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No dia 3 de agosto, na Cidade do México, uma jovem de 17 anos foi estuprada por quatro policiais. A adolescente retornava de Azcapotzalco quando uma viatura a parou. Quatro policiais a forçaram entrar no carro e a estupraram. Os acusados de terem envolvimento no crime foram interrogados, no entanto, foram liberados, após várias provas do crime sumirem misteriosamente. O caso levou a indignação nacional e várias manifestações contra a violência machista ocorrem no país.

Por: CSP Conlutas

Como parte dessas ações, aqui no Brasil, movimentos feministas e da juventude, entre os quais Juntas, Rebeldia e Movimento Mulheres em Luta, realizaram um ato nesta quinta-feira (29), em frente ao Consulado do México no Brasil, em solidariedade com a luta das mulheres no México.

“Denunciamos a política criminosa de Claúdia e Obrador contra as trabalhadoras mexicanas e nos somamos na luta contra violência machista e do Estado, tanto no México quanto no Brasil”, reiterou em nota o Movimento Mulheres em Luta.

De acordo com o movimento, Claudia e Obrador estão acabando com várias políticas de combate a violência, fechando creches e deixando as mulheres trabalhadoras e jovens ainda mais vulneráveis.

“Aqui, no Brasil, sabemos bem o que significa um governo que não está nem aí para a vida das mulheres e que não faz nenhum investimento nas políticas de promoção da população feminina. Bolsonaro, assim como os governantes mexicanos preferem garantir os lucros de empresários e serem subservientes ao presidente americano, do que garantir a vida e a segurança de sua população”, pontuou o movimento.

A governadora da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, do Morena, mesmo partido do presidente Lopez Obrador, se voltou contra as manifestantes, iniciando uma investigação para apurar “excessos”, enquanto os policiais seguem livres.

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Testemunhas viram o momento em que a adolescente estava em estado de choque após o ocorrido, com os policiais ao seu redor. No dia 4 de agosto, a família denunciou o estupro, mas o caso segue envolto a uma série de irregularidades.

Movimentos feministas, diante da impunidade convocaram manifestações contra tentativas do governo de deslegitimar a versão da vítima.

No México, 56% do território nacional se encontra formalmente declarado em Alerta de Violência de Gênero contra as Mulheres (AVG). Segundo a ONU, nove mulheres são assassinadas por dia no México. De janeiro a junho foram pelo menos 470 feminicídios registrados no país.