Em uma entrevista recente, Yuri Petrovich Samoilov, presidente do Sindicato dos Mineiros Independentes de Krivoy Rog (região de Dniepropetrovsk, Ucrânia), denuncia a brutal agressão que estão sofrendo do exército russo. Diz que os trabalhadores ucranianos estão lutando ativamente contra o que denomina de “ guerra pela independência da Ucrânia” e como os sindicatos intervêm nessa guerra[1].

Por: LIT-QI

Em suas propostas concretas, pede aos trabalhadores do mundo que “exijam o cancelamento do pagamento da injusta e escravizante dívida [externa] ucraniana” e “exigir o fornecimento de aviação e armas à Ucrânia”. Nesse contexto, faz um chamado aos trabalhadores do mundo que sejam solidários com a resistência operária ao massacre do exército de Putin.

Recebemos este apelo, que apoiamos e acreditamos que as organizações que se dizem da classe trabalhadora, partidos e sindicatos, devem divulgar amplamente o apelo do dirigente mineiro ucraniano na vanguarda e entre os trabalhadores. Mas não só, devemos deixar nítido que é uma guerra, na qual apoiamos a resistência de um povo que combate seu inimigo em grande desigualdade de condições. Então (como expressa Samoilov), a questão das armas e suprimentos de todos os tipos, inclusive militares, torna-se uma questão central. Nesse sentido, devemos apoiar ativamente os esforços dos ucranianos para adquirir armas e suprimentos para se defender, realizando uma ampla campanha de fundos para enviar aos operários que resistem em Mineiros de Krivoy Rog. Os trabalhadores mobilizados podem apoiar a resistência ucraniana, como os trabalhadores portuários da refinaria Ellesmere em Cheshire, Inglaterra, se recusaram a descarregar petróleo da Rússia, replicando o que os trabalhadores do terminal de gás de Kent e os dos portos fizeram na Holanda. Segundo a informação, “uma onda de protestos deste tipo está se alastrando pelos portos europeus em resposta à invasão da Ucrânia”[2].

Fazemos isso porque desenvolver uma campanha desse tipo é a atitude que nós revolucionários devemos ter em relação ao real significado da guerra atual.

O governo de Vladimir Putin desencadeou uma invasão do exército russo na Ucrânia: com métodos de extrema crueldade, ataca e destrói cidades, incluindo “alvos” como hospitais e maternidades, com o objetivo final de tomar Kiev (capital ucraniana) e, assim, dominar todo o país. Apesar da imensa superioridade militar russa, o invasor enfrenta, por parte do povo ucraniano, uma resistência maior do que a esperada, muitas vezes de caráter heroico.

Por isso, definimos que é a agressão de uma nação muito mais forte (Rússia, uma das principais potências militares do mundo) contra outra mais fraca, com o objetivo de subjugá-la. Isso ocorre em um quadro em que, exceto por um curto período no início da União Soviética (quando foi aplicada a política proposta por Lênin, agora muito criticada por Putin), tanto o Império Russo quanto os stalinistas e os recentes governos burgueses russos eles sempre consideraram a Ucrânia como “seu quintal”.

Prédio bombardeado por russos na capital da Ucrânia, Kiev – FOTO: AFP

Bombardeio russo

Portanto, apoiamos a resistência dos trabalhadores e do povo ucraniano contra a invasão e devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para derrotar as tropas russas nesta guerra, sem que isso represente qualquer apoio ou confiança política no governo Zelensky, nem na burguesia ucraniana. que chama a resistir à invasão.

Essa posição nos leva a combater firmemente aqueles que apoiam a invasão russa com o argumento de que a Rússia de Putin faz parte de um campo progressista e anti-imperialista, e que essa ação é dirigida contra o imperialismo e seu braço militar (a OTAN) que, através da Ucrânia e seu governo, estaria atacando a Rússia.

Denunciamos o papel da OTAN como braço militar do imperialismo e lutamos pela sua dissolução. Mas esta não é uma invasão militar da OTAN contra o território russo, nem contra o povo ucraniano. Ao mesmo tempo, não há soldados da OTAN lutando contra tropas russas na Ucrânia (ou em qualquer outro lugar que tenhamos conhecimento). Quem está atacando a Ucrânia hoje é o exército russo.

Por isso, discordamos das posições de amplos setores da esquerda mundial que se recusam a se manifestar contra a invasão de Putin ou se declaram “neutros”. Em outras palavras, nesta guerra iniciada pela agressão russa, “não têm lado”. Como dissemos, nós temos, porque o triunfo da resistência ucraniana e a derrota da invasão russa é o único resultado favorável para os trabalhadores e as massas do mundo.

Por uma campanha unitária em apoio à resistência

Atendemos ao chamado de Yuri Petrovich Samoilov e seu sindicato, e além de arrecadar fundos e propor desenvolver e promover atividades com o objetivo de palestras e debates para ajudar a esclarecer a confusão que existe sobre a natureza da guerra.

Em segundo lugar, impulsionar mobilizações para expressar publicamente esse apoio à resistência ucraniana, como vem acontecendo na Europa e em outras partes do mundo[3]. Acreditamos que é totalmente correto mobilizar-se para exigir que os governos (especialmente os dos países imperialistas) entreguem armas e todos os materiais necessários (munições, alimentos, remédios) à resistência ucraniana diretamente e sem quaisquer condições. Somos totalmente contra a entrada da OTAN no conflito e exigimos sua dissolução. Chamamos também a combater as medidas de “fortalecimento” dos exércitos que a compõem (como acaba de anunciar o governo alemão), porque são uma ameaça para todos os povos do mundo. O que estamos dizendo é que esses governos devem ser obrigados a entregar as armas à resistência ucraniana direta e incondicionalmente.

Vamos responder ao pedido dos mineiros ucranianos com uma campanha unitária das organizações e partidos que se dizem da classe trabalhadora, o primeiro passo foi dado com a declaração conjunta entre o LIT-QI e a UIT, vários sindicatos e a Rede Internacional de Solidariedade. Vamos fortalecer o internacionalismo operário. Trabalhadores do mundo uni-vos em apoio à resistência ucraniana!

Referências:

[1] https://litci.org/en/interview-with-yuri-petrovich-samoilov-ukrainian-mining-leader/

[2] Dockers at UK refinery refuse to unload Russian oil | Shipping industry | The Guardian

[3] Ver por ejemplo Miles de personas se manifiestan en varias ciudades europeas en apoyo a Ucrania (yahoo.com)