No momento, manifestações massivas estão ocorrendo no Cazaquistão. As demandas dos manifestantes incluem preços mais baixos do gás, estabilização dos preços dos bens de consumo e melhores padrões de vida.

Por Sindicato Livre dos Metalúrgicos de Belarus

Tudo começou em 1º de janeiro, quando os trabalhadores do campo de petróleo de Zhanaozen pediram às autoridades que revogassem a decisão de dobrar drasticamente o preço do gás liquefeito de petróleo (de $ 0,11 para $ 0,29 por litro). Não houve reação do governo e, em 2 de janeiro, foi realizado uma manifestação no centro da cidade. Os manifestantes foram apoiados por operários de toda a região de Mangystau, conhecida por seu amplo desenvolvimento da indústria de gás. No dia 3 de janeiro, os manifestantes que paralisaram seus trabalhos de diversos campos caminharam até o centro administrativo da região, a cidade de Aktau, onde também começou a ação solidária, que contou com dois mil participantes.

O presidente Tokayev criou urgentemente uma comissão, que em 4 de janeiro decidiu reduzir os preços do gás para 50 tenge (moeda do país, ndt.)  por litro. No entanto, esse decreto se referia apenas à região de Mangistau, e nesse momento começaram a ocorrer protestos, como uma avalanche, em muitas cidades do país, incluindo a capital do Cazaquistão, Nur-Sultan e a maior cidade de Almaty.

Além das demandas por preços mais baixos do gás, os manifestantes em todo o país também exigiram preços mais baixos para bens de consumo, melhores condições de vida e a renúncia do governo e do presidente. Os confrontos com a polícia começaram e as primeiras vítimas apareceram em ambos os lados. Problemas de acesso à Internet surgiram no Cazaquistão. Em seu discurso na televisão, Tokayev chamou os manifestantes ao diálogo e disse que o governo não cairia. Ao mesmo tempo, granadas paralisantes foram usadas contra os manifestantes em Almaty.

Na noite de 4 a 5 de janeiro, o estado de emergência foi decretado na região de Almaty e Mangistau. Pela manhã, o estado de emergência foi estendido a toda a região de Almaty e, ao meio-dia, o estado de emergência foi decretado na capital. Na manhã de 5 de janeiro, os manifestantes entraram no akimat (gabinete do prefeito) de Almaty, incendiaram uma sede do partido pró-presidencial Nur-Otan e a antiga residência do presidente.

Em um discurso televisionado, Tokayev declarou-se chefe do Conselho de Segurança do Cazaquistão e pediu às pessoas que confiassem apenas em fontes oficiais de informação. A Internet praticamente não funcionou em todo o país. Começaram a chegar relatórios de fontes oficiais sobre a multidão de vítimas entre policiais e cidadãos, dizem que os manifestantes obstruíram o trânsito de ambulâncias e até mostraram agressões a profissionais de saúde. Enfrentamentos com a polícia também ocorrem em outras regiões do Cazaquistão.

Estas não são as primeiras manifestações de massa no Cazaquistão, que começaram com trabalhadores da região de Mangistau. Em 2011, durante a dispersão de uma greve de operários do petróleo em Zhanaozen, a polícia abriu fogo contra os trabalhadores, resultando na morte de 15 pessoas e centenas de feridos e presos. Como resultado dos acontecimentos de 2011, um duro golpe foi desferido ao movimento sindical independente no Cazaquistão.

O Sindicato Livre dos Metalúrgicos de Belarus se solidariza com os trabalhadores da região de Mangistau na luta pela justiça social.