O capitalismo, através da  pandemia do covid e da recessão mundial está ampliando fortemente os elementos de barbárie no mundo. Os números reais da pandemia- não as mentiras divulgadas pelos governos-já apontam para mais de cem milhões de infectados e mais de dois milhões de mortos. É uma das piores pandemias da história, que vem se desenvolvendo há seis meses, ainda sem remédios nem vacinas.  A recessão mundial está trazendo fome e centenas de milhões de desempregados.

Por LIT-QI

Desde o início, alertamos que essa combinação de pandemia e recessão mundial trazia consequências semelhantes as de uma guerra mundial. Nós, revolucionários, temos obrigação de apresentar um programa para dar resposta a essa crise que o capitalismo não pode resolver.

É desde essa perspectiva que publicamos essa proposta de programa de emergência contra a pandemia e a crise econômica. Trata- se de uma proposta de programa que parte da resposta imediata a esses problemas, combinadas com medidas que apontam para a ruptura com o capitalismo e o poder para os trabalhadores.

Apresentamos essa proposta nos localizando na primeira linha de batalha dos trabalhadores e oprimidos contra os ataques dos governos capitalistas, que querem que paguemos mais uma vez com fome e miséria, e agora com nossas vidas.

Apresentamos esse programa para o estudo e debate com o conjunto dos lutadores e como uma ferramenta para desenvolver o combate contra esse verdadeiro genocídio produzido pela pandemia e a crise econômica.

1- A pandemia e a recessão mundial abrem uma nova situação mundial


As famílias dos trabalhadores estão chorando os mortos pela pandemia do Covid, a pior desde a gripe espanhola em 1918. Agora têm de encarar o desemprego massivo e a fome, produtos da maior recessão mundial desde 1929. Nós trabalhadores, estamos sofrendo os maiores ataques em um século. Os efeitos sociais são semelhantes aos de um grande terremoto e um tsunami ao mesmo tempo. Ou como as consequências de uma guerra mundial.

Nem a pandemia nem a crise econômica são produtos do acaso. É o capitalismo que mata, através do Covid. É o capitalismo que traz desemprego e fome, através de suas crises.

O capitalismo está levando o mundo de volta à barbárie. A miséria atual é o capitalismo com barbárie do futuro: desemprego massivo, salários miseráveis sem nenhum vínculo trabalhista.

Seria possível evitar tudo isso? Sim! Com a tecnologia atual, as forças produtivas poderiam permitir que todos pudessem se alimentar, vestir e morar com dignidade, ter acesso a cultura e ao lazer. O mundo poderia viver sem crises econômicas.

Mas para isso seria necessário acabar com o domínio da burguesia, que faz com que a produção esteja ao serviço dos seus lucros milionários, e não dos interesses da maioria. Seria preciso expropriar as grandes empresas, e planificar a economia em função nas necessidades dos trabalhadores.

O mundo poderia estar melhor preparado para se proteger das pandemias. Mas para isso seria preciso que a saúde não fosse apenas uma mercadoria a mais, sob controle das grandes empresas.

Antes da pandemia, já existiam vários focos de ascensos da luta de classes e processos revolucionários no mundo, desde o Chile, Colômbia, Hong Kong, Iraque e Líbano.

No meio da pandemia, uma revolta explodiu nos EUA, se tornando o centro das atenções de todo o mundo. Esse é o símbolo da falência do capitalismo. Os EUA, o país mais poderoso do mundo, sacudido por um ascenso contra o racismo e a violência policial, fortemente radicalizado por mais de 40 milhões de desempregados pela recessão econômica e mais de 3 milhões infectados pelo COVID.

O capitalismo, que se apresentava ao mundo como única saída para a humanidade, mostra sua verdadeira face. A grande burguesia imperialista não consegue assegurar a manutenção da vida em sua vitrine mundial. A dominação do capital foi questionada por um ascenso não visto há décadas e décadas, com as massas norte americanas nas ruas exigindo mudanças radicais em suas vidas. Isso desmoraliza política e ideologicamente o capitalismo e impulsiona as lutas das massas em todo o mundo.

É provável que estejamos entrando em uma nova situação mundial, com forte polarização da luta de classes, que pode levar a revoluções e contra revoluções. Podem ocorrer golpes militares, como o que ocorreu na Hungria, dado por Orban a partir da presidência do país. Falamos de mudanças bruscas de situações políticas, quedas de governos e regimes.

Podem também ocorrer guerras entre países em função das divisões interburguesas. Não é provável uma nova guerra mundial, pela brutal superioridade militar norte americana. Mas podem ocorrer novas guerras regionais.

A disjuntiva socialismo ou barbárie volta a estar colocada com muita força.

A burguesia demonstrou a sua incapacidade de assegurar a sobrevivência e as necessidades básicas da humanidade. É necessária uma revolução socialista mundial que coloque o proletariado à frente dos destinos da humanidade. Mas para que esse processo seja vitorioso é preciso que tenha à sua cabeça uma direção revolucionária. Por esse motivo, a tarefa prioritária nesse momento histórico é a construção de partidos revolucionários a nível mundial.

2- A pior pandemia em um século


Ao contrário do que os governos divulgam, a pandemia não está sob controle. Ao contrário, está piorando a nível mundial. Existem muitos mais infectados e mortos pelo Covid do que os números oficiais admitem. Os governos querem esconder sua absoluta incapacidade de preservar as vidas dos trabalhadores. Querem justificar o fim das quarentenas parciais em todo o mundo.

Está ocorrendo um verdadeiro genocídio, que afeta brutalmente os mais pobres, os trabalhadores, os negros, os imigrantes. A pandemia afeta todos os setores, mas não por igual. São os pobres os que estão sendo mais expostos, são estes os que não têm assistência médica garantida, os que não têm nem salário nem casas que possibilitem fazer uma quarentena.

Depois de afetar duramente os trabalhadores da Europa e EUA, a pandemia ataca com muita força as periferias das cidades da América Latina e Ásia. Agora está se generalizando na África.

Nesses bairros pobres, muitos dos trabalhadores que ainda têm empregos são precarizados. Se não trabalham um dia, não podem comer. Nas casas moram muitas pessoas, com frequência sem água ou esgoto, sem condições de garantir condições mínimas para uma quarentena. São os pobres que morrem mais, são o verdadeiro grupo de risco da pandemia.

Décadas após décadas, os governos dos partidos da direita e da “esquerda” reformista (socialdemocracia, PT, etc.) aplicaram os planos neoliberais que sucatearam a saúde pública, privatizaram os hospitais. O vírus atingiu a humanidade completamente desprotegida em pleno século XXI. Não existem hospitais suficientes, menos ainda as unidades de terapia intensiva necessárias. Os sistemas de saúde colapsaram.

Não existem remédios seguros nem vacinas até agora para o Covid 19, mesmo depois dos surtos por outros coronavírus (SARS em 2002, MERS em 2012). Como isso não rendia lucros para as grandes empresas farmacêuticas, não houve investimentos em pesquisas. Só agora, com a pandemia, estão correndo atrás dos prejuízos. Não vai existir vacina em curto prazo, não existe tratamento seguro. Depois de meses e meses da mais grave pandemia da história recente, a humanidade continua indefesa.

Os governos do mundo abandonaram mesmo as quarentenas parciais, pela pressão das empresas. Estão expondo os trabalhadores a uma nova rodada da pandemia. Em alguns países, a reabertura se dá em pleno pico da pandemia. Os governos protegem os bairros nobres e assim que consideram controlada a pandemia nos setores mais ricos da sociedade, deixam as periferias pobres abandonadas aos efeitos da pandemia.

Segundo os cientistas, em nenhum país, mesmo nos mais afetados, se chegou ao estágio da “imunidade de rebanho”, que assegura o controle da pandemia. Todos os países estão ameaçados pela continuidade dessa onda ou de uma nova onda da pandemia antes que se alcance alguma vacina ou tratamento eficazes.

É preciso parar a produção nas empresas com trabalhadores infectados. É uma necessidade urgente que se avance na auto organização dos trabalhadores para exigir a assistência médica nos bairros e empresas.

Seguimos exigindo quarentena com qualidade, com condições de habitação e salário. Isso significa salários garantidos para todos os trabalhadores empregados ou não. Defendemos o alojamento dos trabalhadores que vivem em habitações insalubres em hotéis ou em casas e apartamentos não habitados.

É preciso testar massivamente o povo para rastrear e monitorizar a pandemia. Basta de subnotificação!

É necessário garantir atendimento médico a todo o povo, com o reforço imediato do orçamento dos serviços públicos de saúde, com a expropriação dos hospitais privados e a construção de novos hospitais e unidades de terapia intensiva.

O trabalho de outros setores industriais deve ser convertido para a produção de respiradores simples e baratos, bem como de máscaras, álcool gel e outros materiais essenciais no combate à pandemia. É preciso dar condições de trabalho e salários dignos aos funcionários de saúde, incluindo o pagamento de horas extraordinárias no combate ao COVID e a atualização das suas carreiras!

As empresas farmacêuticas e de produtos hospitalares devem ser expropriadas e colocadas sob controle operário. As vacinas, remédios e testes devem ser gratuitos e oferecidos a toda população.

Defendemos planos sanitários, de assistência médica e serviços (luz, água, gás, internet, etc.) para os bairros pobres.  Contra o isolamento dos bairros pobres e sua transformação em guetos.

As vidas dos trabalhadores e do povo pobre importam!

3- É possível enfrentar a crise econômica


Os governos admitem que existe uma crise econômica pesada. Seria impossível esconder isso. Mas dizem que logo a pandemia vai acabar e a economia se recuperará rapidamente. Isso é uma mentira! Existe uma recessão mundial gravíssima em curso, que pode se transformar em uma depressão semelhante à de 1929! Não vai haver recuperação rápida sob esse sistema.

As vidas de sete bilhões de pessoas são determinadas pelos interesses de alguns milhares de milionários e bilionários, proprietários e grandes acionistas das empresas imperialistas.

Todas as definições de Lenin sobre o imperialismo se mantêm válidas. Só que muito mais hipertrofiadas com a “globalização” da economia.

As burguesias que dominam os países dependentes são subordinadas e associadas ao imperialismo. Podem ter conflitos parciais, mas em geral refletem essa subordinação econômica com uma maior subserviência política. Em geral refletem grupos econômicos que também concentraram em suas mãos boa parte da riqueza nacional, associados com o imperialismo.

O imperialismo já tinha mostrado com as guerras mundiais o preço para sua manutenção com milhões de mortos. Agora, mais uma vez, com a combinação da pandemia e a crise econômica, demonstra as consequências mortais para a humanidade do atraso da revolução socialista.

Já existia uma grave crise econômica mundial, quando surgiu a pandemia do coronovirus. Uma curva descendente da economia capitalista, que vinha desde a grande recessão mundial de 2007-09, já determinava a decadência de grandes áreas do planeta.

As divisões e enfrentamentos entre as grandes burguesias mundiais, como a guerra comercial EUA x China e a crise da UE, expressam o desequilíbrio crescente, típico dessa decadência. Uma nova recessão mundial se anunciava já no início de 2020.

Aí veio a pandemia. Um fator extra econômico determinou o confinamento de metade da população mundial e a paralisia da economia. Uma pancada duríssima em uma economia em crise. O que se anunciava como uma nova recessão mundial pode se tornar uma depressão semelhante a 1929.

A OCDE prevê que a economia mundial deve cair entre 6 e 7,6% nesse ano. O FMI prevê uma queda de 4,9%. Ambas as previsões são bem piores que a queda de 1,7% da recessão de 2008.  As projeções indicam queda do PIB entre 5 e 11% dos principais países imperialistas e dos emergentes em 2020. Mesmo a China deve apresentar estagnação ou mesmo uma recessão.

Os planos dos governos -muitas vezes bilionários- têm em comum seu objetivo central: salvar as grandes empresas. Mais uma vez, como em 2007-09, os governos deixam de lado os planos neoliberais para aplicar gigantescos planos ‘keynesianos’ de injeção de dinheiro público nas empresas. Podem evitar a falência de grandes empresas, mas à custa de um brutal endividamento público, o maior em 150 anos, superior aos que ocorreram depois da primeira e segunda guerra mundiais. Inevitavelmente essas dividas publicas serão depois cobradas dos trabalhadores, com ataques á saúde e educação públicas, as aposentadorias, etc.

Para os trabalhadores, apenas migalhas, como alguma ajuda temporária, insuficiente para reverter a fome que se amplia. Junto com isso, os governos aproveitam a pandemia para avançar na supressão de direitos trabalhistas e sociais.

O desemprego se alastra rapidamente. Seja através de demissões sumárias ou não renovação de contratos, as burguesias e os governos estão impondo um desemprego massivo. Centenas de milhões de trabalhadores ficarão desempregados no mundo. Através do lay-off e cortes salariais, os trabalhadores estão ainda a ver reduzidos grande parte dos seus rendimentos, sem que tenham garantia de que sequer vão manter os seus postos de trabalho. Milhões de pequenas empresas já estão indo à falência. Vai se morrer de fome em pleno século XXI nas periferias das grandes cidades do mundo.

Vamos ter um longo período convulsivo nessa crise, com longos e complicados momentos em cada país, mesmo depois do fim da pandemia.

Como reflexo inevitável da crise, os oligopólios multinacionais vão concentrar ainda mais a propriedade em suas mãos. Os países imperialistas mais fortes, como EUA e Alemanha vão impor sua hegemonia ainda mais duramente. O conflito EUA x China vai se agudizar, e quem conseguir sair melhor e mais rápido da recessão avançará na divisão mundial do trabalho.

O imperialismo está nesse momento anunciando o futuro: o capitalismo com barbárie. A hordas atuais de desempregados podem ser a tônica do capitalismo moderno com uso de inteligência artificial, 5G, etc. Os salários rebaixados, que nem sequer cumprem a função capitalista de recompor a força de trabalho, já eram uma realidade no Haiti e Bangladesh e agora se generalizam. A isso se junta a precarização generalizada das relações de trabalho.

No capitalismo, as crises econômicas são periódicas. Depois dessa virão outras, talvez ainda mais graves. Não podemos permitir que a humanidade siga morrendo e vivendo na miséria para sustentar os super lucros das multinacionais.

É preciso combater a fome, garantindo diretamente a alimentação nos bairros populares. Pela auto organização dos trabalhadores para se impor perante a crise causada pelo capitalismo. Para isso, é necessária a expropriação das empresas produtoras e comercializadoras de alimentos. Defendemos o direito dos pobres de expropriação de comida dos supermercados ou de onde seja.

Organizar os desempregados em comitês nos bairros populares. Unir pela base os trabalhadores empregados e desempregados nas empresas e bairros.

É preciso proibir as demissões com efeitos retroativos a partir do início da pandemia. É preciso acabar com a precarização e terceirização do trabalho, dando estabilidade a todos os trabalhadores.

O desemprego pode ser combatido assegurando de imediato um salário equivalente ao necessário para o sustento de todos os trabalhadores. É preciso um plano de obras públicas para empregar o conjunto dos trabalhadores.

Contra os cortes de salário e o lay-off! Reajustes salariais automáticos de acordo com a inflação! Trabalhemos menos para que trabalhem todos. Que os sindicatos e associações de trabalhadores assumam estas propostas para unir os trabalhadores empregados com os desempregados.

Aposentadorias com salários iguais aos dos trabalhadores em atividade! Não às reduções das aposentadorias que condenam os idosos à fome. Redução da idade da aposentadoria: descanso a quem trabalhou toda a vida, oportunidade para os jovens que agora começam a trabalhar.

Em defesa das greves operárias para que os trabalhadores possam impor sua alternativa contra a crise econômica!

Reversão imediata de todos os planos neoliberais! Garantia de empregos com vínculos trabalhistas que assegurem férias, décimo-terceiros salários e aposentadoria decentes a todos os trabalhadores!

Os capitalistas, os grandes exploradores guardam seus segredos a sete chaves. Os monopólios, que têm em suas mãos 90% da produção jamais prestam contas de suas negociatas e operações bancárias suspeitas, suas lavagens de dinheiro nos paraísos fiscais. Pela abertura dos livros contábeis das empresas! Abolição do segredo comercial!

Não existe forma de mudar a economia sem acabar com o controle do capital financeiro. Se os trabalhadores controlarem os bancos, poderão direcionar a economia de forma completamente diferente. É preciso expropriar os bancos e fundos financeiros, e instituir um único banco estatal por país, sob controle dos trabalhadores. Que os trabalhadores controlem a economia.

Não pagar as dívidas interna e externa para garantir o capital suficiente para financiar esse plano. Impor um imposto sobre as grandes fortunas. Abolição das dívidas atuais dos trabalhadores com os bancos e cartões de crédito. Crédito e ajuda financeira para as pequenas empresas, que devem ser salvas da falência.

É necessário expropriar as grandes empresas e planificar a produção para suprimir crises como essas e atender as necessidades dos trabalhadores e do povo pobre. Defendemos planos para que sejam os capitalistas- e não os trabalhadores- que paguem pela crise.

4- É preciso relembrar o exemplo da URSS


Quando falamos que seria possível evitar as crises econômicas e enfrentar a pandemia, estamos lembrando experiências históricas que demonstram categoricamente isso.

A revolução russa de 1917 foi a única que colocou verdadeiramente o proletariado no poder. A comuna de Paris já tinha feito isso, mas só durou três meses. Uma democracia mais ampla do que a mais democrática das democracias burguesas. Uma democracia dos trabalhadores, que podiam discutir e decidir cotidianamente sobre os problemas fundamentais do estado e da economia.

A revolução russa enfrentou a epidemia de tifo logo depois da tomada do poder em 1918, ainda com o país destruído, sem condições sanitárias nem estrutura hospitalar. Mas foi possível derrotar a epidemia, girando a estrutura do novo estado russo, com os poucos recursos que tinha para isso.

Infelizmente, as derrotas das outras revoluções no mundo deixaram a revolução russa isolada. Como consequência, uma burocracia se gestou no interior da URSS, e tomou o poder através da contra revolução stalinista.

Mesmo burocratizada, a URSS preservou a propriedade estatal e a planificação da economia, o que possibilitou a transformação de um dos países mais atrasados da Europa e da Ásia na segunda economia mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

Isso traz a segunda comparação necessária. Quando o mundo afundou na depressão de 1929, com retrocessos de muitos países entre 20% e 30% no PIB anual, a URSS se desenvolvia fortemente. A produção industrial cresceu a 16% por ano entre 1928 e 1940.

Toda essa experiência histórica foi apagada da memória pelo domínio da burocracia stalinista e seus inúmeros crimes hediondos. A sua ação contra revolucionária impediu a extensão da revolução mundial, afastou completamente o proletariado do poder e impôs um domínio totalitário brutal, que não tem nada a ver com o socialismo.

Depois de parasitar os estados operários, essas mesmas burocracias comandaram a restauração do capitalismo. Isso ocorreu tanto na China (década de 70, com Deng Hsao Ping), na Rússia (década de 80, com Gorbachev) como nos demais estados operários burocratizados.

Esses estados já não eram operários, e sim burgueses, quando grandes revoluções democráticas derrubaram as ditaduras stalinistas. Iniciou-se assim a restauração do capitalismo pelas próprias burocracias. Os levantes da década de 90 se deram contra ditaduras burguesas assim como contra a queda brutal do nível de vida determinado pelo início da restauração.

Essas revoluções foram muito progressivas por terem derrubado essas ditaduras burguesas, e terem destruído o aparato mundial do stalinismo. No entanto, como produto da ausência de direções revolucionárias com peso de massas, foram direções burguesas que comandaram esses processos. Novas burguesias, muitas originadas das velhas burocracias, dirigem estes estados.

Isso ainda não ocorreu na China e em Cuba. Aí se deu a restauração do capitalismo, mas seguem as ditaduras stalinistas burguesas.

A propaganda burguesa aproveitou esses dois fatos que ocorreram em momentos diferentes – a restauração do capitalismo comandada pelas burocracias e depois a derrubada das ditaduras burguesas stalinistas- para divulgar mundialmente “a morte do socialismo”, como se as massas tivessem se rebelado contra o socialismo, e não contra ditaduras burguesas.

Essa ideologia desde então é absolutamente majoritária em todo o mundo, para mostrar o capitalismo como única alternativa para a humanidade.

A realidade atual desses países, como Rússia ou China, demonstra que a volta ao capitalismo fez que as populações voltassem a estar sujeitas às mesmas catástrofes que os outros países capitalistas sofrem, como a pandemia e a recessão econômica. E necessitam também de novas revoluções socialistas.

No mundo inteiro, o capitalismo está duramente questionado por essa combinação de pandemia e recessão mundial. Está existindo um choque na consciência das massas de todo mundo. É hora novamente de levantar as bandeiras socialistas com toda força. Defendemos o socialismo com democracia operária, vigente nos primeiros anos da União Soviética, e denunciamos a versão stalinista burocrática ainda defendida por setores da esquerda.

 5- A pandemia é consequência da destruição da natureza


O capitalismo destrói os trabalhadores e também a natureza. A produção capitalista movida pelos lucros consome muito mais recursos da natureza do que se pode repor há pelo menos meio século. Por isso temos o aquecimento global, a poluição dos rios e da atmosfera, a redução das espécies vivas.

O desmatamento desenfreado causa uma destruição dos equilíbrios ecológicos e possibilita a mutação descontrolada de vírus que antes estavam confinados em animais silvestres. Essa agressão contra a natureza é responsável pelo aparecimento das recentes epidemias como o ebola, o SARS, o MERS e a agora o Covid 19.

O planeta caminha para um colapso ecológico irreversível caso o capitalismo se mantenha. Novas pandemias surgirão depois da atual.

Mas isso não é inevitável. É necessário acabar com o controle da economia pelas grandes empresas multinacionais. É preciso planificar e racionalizar a exploração dos recursos naturais do planeta levando em conta o meio ambiente e não a ganância de uma pequena minoria de bilionários. Mas para isso, é urgente a expropriação dessas empresas e a reconversão ecológica da produção que irá garantir que cessem as agressões contra a natureza e se impeça o colapso ecológico.

6- As lutas das massas nos EUA


O ascenso de massas revolucionário após o assassinato de George Floyd trouxe os EUA para o primeiro plano da luta de classes mundial. Não foi simplesmente uma revolta conjuntural e episódica. Foi a primeira vez em décadas e décadas que as massas passaram a ofensiva e a burguesia branca mais poderosa do mundo ficou na defensiva. A primeira vez em que uma luta dessa magnitude e radicalidade escapa da direção burguesa do Partido Democrata. Independente de seus resultados imediatos, os EUA entraram em uma nova situação de polarização e instabilidade.

O imperialismo norte americano vem apresentando uma decadência em sua hegemonia industrial e, cada vez mais, expressando um parasitismo financeiro gigantesco. Segue sendo hegemônico no mundo, por sua preponderância financeira e a categórica superioridade militar. Mas sua decadência foi mostrada ao vivo e a cores ao se transformar no centro mundial da pandemia, com mais de 130 mil mortos, mais que o dobro da guerra do Vietnã.

Agora a recessão econômica aponta para números de depressão. O desemprego passou de 4,4% em março para 14,7% em abril. Mesmo com ligeira queda posterior pela reabertura da economia, esses índices nunca tinham ocorrido desde a depressão de 1929.

A revolta pela morte de George Floyd tem como móvel imediato a luta contra o racismo nos EUA. Mais uma vez a luta contra as opressões assume uma centralidade fundamental no ascenso das lutas em todo o mundo.

A radicalidade e massividade dessas lutas se alimentam das consequências da pandemia e da crise econômica. Não existiria tal participação da juventude branca nas mobilizações se a luta contra a opressão racial não fosse fermentada por tão brutal situação social.

O Partido Democrata, que sempre trouxe a reboque o movimento sindical nos EUA, mais uma vez tenta encaminhar todo o ascenso e a oposição contra o governo para o terreno das eleições presidenciais de novembro.  No entanto, também teve de reprimir diretamente as lutas para tentar manter o controle.

A luta das massas no EUA enfraquece o imperialismo e impulsiona o movimento de massas em todo o mundo. Os seus resultados têm enorme importância para a luta de classes mundial.

O proletariado norte americano terá de escapar das garras do Partido Democrata e da burocracia sindical para construir uma alternativa de independência de classe. A tarefa de construção de um partido revolucionário nos EUA adquire enorme centralidade nos dias de hoje.

7- A crise da União Europeia


A Europa já apresentava claros sinais de decadência no início do ano, com a estagnação da Alemanha, seu carro chefe e perspectivas de recessão do conjunto do continente. A pandemia atingiu duramente o continente, em particular a Itália, Espanha, França e Inglaterra. Agora o continente vê sua decadência se aprofundar e uma tendência a polarização da luta de classes.

A previsão da OCDE é de uma queda do PIB europeu entre 9 e 11,5%.  Esse é um índice mais próximo de uma depressão que de uma recessão.

A Alemanha, mesmo com sua estagnação, conseguiu aplicar um plano bilionário de resgate para salvar suas grandes empresas e controlar a pandemia. A situação é mais grave em outros países imperialistas, que não conseguem fazer algo semelhante.

A União Europeia já sofreu um sério golpe com o Brexit. Perante a pandemia e a recessão mostrou-se ainda mais dividida, mostrando que não existe qualquer “solidariedade europeia”, a não ser o do lucro das empresas das grandes potências. Por isso, não conseguiu ter qualquer resposta conjunta para a pandemia para os países mais afetados. A política de empréstimos aos países serve apenas para salvar as grandes empresas e rapidamente será convertido em medidas de austeridade, a serem cobradas aos trabalhadores europeus.

Os governos europeus se apresentaram em geral com uma política de “unidade nacional” para enfrentar a pandemia. Isso é ainda mais presente em governos dirigidos pela socialdemocracia como é o caso da Espanha (Sanchez, do PSOE) e Portugal (Costa, do PS).

Trata-se de uma farsa. Não existe unidade entre a grande burguesia e os trabalhadores. Esses governos trabalham essencialmente para preservar os grandes lucros das grandes empresas, sem proteger realmente os trabalhadores, que sofrem os efeitos brutais da pandemia. Essa “unidade nacional” vai se chocar com a realidade da crise econômica e dos mortos pelo Covid.

Agora, os governos europeus acabaram com as quarentenas parciais para salvar as empresas, como na Itália, Espanha e França. Isso expõe diretamente os trabalhadores a uma nova onda de contaminação da pandemia.

Antes da crise atual, a França foi sacudida pela mobilização dos coletes amarelos e depois por uma grande greve dos transportes. Mesmo durante a pandemia houve mobilizações importantes contra o governo, inspirados no exemplo norte-americano.

Mobilizações parciais importantes ocorreram em outros países, apontando o caminho frente à crise atual. Com o agravamento da realidade objetiva, é possível que surja um processo revolucionário em algum país europeu.

A ultra direita veio se colocando como alternativa frente ao fracasso dos velhos partidos social-democratas e conservadores europeus frente a grave crise econômica social e por sustentarem as políticas de ‘austeridade’, recessivas e antioperárias da União europeia. Esses setores colocam a culpa da crise do desemprego nos imigrantes e apela ao nacionalismo xenófobo. Para enfrentar a imposição imperialista da União Europeia, nossa alternativa não é o nacionalismo burguês xenófobo de Le Pen, Salvini ou Johnson, mas a estratégia revolucionária e internacionalista da União das Republicas Socialistas da Europa, uma verdadeira Europa dos Trabalhadores e dos Povos.

8- A China perante a crise


A China, desde a restauração do capitalismo se inseriu na divisão mundial de trabalho como uma espécie de “fábrica do mundo”. Grandes multinacionais se instalaram no país para produzir para o mercado mundial, se aproveitando da mão de obra barata e da ditadura chinesa.

Desde então, a China avançou muito no mercado mundial. A nova grande burguesia chinesa produz em escala continental para o território chinês e para o mercado mundial, se aproveitando do apoio dos grandes bancos estatais. A China é uma exportadora de capitais (a mais importante para os países semicoloniais) e exerce uma opressão sobre esses países. Ao mesmo tempo, tem um peso fundamental no mercado de commodities mundial por seu papel na importação de matérias primas.

A China se integrou no mercado mundial como submetrópole privilegiada. Mas agora briga para ascender na divisão mundial de trabalho. Essa é a base fundamental para a guerra comercial EUA x China, que se expressa em lutas como o controle da tecnologia 5G. Agora, com a recessão mundial em curso, quem sair melhor da crise, pode avançar nesse conflito.

A pandemia se originou na China, em Wuhan. Aparentemente tinha sido controlada, mas agora há sinais de retomada de novos casos. A economia foi duramente afetada pela pandemia e pela recessão mundial. É possível que em 2020, a China tenha uma estagnação de sua economia, em função do bloqueio nas exportações para o mercado mundial em recessão. Pode ser mesmo que inicie uma recessão, que seria a primeira de importância desde a restauração do capitalismo. Isso é gravíssimo para uma ditadura militar que se mantém pela combinação da repressão e de um crescimento econômico robusto.

Aproveitando a pandemia, o estado chinês reforçou seus sistemas de controle e repressão internos. E agora estendeu as garras sobre Hong Kong, com a aprovação do decreto 23 para sufocar o levante nesse país.

O proletariado chinês- hoje o maior do planeta – já vinha protagonizando uma série de greves antes da pandemia e da crise econômica. Com a possível estagnação ou mesmo recessão da economia, as condições de vida vão piorar muito mais, e é possível que exista uma explosão de mobilizações. A China conseguirá afogar o levante em Honk Kong? A ditadura chinesa vai se afirmar no mercado mundial pós crise? Essas possibilidades estão colocadas. Mas existe outra, com a integração do proletariado chinês nos processos revolucionários no mundo.

9- Os países semicoloniais


Os países semicoloniais estão sendo duramente atingidos pela pandemia e a recessão mundial. O epicentro do Covid se deslocou da China para a Europa e depois para os EUA. Mas o pico da pandemia está se concentrando nos países semicoloniais da América Latina, Ásia e África. É aí que milhões de mortes vão dar números definitivos à pandemia.

O FMI prevê uma queda da produção na América Latina de 5,3%. A África deverá ter uma queda de 1,6%, com a África do Sul com retração bem pior, de 5,8%. A Índia está tendo um freio duríssimo em sua economia. Centenas de milhões de trabalhadores poderão perder seus empregos.

Os mortos abandonados nas ruas de Guayaquil são apenas os primeiros sinais crescentes de barbárie que está chegando. Países com péssima estrutura hospitalar, com partes consideráveis da população sem água e esgoto estão sendo varridos pela pandemia. A fome está pesando nas ruas dos bairros pobres da América Latina e da África negra de maneira brutal.

Os governos burgueses variam de postura perante a pandemia. Alguns têm uma posição negacionista, de subestimar a doença, se recusando a tomar medidas mínimas de isolamento, como Bolsonaro (Brasil), Ortega (Nicarágua), Lopes Obrador (México), Magufuli (Tanzânia).

Outros governos têm uma política de aparente combate ao Covid e o chamado a unidade nacional, como Fernandez (Argentina). Esses últimos ganharam mais apoio político de massas nos primeiros meses da doença.

Todos, no entanto, se guiam pela busca de garantir os lucros das empresas e o pagamento das dívidas externas ao imperialismo.

A dura realidade de uma queda brutal da economia e a devastação da pandemia vai originar crises nos governos e regimes desses países. Essa realidade pode levar a uma forte polarização da luta de classes, com um enfrentamento mais agudo de revolução e contra revolução, ascensos revolucionários, quedas de governos, golpes militares, etc.

Já tínhamos, no início do ano, processos revolucionários em distintos níveis em curso no Chile e Colômbia na América Latina. Agora existe uma tendência ao surgimento de novos processos revolucionários no mundo.

No Equador, depois da insurreição de outubro do ano passado, as mobilizações foram freadas. Com a crise e a pandemia, agora começaram a ressurgir nas ruas de Quito, Cuenca e Guayaquil, ameaçando retomar o processo revolucionário.

A crise do governo Bolsonaro é crescente, já tendo um setor importante e crescente contrário na base, mas ainda com apoio de um setor minoritário de massas. Perante a gravidade brutal da pandemia e da crise econômica, o país pode explodir em novas mobilizações.

No Oriente Médio e norte da África, depois das lutas conhecidas como a primavera árabe de 2011, tinham ocorrido derrotas importantes na Síria e Egito. O processo revolucionário ressurgiu em 2019 na Argélia e Sudão, derrubando governos, assim como no Líbano e no Iraque. Depois veio a pandemia e a crise econômica. A grande baixa do preço do petróleo se abateu fortemente sobre toda a região. Enfraqueceu particularmente dois pilares da contra revolução na região. A Arábia Saudita teve de recuar parcialmente no Iêmen do Sul, em sua intervenção militar na guerra civil. O Irã começou a retirar suas forças militares de apoio a Assad na Síria.

Na Palestina, em meio a toda essa situação, o governo dos EUA e o novo governo Netanyahu seguem com a expansão colonial e limpeza étnica e coordenam a implementação do “Acordo do Século”, um novo passo na anexação de territórios palestinos. A economia palestina, fortemente dependente de Israel e do imperialismo, deve ter uma queda no PIB de 14% e perda de US$ 2,5 bilhões com a pandemia. Existe uma oposição crescente contra o governo da Autoridade Palestina, por sua postura colaboracionista com Israel. Os enfrentamentos e o chamado à resistência se acentuam.

Começaram a existir novas mobilizações no Líbano e Iraque, ainda menores, mas radicalizadas. Uma nova onda de forte polarização entre revolução e contrarrevolução pode estar se gerando no Oriente Médio.

Na Índia, o governo repressivo de ultra direita (Modi)  vinha enfrentando grandes mobilizações contra uma lei antimuçulmana no início do ano. Trata-se de um dos maiores proletariados do mundo, com uma brutal super exploração. O governo vinha se sustentando em base a um crescimento econômico de 7% nos últimos anos, que agora se reduziu bruscamente, podendo entrar em recessão ao longo do ano. O desemprego saltou de 8 para 26% do começo da crise até agora.  A estagnação da economia indiana e o forte impacto da pandemia são estímulos para uma possível explosão do gigantesco proletariado indiano.

Pode ser que estejamos avançando para uma nova polarização da luta de classes entre revolução e contrarrevolução nos países semicoloniais, com novas explosões revolucionárias em um nível superior ao que se dava no início do ano.

Em todos esses processos, será necessário enfrentar diretamente a dominação imperialista e as burguesias nacionais associadas.

Mais uma vez, é necessário apontar a trágica permanência da crise e direção revolucionária de massas que podem levar a derrotas os processos mais avançados. Por esse motivo, a construção de partidos revolucionários se impõe com uma necessidade objetiva.

10- As lutas contra o racismo e demais opressões



As lutas contra as opressões são partes fundamentais dos processos revolucionários no mundo. Não por acaso a revolta contra o racismo nos EUA é um símbolo mundial das lutas nesse momento.

A pandemia e a recessão afetam qualitativamente mais os trabalhadores e os pobres. E, dentre eles, ainda mais aos setores oprimidos.

Os governos estimulam o racismo, a xenofobia, o machismo, a LGTBfobia para dividir os trabalhadores e trabalhadoras, para jogar nativos contra imigrantes, homens contra mulheres, brancos contra negros.

São os negros, os imigrantes os que são mais expostos porque trabalham nas fábricas e nos setores essenciais que não param. Caravanas de imigrantes na América Central expressaram a radicalização e o desespero desses setores.

É preciso unir os trabalhadores nas lutas contra todo tipo de opressão. Não se pode avançar na unidade dos trabalhadores se não se luta contra as opressões que dividem os trabalhadores.

Para lutar contra a opressão é necessário lutar contra o capitalismo que utiliza as opressões para manter sua dominação e super explorar os oprimidos. Para isso é necessário lutar também contra as direções reformistas que defendem estratégias capitalistas. Por um lado, apostam no empoderamento por dentro do capitalismo, uma perspectiva equivocada, mais ainda com a recessão. Por outro lado, também dividem os trabalhadores brancos e negros, entre mulheres e homens, impedindo uma luta comum contra o racismo e o machismo. A participação da juventude branca na luta contra o racismo nos EUA é um exemplo mundial a ser seguido.

É preciso defender o fim da repressão policial e do assassinato dos negros! Reorganização das polícias com critérios democráticos, com eleição de todos os oficiais!

Salário igual para trabalho igual! Mulheres e homens, negros e brancos devem ter o mesmo salário para o mesmo trabalho. Pelo direito dos imigrantes a legalização e asilo sem restrições e a terem salários iguais aos dos trabalhadores nativos, assim como aposentadorias. Pelo direito a saúde, habitação e comida para todos os migrantes. Pelo fim das deportações e as legislações restritivas migratórias. Pelo direito à nacionalidade pelo local de nascimento, para que ninguém seja imigrante no seu próprio país. Documentação e subsídios para todos os imigrantes desempregados.

11- Contra a violência sobre as mulheres! Em defesa dos direitos dos LGBTs!


Já existiam sinais nos últimos anos e um grande ascenso das lutas das mulheres, com mobilizações gigantescas contra a violência machista e pelo direito ao aborto. Nos processos revolucionários, a participação das mulheres na vanguarda é grande, por vezes majoritárias.

A pandemia e as medidas de quarentena trouxeram o aumento da violência machista nas casas, assim como os feminicídios e as violações.

Nenhuma discriminação raça, nacionalidade ou orientação sexual na assistência médica. As vidas de todas importam!

Salários iguais para trabalho igual. Oportunidades iguais! Abaixo o rebaixamento salarial e de tipos de trabalho para as mulheres!

Pelo fim da violência contra as mulheres! Direito ao aborto legal, seguro e gratuito em todo o mundo. Cotas trabalhistas e oportunidades de emprego para toda comunidade LGBTI.

Desmantelamento das redes de escravização sexual de mulheres e prisão a todos os traficantes! Contra a perseguição policial as prostitutas.

A quarentena não deve aumentar a jornada diária das mulheres. Redução das horas de trabalho sem redução salarial para todas as trabalhadoras com filhos, incluídas as que trabalhem em home office.

Aumento dos orçamentos para as políticas de proteção das mulheres, com as linhas de atenção e casas de refúgio contra a violência. Aumento dos orçamentos para defesa da infância, contra a violência intrafamiliar no confinamento.

Abaixo a violência e a LGBTfobia. Direito imediato e universal a identidade.

12- O reformismo é o braço da burguesia no movimento de massas


Os partidos e organizações reformistas -a social democracia, o stalinismo, PT, Podemos, Syriza, etc.- tendem a cumprir um papel central na crise atual. Com a crise dos governos e regimes, a burguesia deve buscar utilizar esses partidos ainda mais do que no passado para conter o movimento de massas, frear ou evitar novos processos revolucionários.

Esses partidos não são “aliados mais à direita” dos revolucionários. São inimigos dos processos revolucionários por serem braços da burguesia no movimento de massas.

Podem, com a autoridade de serem dirigentes políticos de oposição, dirigentes sindicais e de movimentos feministas, negros ou de imigrantes, encaminhar as lutas para acordos com os governos burgueses. Ou ainda, desde os governos, ajudarem a implementar os planos da burguesia e a reprimir as lutas.

Nesse momento de brutal crise do capitalismo, as direções reformistas se esforçam para apresentar em todos os lados alternativas de “humanização do capitalismo”. Bernie Sanders, que foi apoiado por grande parte da esquerda reformista mundial, se engaja abertamente na alternativa burguesa imperialista eleitoral de Biden.

Os neorreformistas como Syriza – assim como Podemos, Bloco de Esquerda, etc.- já mostraram seu papel diretamente nos governos burgueses. Apoiam ou fazem parte dos governos da social democracia para defender o estado burguês em nome da ‘democracia radical’ nos momentos de crise ou convulsão social. A Frente Ampla do Chile e o PSOL do Brasil seguem seus passos.

A estratégia desses partidos não passa de uma versão moderna do reformismo de Bernstein. Agora o horizonte passou a ser o capitalismo humanizado, uma utopia impossível, como a pandemia mostra a cada dia.

Os distintos setores da Igreja cumprem papéis muito diferentes de país a país. Desde o apoio aos governos mais à direita ao papel de auxiliares do reformismo. Conseguem ter uma base ideológica e uma visão de mundo que permite incorporar setores importantes da juventude, em geral apostando em uma estratégia de reformas do capitalismo.

A crise de direção revolucionária, pela hegemonia das direções reformistas sobre o movimento de massas segue sendo a causa das derrotas dos processos revolucionários. Agora, com essa nova situação criada com a pandemia e a crise econômica, podem surgir novos processos revolucionários, o que torna ainda mais importante lutar contra as direções reformistas.

 13- As ditaduras burguesas apoiadas pelo castro chavismo


O reformismo stalinista e o nacionalismo pequeno burguês evoluíram para a gestação de novas burguesias ao controlarem aparatos de estados. Foi assim na Nicarágua com a família Ortega, como o chavismo na Venezuela e com Assad na Síria.

Na China e em Cuba, houve processos diferentes, porque viveram revoluções socialistas no passado. No entanto, as burocracias stalinistas comandaram a restauração do capitalismo, sendo base da gestação de novas burguesias, também a partir do aparato de estado.

Em todos esses países, existem ditaduras burguesas, corruptas e repressivas. O apoio dado a elas pelos partidos reformistas castro-chavistas em todo o mundo só indica o grau de degeneração desses partidos. Apoiar o genocídio do povo sírio pela repressão de Assad é assumir parte da responsabilidade desse crime contra a humanidade. Apoiar a ditadura de Maduro na Venezuela- que vive uma depressão econômica e uma crise humanitária por culpa do chavismo há vinte anos no poder- é manchar as bandeiras socialistas. Apoiar a ditadura chinesa é defender diretamente o modelo capitalista de superexploração dos trabalhadores para o mundo.

Agora essas ditaduras vão enfrentar o desafio da pandemia e da recessão econômica. Inevitavelmente a insatisfação nas bases vai crescer enormemente.

Podem se gerar novas explosões como já ocorreram com a revolução síria de 2011 derrotada pela ditadura, e o ascenso de 2018 contra Ortega, também derrotado pela repressão do governo.

É preciso combater a ideologia que na Venezuela, em Cuba e na China existe socialismo, como falam tanto os defensores da grande burguesia como os apoiadores do stalinismo. Da mesma forma que como no passado fomos obrigados a nos delimitar de forma categórica das ditaduras stalinistas como “exemplos de socialismo”, hoje temos obrigação de denunciar que se tratam de ditaduras burguesas e corruptas. Não existe nenhum pingo de socialismo nesses países. Não existe nada de anti-imperialismo nesses governos.

14- Os neo anarquistas reformistas


Os grupos e movimentos neo anarquistas e autonomistas conseguiram ganhar prestígio em setores de vanguarda das lutas, capitalizando o desgaste das organizações reformistas e das burocracias sindicais. Existem múltiplos grupos, desde o zapatismo, os que tem referências em John Holloway, Toni Negri, Chantal Mouffe e muitos outros. Eles têm muitas diferenças entre si, mas compartilham ideologias opostas ao marxismo.

Esses grupos não apostam na organização dos trabalhadores. Não defendem o proletariado como sujeito social da revolução.  Não propõem a destruição do estado burguês, ao contrário dos anarquistas clássicos. Não defendem, portanto, a revolução socialista. Limitam-se a uma prática reformista de organização de associações locais ou cooperativas. Além disso, são diretamente inimigos da necessidade de construção de partidos revolucionários.

Hoje são uma faceta a mais do reformismo, com uma aparência de esquerda libertária. São aliados estratégicos do reformismo nos processos revolucionários, apesar de parecerem seus inimigos nos primeiros passos desses processos. Por isso, muitas vezes, terminam sendo bases de apoio eleitorais de alternativas reformistas.

Não basta lutar contra as direções reformistas, é preciso também enfrentar essas correntes.  Na medida em que eles consigam dirigir processos de luta, são garantias de novas derrotas.

15- Em defesa do controle operário


São os trabalhadores que constroem o país e sabem como garantir a produção. Em um momento de crise aguda do capitalismo como a atual, a defesa do controle operário é ainda mais importante.

Só impondo a vontade dos trabalhadores desde a base se pode impedir a destruição massiva das forças produtivas que está sendo causada pela crise capitalista.

Perante as mentiras dos governos sobre os números da pandemia, são os trabalhadores desde as bases que devem assumir o controle da situação. Os trabalhadores da saúde podem cumprir um papel que os governos não assumem. Os moradores dos bairros populares devem informar a realidade e controlar os meios de combate a pandemia.

São os trabalhadores que devem conhecer a contabilidade de cada fábrica. São eles que devem assumir o controle das empresas que ameaçam demitir os trabalhadores.

16- Abaixo a repressão! Pelos comitês de autodefesa!


A violência policial está presente em todo o mundo.  O repúdio generalizado das massas norte americanas contra o assassinato de George Floyd trouxe à luz o ódio acumulado contra a ação das polícias em todo o mundo.

Os governos recorrem a repressão para abafar o descontentamento generalizado. O ódio contra a repressão se transforma em um forte alimento para novas lutas.

Não existem maneiras de reformar a polícia, mudando seu caráter. Os aparatos repressivos são partes centrais do estado burguês.

Mas é necessário ter uma política destinada a quebrar a hierarquia das FFAA e da polícia, chamando-as a não reprimir as lutas, exigindo a eleição de seus comandantes pelas comunidades.

Ao mesmo tempo, é fundamental utilizar todas as oportunidades para desenvolver a autodefesa dos trabalhadores. Isso deve ocorrer a partir da defesa das mobilizações, assim como na defesa dos bairros dos trabalhadores contra as invasões da polícia.  A autodefesa nos bairros é também a única maneira real de se proteger contra a ameaça dos bandos ligados ao narcotráfico.

17- Os sindicatos e a auto organização


Trotsky dizia que nessa época imperialistas os sindicatos são cada vez mais atrelados ao estado burguês. Em uma situação como a que estamos vivendo na pandemia e recessão, as pressões nesse sentido se redobram. As burocracias sindicais são o instrumento para essa esterilização dos organismos que deveriam estar à frente das lutas mínimas dos trabalhadores.

Por esse motivo, em muitos países, os sindicatos são vistos pelos trabalhadores como parte do regime burguês, parte dos “do que está aí”, que não inspiram nenhuma confiança nas bases. Por outro lado, muitas vezes os processos de reorganização ainda não geraram novos organismos. A resultante é uma desorganização dos trabalhadores, que limita o potencial das lutas.

É fundamental o chamado a frente única das organizações operárias para que assumam a luta perante a grave crise econômica e as consequências da pandemia. Isso é importante para possibilitar uma luta unificada contra essa catástrofe que nos atinge. Importante também para desmascarar as burocracias que não assumam essa luta.

Esse chamado a unidade é para avançar nas lutas diretas dos trabalhadores, mantendo toda nossa diferenciação política com as direções reformistas e burguesas. Isso não tem nada a ver com   frentes políticas ou unidade permanente com essas direções.  As lutas só poderão avançar se os trabalhadores superarem essas direções.

Muitas vezes essa batalha está estreitamente ligada a uma luta por uma nova direção e pela democracia operária. Sem democracia operária não existe possibilidade de garantir o peso das bases. Sem novas direções, muitas vezes não é possível garantir nem a democracia operária, nem as lutas.

Em outros lugares, é necessário um processo de auto organização para a construção de novos organismos, seja nos bairros dos trabalhadores, seja nas empresas.

18- Em defesa das liberdades democráticas


Os estados burgueses- tanto os organizados como regimes democráticos como os regimes bonapartistas- impõem cada vez mais repressão contra as lutas dos trabalhadores.

A repressão direta das mobilizações, a ocupação militar dos bairros populares, o assassinato das lideranças populares, a criminalização dos movimentos, a censura sobre a imprensa, a vigilância e o controle sobre cada passo da população estão em alta para os governos burgueses.

Os presos políticos mantidos nas prisões mesmo durante a pandemia, como é o caso do Chile e os palestinos, são a expressão consciente do genocídio desses governos.

Muitas vezes os governos legitimam essas medidas como se fossem “para garantir a quarentena” e têm por isso o apoio inclusive de setores de esquerda. São os estados de exceção, estados de emergência, toque de recolher, etc. Na verdade, estão se prevenindo contra as convulsões sociais que estão se incubando desde as bases.

É preciso defender as liberdades democráticas para que os trabalhadores e a juventude possam se organizar e lutar.

19- Combater a ultradireita


A polarização da luta de classes leva uma tendência crescente ao surgimento de setores de ultradireita. Isso tem suas expressões eleitorais mas também no surgimento de grupos diretamente fascistas nas bases.

É muito importante diferenciar a ultradireita institucional dos grupos fascistas. As organizações reformistas, para justificar sua aliança com as organizações burguesas “democráticas”, chamam a toda a ultradireita de “fascistas”. Mas fascistas são setores que se preparam e atuam com perspectivas inclusive militares de destruir o movimento operário e suas organizações.

A ultradireita institucional atua através da democracia burguesa, e inclusive cresce através das eleições, como Trump, Bolsonaro, Le Pen, Vox e outros. Se apoiam conscientemente na divisão e opressão como metodologia para dividir a classe operária. E muitas vezes conseguem dividir, como no apoio no proletariado branco contra os negros, dos trabalhadores brancos contra os imigrantes ou indígenas, dos homens contra as mulheres, etc.

Existem setores minoritários diretamente fascistas surgindo à sombra desses processos. São ultra minoritários, porque a burguesia não sente necessidade deles. Mas existe uma tendência de que cresçam à sombra da crise da democracia burguesa, protegidos pela ultradireita institucional.

É preciso travar uma batalha política e ideológica dura contra a divisão racista, machista, LGBTfóbica e xenofóbica que as ideias da ultradireita incitam dentro da classe trabalhadora. Além do combate político e ideológico é necessário também organizar comitês de autodefesa para o combate militar, quando for necessário.

 20- A juventude sem perspectivas

 

Foto : Richard Ulloa / La Tercera.

Em todo o mundo, a juventude tem sido fortemente afetada pelos planos neoliberais capitalistas. Os baixos salários e a precarização das relações trabalhistas tornaram a maior parte dos jovens em pessoas sem futuro. O sucateamento da educação e saúde públicas reduzem mais ainda as perspectivas de vida da juventude.

A pandemia e as medidas de confinamento trouxeram o fechamento de escolas e universidades em todo o mundo, levando a ampliação da educação por internet. Mas isso aumentou a distância  educativa entre quem tem acesso à internet e computadores e quem não tem, que são a maioria dos jovens pobres do mundo.

Agora, o desemprego vai pesar muito mais entre os jovens. Isso pode levar a novas explosões populares, com essa juventude radicalizada a sua frente.

Não por acaso, a juventude dos setores populares está na vanguarda das lutas nos processos revolucionários que acontecem em várias partes do mundo. A sensação de que não tem nada a perder move os jovens para as lutas diretas e o enfrentamento com a polícia.

A Primeira Linha no Chile- os combatentes que defendem as mobilizações contra a polícia- são símbolos de um processo mundial. A juventude dos bairros populares foi vanguarda também nos processos revolucionários do Equador, Colômbia, Iraque, Líbano, Hong Kong, assim como agora nos EUA.

Educação pública e gratuita em todos os níveis! Pela revogação dos planos neoliberais que sucatearam a educação pública! Pelo aumento nos orçamentos da educação pública! Garantia de condições acesso gratuito a educação on-line durante a pandemia.

Emprego garantido para a juventude! Salários iguais para jovens e adultos! Contratação imediata formal de todos jovens precarizados.

 21- Acesso público e gratuito à internet


A comunicação moderna tem na internet e nas redes sociais um desenvolvimento importantíssimo. No isolamento causado pela pandemia, isso se tornou ainda mais onipresente.

No entanto, longe de significar uma democratização da comunicação, continua sendo um privilégio o acesso à computadores e às redes sociais. As empresas usam as redes sociais para propaganda, os grupos de ultra direita para disseminar mentiras e ideologias xenófobas.

É preciso socializar o acesso a internet, com computadores e telefones portáteis simples e gratuitos e redes wifi públicas generalizadas.

22- Socialismo ou barbárie


O estado é na verdade uma ditadura das classes dominantes para impor seu controle sobre a sociedade. Seja através de democracias burguesas, seja através de regimes bonapartistas, a política que é aplicada é a das burguesias. Uma ínfima minoria impõe sua vontade a milhões de pessoas, através dos governos, dos parlamentos e das forças armadas.

Nas democracias burguesas, as eleições são manipuladas pelas grandes empresas que financiam os maiores partidos e sempre vencem, através de partidos de direita ou de “esquerda” reformista. Os planos econômicos aplicados são muitas vezes os mesmos ganhe a “situação” ou a “oposição”.

A democracia dos ricos está em crise. A farsa do “estado de todos” é cada vez mais percebida pelos trabalhadores. A corrupção é um mal de todo estado burguês.

Queremos destruir o estado burguês e construir uma democracia dos trabalhadores. Essa democracia deve se apoiar nos organismos dos trabalhadores, com delegados eleitos e mandatos revogáveis a qualquer momento. Todos os funcionários devem ter salários iguais aos de um operário médio.

Não estamos inventando nada. Estamos nos apoiando nos exemplos históricos da Comuna de Paris e dos sete primeiros anos da revolução russa antes da burocratização stalinista. Como dizia Lenin, aquele estado dos trabalhadores era mil vezes mais democrático do que a mais democrática das democracias burguesas.

A combinação da expropriação das grandes empresas e a planificação da economia permitirá uma nova sociedade que poderá atender as necessidades dos trabalhadores e não garantir os lucros dos patrões.

Só avançando em direção ao socialismo poderemos evitar a barbárie. Só assim poderemos evitar o colapso ecológico que se aproxima e recompor a destruição da natureza causada pelo capitalismo

23- Pela construção de partidos revolucionários, seções da IV Internacional


Estamos iniciando um novo momento histórico, marcado pela pandemia, a crise econômica e novos enfrentamentos entre revolução e contrarrevolução no mundo. Momentos assim levam a grandes sacudidas na consciência das massas e da vanguarda. Devemos buscar transformar isso em ruptura com as direções burguesas e reformistas.

A tragédia de quase todas as revoluções tem sido a ausência de direções revolucionárias. Por mais heroicas que sejam as ações das massas, elas serão derrotadas, caso não se supere a crise de direção revolucionária.

Por esse motivo, não existe tarefa mais importante que a da construção de partidos, que unam os revolucionários ao redor de um programa e da concepção bolchevique de partido. A construção desses partidos é inseparável da reconstrução da IV Internacional, uma internacional revolucionária, aos moldes da III Internacional dirigida por Lenin e Trotsky.

Como dizia Trotsky em sua mensagem gravada para a Conferência de fundação da IV Internacional em 1938: “Sim, nosso partido nos toma por inteiro. Mas, em compensação, nos dá a maior das felicidades, a consciência de participar da construção de um futuro melhor, de levar sobre nossas costas uma partícula do destino da humanidade e de não viver em vão.”

Queremos chamar os ativistas das lutas a construir junto conosco partidos revolucionários e a Liga Internacional dos Trabalhadores, o nosso embrião de uma internacional revolucionária. Essa é a única maneira de enfrentar a barbárie que nos ameaça e forjar um futuro socialista.