiriça de Mursitpinar, a única parte de Kobane que não estava sitiada. O governo turco do AKP (partido islâmico) deslocou as pessoas próximas da passagem fronteiriça. Depois disto, surgiu uma grande fúria contra o governo do AKP, já que com isso também frustravam as “negociações de paz” e acabavam, apoiando ao EI abertamente. Agora os povos kurdos e todos os setores que não aceitam este massacre ao povo de Kobane, saem às ruas, da Turquia.



O governo turco ataca brutalmente as mobilizações massivas com polícia e forças armadas. Quando isso não é suficiente para reprimir, o governo mobiliza grupos da direita nacionalista, racistas e ultra-islâmicos contra as massas. O massacre oficial, levado a cabo por “grupos civis”, aumenta a bronca das massas desarmadas.



A acumulação da irritação nas massas se tornou evidente frente a todo tipo de provocações e tentativas de dispersão, independentemente da vontade de seus líderes. O governo usa o resultado dessa bronca das massas (que ataca empresas, supermercados, instituições estatais) para um discurso demagógico que limite a unidade da maioria trabalhadora com as legítimas reclamações do povo kurdo.



Sua solução

 

O imperialismo pretende manter a segurança dos campos de combustível, resolver a crise de seus governos títeres e “caçar” ao EI através de ataques aéreos. Esses ataques aéreos não são uma tentativa real de deter os massacres contra o povo da região. Para acabar com os assassinatos, Kobane necessita de armas pesadas, assim como ajuda médica e humanitária. No entanto, o imperialismo e os estados da região, primeiro e principalmente a Turquia, são totalmente hipócritas: a ajuda é dada às forças de Barzani (dirigente kurdo iraquiano) e não ao PYD (Conselho do Povo Kurdo na Síria), que é a única força que luta em Kobane e Rajova.



As tentativas do governo do AKP para criar uma “zona segura” dentro da Síria refletem o objetivo de controlar os setores da oposição síria e destruir a revolução em Rojava, inclusive através de uma invasão. Os inúteis passos que o governo do AKP está dando para ser “um poder regional” só podem terminar com maior exploração e repressão ao povo da região.



Um ponto muito importante é que a constituição secular e democrática foi desenvolvida pela gente de Rojava. Por outro lado, a falta de centralização por uma oposição democrática na Síria gerou o ressurgimento dos Yihadistas e abriu o caminho de um compromisso entre Al Assad e o imperialismo.



Nossa solução

 

Para frustrar os ataques do imperialismo, do governo do AKP e do EI, os trabalhadores têm que desenvolver suas próprias soluções junto às lutas dos povos oprimidos da nossa região. Deste ponto de vista, nós, do movimento RED, condenamos os massacres e crueldades que o povo Kurdo sofre. Só haverá paz no Oriente Médio com a defesa incondicional do direito à autodeterminação.



Hoje, começando em Kobane e expandindo-se ao longo de toda a Turquia, a defesa do povo é a tarefa central. Os trabalhadores e o povo oprimido de nosso país devemos organizar uma resistência comum contra o regime reacionário e os bandos fascistas.



O governo do AKP deveria imediatamente estabelecer um corredor via Kobane para a travessia de armas pesadas e ajuda médica e humanitária para que o povo possa defender-se dos ataques do EI.



Não há necessidade de uma intervenção militar do imperialismo e da Turquia, levada adiante com o pretexto de “ajudar o povo de Kobane”. Há suficientes lutadores em Kobane, porém sem armas. Armas para Kobane!!



Não ao toque de recolher e ao estado de emergência, usado pelo governo como uma ferramenta para destruir a mobilização de massas!!



Tradução: Sofia Ballasch

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