COMPARTILHAR

As armas e o armamento cumpriram várias funções ao longo da evolução dos grupos humanos. Enquanto hoje são principalmente ferramentas com as quais exércitos de grandes potências, ditadores e criminosos privam as pessoas de sua vida, sua terra ou seus bens, em tempos pré-históricos foram necessárias para a alimentação e sobrevivência de toda a comunidade humana.

Por: PT Costa Rica

Durante os períodos em que o ser humano dependeu da caça e a coleta por exemplo, todos ou pelo menos a maior parte do grupo possuía uma arma usada para caça, para repelir predadores, e por vezes, inclusive para combater com outros grupos. A divisão entre quem estava armado e quem não, estava definida pelas necessidades do grupo e sua divisão de trabalho.

Foi milhões de anos mais tarde, quando os grupos humanos foram capazes de se estabelecer em um só lugar e produzir alimentos suficientes para acumular e multiplicar através da agricultura e da domesticação de animais, que um setor da população, dentro dos próprios grupos, pode deixar o trabalho produtivo, se dedicar a governar e também se apropriar desse excedente produzido, por todos os demais, através de meios violentos.

Pouco depois, esse excedente roubado se converteria em sua propriedade privada.

Foi para defender o seu domínio sobre essa propriedade e forçar o resto da população a trabalhar sob tais condições que esses setores privilegiados se viram na necessidade de estabelecer um mecanismo de instituições ou “Estado” e junto com ele os exércitos ou como são chamados por Lenin, destacamentos armados especiais, que tiveram como missão manter o domínio das classes proprietárias sobre as classes exploradas.

Como afirma Lenin: “o Estado surge no lugar, no momento e no grau em que as contradições de classe objetivamente não podem ser conciliados. E, inversamente, a existência do Estado prova que as contradições de classe são irreconciliáveis”. A partir dessa transição para o que conhecemos como sociedades de classes é que as armas deixaram de ser um recurso comum a todos os membros de um grupo com uma função ditada pela natureza e a sobrevivência para ser controladas exclusivamente pelas classes dominantes e suas forças armadas, a fim de subjugar às grandes maiorias.

Leia também:  Costa Rica | As direções sindicais e políticas devem romper com o governo e unificar a classe trabalhadora

O caráter de classe no controle de armas

Nosso presente não é diferente. A posse, em massa, de armas no capitalismo é reservada apenas para o Estado burguês e, em certa medida, para as gangues do narcotráfico.

Ambos as utilizam para manter seus negócios e territórios sob controle, o que inclui manter a classe trabalhadora explorada e mergulhada na miséria.

Como socialistas aspiramos acabar com a divisão da sociedade em classes através da revolução armada, não porque gostamos necessariamente de andar armados, mas porque sabemos que ao tentar socializar a propriedade dos meios de produção e abolir a exploração da classe operária das mãos dos capitalistas, inevitavelmente teremos que enfrentar e destruir a máquina do Estado e as forças policiais que as defendem.

O senso comum nos diz que a revolução é ruim porque é violenta. Mas este argumento é estranho, especialmente se olharmos para as condições de exploração dos operários, as mortes por acidentes ou a criminalização da pobreza nos bairros mais desfavorecidos, onde não se vive nenhuma revolução, mas a violência ataca todos os dias os trabalhadores.

O marxismo e a autodefesa dos povos

Durante mais de 150 anos de luta da classe operária, os marxistas defenderam que o povo se arme e forme grupos de autodefesa para defender suas greves e manifestações da repressão do Estado e do fascismo.

Impulsionamos também a formação de milícias operárias para poder realizar e defender uma revolução socialista contra o capitalismo, como aconteceu durante a Revolução Russa.

Acreditamos que, enquanto uma minoria capitalista monopolizar o armamento e os exércitos para ameaçar e subjugar o resto da humanidade, não será possível acabar com as guerras ou a violência.

É por isso que defendemos que o povo possa ter acesso ao armamento, para que, organizado, possa eliminar a causa de grande parte da violência dentro da sociedade.

Leia também:  Costa Rica | Aprovação de Eurobônus significa mais ataques ao povo

Tradução: Lena Souza