Não há dúvida de que Macri está tentando aplicar o ajuste que seus chefes ordenam. Longe de qualquer tipo de “irmandade feminina”, Cristine Lagarde, em nome do FMI, deu instruções precisas para o avanço nos cortes que só trazem lucros aos empresários, e fome e miséria para os trabalhadores.

Por: PSTU Argentina

Enquanto tentam implementar a reforma trabalhista na Argentina, o governo apresentou o orçamento para o próximo ano, onde a previsão é mais corte e ajuste. O chamado “encolhimento do Estado” não é nem mais nem menos do que a perda de escolas, hospitais, pensões por invalidez, remédios e aposentadorias.

As mulheres são as mais afetadas por essa política, somos a maioria em empregos públicos, somos as que ficam sem educação e saúde para nossos filhos. Como se isso não bastasse, o orçamento de 2019 reduz o investimento para erradicar a violência em 38%, em um ano que se prevê um dólar a 50 pesos, só irá alocar 10 pesos por ano por mulher. Inaceitável!

As enormes demandas femininas que enchem as ruas de verde fizeram até o presidente querer posar como uma “feminista”, mas é puro circo. Como se fosse um projeto de igualdade de gênero, o governo nacional, juntamente com a outrora feminista Fabiana Tuñez tentam passar a reforma trabalhista e sindical em nome das mulheres.

Como toque final, no final de novembro os membros do G20 estarão reunidos em Buenos Aires. Esses “donos” do mundo são aqueles que exigem que seu melhor aluno, Macri, aplique o ajuste a fundo para que possam continuar ganhando. Eles sabem que existe resistência contra a fome e a miséria, como fizemos em 14 e 18 de dezembro, e é por isso que reprimem, perseguem e prendem. Eles precisam impor o ajuste com repressão e, para nos assustar, prendem Milagro Sala e Daniel Ruiz, perseguem Sebastián Romero, extraditam Jones Huala, desafiam os dirigentes operários e intimidam lutadores populares.

Vamos sair às ruas para derrubar Macri já!

As mulheres argentinas e em todo o mundo estão tomando as ruas para lutar por nossos direitos, como nos dias 13J (13 de junho) e 8ª (8 de agosto), onde centenas de milhares exigiram o aborto legal, ou como fizeram as brasileiras no 29S (29 de setembro) repudiando ao misógino Bolsonaro. Não estamos sozinhas e lutamos junto com os trabalhadores defendendo nossos empregos, como no Hospital Posadas, no Telam, no Estaleiro Rio Santiago e na contundente greve geral de 25 de setembro.

As trabalhadoras, as mulheres pobres e as jovens não podem aguentando mais um dia a este governo e seu plano, esperar até 2019, como muitos nos propõem, é mais fome e violência para nós. A greve geral que fizemos recentemente é o caminho que devemos aprofundar, as ruas devem ser nossas, onde devemos impor um plano de luta que se aprofunde até que o ajuste seja derrotado, derrubando Macri, o FMI e o G20.

Nós, de Lucha Mulher e do PSTU insistimos que as centrais operárias devem assumir as reivindicações femininas como próprias, devem abrir reuniões e fóruns de debates para que possamos elaborar a lista de demandas que precisamos.

As CTAs, as mulheres sindicalistas da Corrente Federal, assim como todas as organizações feministas que dizem que querem enfrentar Macri devem assumir a liderança na luta e não convocar atos que promovam candidatas para o próximo ano. Vamos sair às ruas, organizar a luta para derrubar Macri e avançar na conquista dos direitos que as mulheres precisam.

Tradução: Lena Souza