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O ano de 2019 começou com a violência machista na ordem do dia. No final desta edição, pelo menos  mulheres foram assassinadas, além de estupros coletivos e outros que a mídia transformou em espetáculo. A Igreja Católica e a Evangélica permanecem mudas.

Por: Lucha Mujer – Argentina

Onde se lembraram de “defender a vida” foi para se opor ao aborto. O debate do verão teve como centro uma menina de 12 anos estuprada e forçada a fazer uma cesariana e uma bebê que, como era medicamente esperado não pôde sobreviver. Um exemplo atroz da violência machista do Estado descarregada nos mais pobres. Um exemplo que, infelizmente, existe aos milhares.

Além disso, os ataques cada vez mais brutais que o governo e os empresários atacam contra os trabalhadores (inflação, aumento de tarifas, demissões) pesam muito mais sobre as mulheres trabalhadoras, que todos os dias saem para sustentar a panela.

Para que esperar?

A exposição a todos os tipos de violência a que as mulheres estão sujeitas, e sobretudo as mulheres jovens, não pode esperar pelas eleições, como apontam as direções sindicais e uma grande parte da direção do movimento de mulheres.

Enquanto nos organizamos para exigir do Estado o orçamento e as medidas necessárias, a justiça para cada uma das vítimas de feminicídio e estupro, a legalização do aborto, é urgente que cada organização sindical, estudantil ou barrial levante a auto-defesa como método para nos organizar e nos defender, onde possamos denunciar, investigar e agir diante dos atos de violência passados, presentes e prevenir os futuros.

E se as “instituições” não nos escutam, devemos nos organizar a partir de cada local de trabalho, estudo ou em cada bairro, para impô-lo. Diante da violência, temos o direito de nos defender, e a maneira de fazer isso não é uma questão individual, temos que organizá-la coletivamente, porque juntos e juntas somos mais fortes.

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Greve geral no 8M!

Está chegando o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras, e uma nova greve internacional já está sendo convocada. Se realmente acreditam que nossas vidas valem a pena, como dizem aos quatro ventos quando uma câmera foca neles, as CGTs e CTAs devem convocar a Greve Geral em 8 de março. Devemos desde agora dar uma dura batalha dentro de cada sindicato ou organização para garantir que não estejamos sozinhas para lutar por nossas vidas. Nós do Lucha Mujer e do PSTU, convidamos a que se organizem conosco para lutar contra o machismo e por uma saída de fundo para nossos problemas.

Orçamento para combater a violência machista e não para a dívida externa!

Aborto legal, seguro e gratuito!

Cadeia para os abusadores, estupradores e feminicidas! Destituição dos juízes que emitam sentenças machistas! Por tribunais populares!

Por protocolos contra a violência machista nos locais de trabalho e estudo!

Pela organização da autodefesa a partir das organizações sindicais, estudantis e de bairros!

Por uma greve geral no 8M por todos os direitos das mulheres trabalhadoras!

Tradução: Lena Souza