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Nesta terça-feira (21) terá início o 50º encontro do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que reúne as elites potências política e econômicas globais. Até 24 de janeiro as representações políticas definirão as políticas econômicas do próximo período.

E como de costume, a organização Oxfam divulgou nesta segunda-feira (20), em paralelo ao evento, seu informe anual sobre as desigualdades mundiais.

Por: CSP Conlutas

Segundo consta no relatório, em 2019 os 2153 bilionários no mundo possuíam mais dinheiro do que 60% da população global, apontando que dentre os mais atingidos pela desigualdade estão as mulheres. Esse grupo tem mais dinheiro do que os 4,6 bilhões de pessoas mais pobres do planeta.

A organização também informou que a fortuna do 1% mais rico corresponde a mais que o dobro das 6,9 bilhões de pessoas menos ricas, equivalendo a 92% da população no mundo. Conseguir que esse 1% mais rico pague apenas 0,5% de imposto extra sobre sua riqueza nos próximos 10 anos seria igual ao investimento necessário para criar 117 milhões de empregos em setores como idosos e creche, educação e saúde.

Mulheres – Os 22 homens mais ricos do mundo têm mais riqueza do que todas as mulheres da África e mulheres e meninas empregam 12,5 bilhões de horas de trabalho não remunerado todos os dias – uma contribuição para a economia global de pelo menos US $ 10,8 trilhões por ano, mais de três vezes o tamanho da indústria global de tecnologia.

As mulheres fazem mais de três quartos de todo o trabalho não remunerado. Eles geralmente precisam trabalhar com horas reduzidas ou abandonar a força de trabalho por causa de sua carga de trabalho de atendimento. Em todo o mundo, 42% das mulheres em idade ativa não conseguem emprego porque são responsáveis ​​por toda a assistência prestada, em comparação com apenas 6% dos homens.

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Brasil – Bolsonaro, que não rendeu avaliação positiva em participação no evento de Davos realizado no ano passado, desistiu de discursar nesta edição. Para representar o governo, deverá ir uma delegação brasileira mais enxuta, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Especificamente sobre o Brasil, a Oxfam relacionou a maneira de governar de Bolsonaro ao do presidente norte-americano Donal Trump, afirmando que “a maioria dos líderes mundiais ainda está perseguindo agendas políticas que conduzem a uma maior distância entre os que têm e os que não têm. Líderes como o presidente Trump nos Estados Unidos e o presidente Bolsonaro no Brasil são exemplos dessa tendência”.

Ainda é destacado no relatório que Bolsonaro e sua equipe “obstruem medidas para enfrentar a emergência climática, o racismo, o sexismo e o ódio às minorias. Os cortes de recursos a programas que atuam para reduzir a violência contra as mulheres também foram alvo de crítica”.

Números – As mulheres que não tinham carteira de trabalho assinada receberam, em 2018, R$ 707,26 ao passo que para as formalizadas esse valor foi de R$ 1.210,94.  E a ocupação desse setor tem sido a mais precarizada, sendo que 37% das mulheres declararam ter exercido cuidados no Brasil em 2018, enquanto 26% dos homens declararam o mesmo (dados da Pnad Contínua 2018). De acordo com a mesma pesquisa, em média, uma mulher no emprego doméstico no Brasil ganha 78,44% do rendimento de homens que exercem as mesmas funções.

São Paulo, do ponto de vista do acesso ao emprego, é uma das cidades mais desiguais do Brasil. Conforme dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o número de empregos acessíveis aos 10% mais ricos é nove vezes maior do que o número de empregos acessíveis aos 40% mais pobres.

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O mundo se rebela – O ano de 2019 foi marcado por revoltas populares em todo o mundo, da América Latina ao Oriente Médio e norte da África, com intensas mobilizações na França, no Chile, no Sudão, na América Central.

Observando o cenário, o relatório da organização aponta o crescimento desses movimentos de protestos pelo mundo que revelam indignação dos povos diante de políticas ultraliberais e medidas da extrema direita.

O CEO da Oxfam na Índia, Amitabh Behar, presente em Davos para representar a organização este ano afirmou que “nossas economias quebradas estão cobrindo os bolsos de bilionários e grandes empresas às custas de homens e mulheres comuns. Não é de admirar que as pessoas estejam começando a questionar se os bilionários deveriam existir ”.

O documento ainda sugere que os governos de todo o mundo devem tomar medidas urgentes para “construir uma economia mais humana e feminista, que valorize o que realmente importa para a sociedade”, e ainda propõe entre outras medidas a implantação de “um modelo fiscal progressivo no qual também se taxe a riqueza”.

“A lacuna entre ricos e pobres não pode ser resolvida sem políticas deliberadas de combate à desigualdade, e poucos governos estão comprometidos com elas” ressaltou Behar em lançamento do relatório.

http://cspconlutas.org.br/2020/01/oxfam-divulga-relatorio-sobre-desigualdade-no-mundo-mulheres-sao-as-mais-afetadas/

Com informações da Oxfam e do Sindmetal SJC