Nas Olimpíadas, enquanto os atletas correm atrás do ouro, o Comitê Olímpico vai em busca de militarização, mercantilização e controle social.

Milhões viveram a alegria e a euforia gerada pelos Jogos Olímpicos de 2012 enquanto atletas de todo o mundo se esforçaram para ganhar medalhas. Os jogos, que tiveram lugar em alguns dos bairros mais pobres do país, sofreram um controle intensivo do patrocínio  por algumas das mais odiadas multinacionais do mundo, a militarização extensa em Londres e um ataque aos direitos civis. 

Partes de Londres assemelhavam-se a um teatro de guerra de alta intensidade: um porta-aviões no Rio Tamisa, drones não tripulados no céu, mísseis terra-ar em prédios residenciais, 18.000 militares, 300 agentes MI5, 13 km de cerca eletrificada, 55 equipes de cães de ataque.

A vigilância em massa, com poderes de dispersão usados ​​na Zona de Dispersão Olímpica resultou teve seu auge no dia de abertura das Olimpíadas. "Grupos" de duas ou mais crianças ou adultos poderiam ser ordenados a deixar a região, se um policial  acreditasse “razoavelmente” que a presença deles poderia ser “intimidatória”.  

A Lei dos Jogos Olímpicos de Londres deu poderes extraordinários para o exército, a polícia, 48.000 forças de segurança privadas e as multinacionais patrocinadoras e a região leste de Londres tornou-se uma zona militarizada. Por quê? Para proteger os patrocinadores multinacionais e, mais importante, para expandir a militarização das forças de controle social. O medo do desenvolvimento de um movimento de massa, que pode surgir com o aprofundamento das medidas de austeridade, está forçando essa preparação e as Olimpíadas de 2012 foram uma oportunidade para testá-las e implementá-las.

Moradores protestaram contra a colocação de mísseis terra-ar em suas áreas. Mas todos eles receberam um folheto dizendo-lhes que, durante os jogos, uma equipe de soldados e policiais estariam estacionados em seus blocos de apartamentos, lar de 700 famílias, e que os mísseis só seriam usados ​​como último recurso. 

Esta demonstração maciça de poderio militar da Grã-Bretanha não é nova. Tropas foram vistos nas ruas da Grã-Bretanha muitas vezes desde a segunda guerra mundial, para reprimir greves. Por exemplo, durante o primeiro governo trabalhista de 1945-1950, a greve de bombeiros em 1977  e a greve dos mineiros em 1984/85. 

Poderes policiais e aplicação de força excessiva já levaram a muitas injustiças, como a morte de Ian Tomlinson, Mark Duggan, Jean Charles de Menezes e muitos outros, mas os policia nunca foram considerados culpados. Tais injustiças só podem aumentar à medida que os métodos de controle se tornam ainda mais excessivos. Hoje, as questões de segurança que cercam as Olimpíadas de Londres têm sido usadas ​​para normalizar um processo de militarização pesado e é uma preparação para controlar qualquer resistência futura.

Patrocinadores nada saudáveis

Muitos comentaristas dos jogos deram destaque aos anos de uma dieta saudável que os atletas sofrem na preparação para a competição. Em contraste, patrocínios exclusivos foram atribuídos à Coca-Cola e ao McDonald’s que vendem alimentos de alto teor calórico, criticados por médicos e profissionais da saúde. O McDonald’s tem quatro restaurantes no interior do Parque Olímpico em Stratford, incluindo seu maior do mundo. 

Outro patrocinador olímpico, a Atos Healthcare, é responsável pela retirada de milhares de benefícios de doentes e deficientes dizendo que eles estão aptos a trabalhar. As organizações Disabled People Against Cuts e UK Uncut estarão protestando contra eles durante a Paraolimpíadas.  

A Dow Chemicals, outro patrocinador, tem a oposição de "Atletas contra a Dow Chemical" e das comunidades dos sobreviventes da tragédia de gás causada pela Union Carbide (agora propriedade da Dow Chemical) em 1984 em Bhopal, na Índia. Mais de 25.000 morreram e mais de 500.000 foram afetados desde a tragédia. 

A União das Mulheres do Vietnã, que tem cerca de 13 milhões de membros, e a Confederação Geral do Trabalho do Vietnã protestaram (com outras 43 organizações) contra o patrocínio da Dow Chemical, porque era uma das principais empresas de fabricação do Agente Laranja e de Napalm durante a guerra do Vietnã. Estima-se o número de vítimas do agente laranja em 4,8 milhões, muitas delas crianças. Sebastian Coe, presidente do Comitê Organizador Olímpico, opôs-se à demanda dizendo incorretamente que os EUA estavam abordando os problemas. Os patrocinadores olímpicos literalmente incluíram um produtor de armas de destruição em massa. 

Ajudar a criar obesidade, a destroçar a vida das pessoas com necessidades especiais e devastar o ambiente e as vidas de milhões. É este o espírito dos Jogos Olímpicos? Isso combina com o desejado legado destes Jogos Olímpicos: futuros saudáveis ​​e populações saudáveis? MacDonalds, Atos, Dow Chemicals, BP e Coca-Cola – esses patrocinadores são os responsáveis ​​pelos crimes acima, mas parece que a ética do Comitê Olímpico Internacional opera com as mãos firmemente amarradas aos exploradores multinacionais e os promotores de guerras deste mundo.

O preço de ganhar uma medalha nas Olimpíadas está baseado em dinheiro manchado com sangue.

Pobreza e cortes

Há muitos problemas sociais nos seis bairros Olímpicos. Um relatório afirma que "Comparado com o resto de Londres, há duas vezes mais pessoas dos seis bairros vivendo em áreas mais desfavorecidas. Cerca de metade das crianças vivem na pobreza. A proporção de famílias que vivem em abrigos temporários é maior do que a média de Londres, em quatro dos seis distritos, e a proporção de pessoas consideradas desempregadas de longa duração é maior do que a média de Londres, em cinco dos seis bairros Olímpicos". (Jogo de criança? O pré-natal para o legado da saúde do adolescente, London Health Observatory, julho de 2012).

O relatório afirma ainda que:  “A saúde das pessoas que vivem nos bairros olímpicos também é ruim" e que vai piorar. Estima-se que £ 86 milhões por ano serão perdidos na economia dos seis distritos devido aos altos níveis de desemprego (http://www.planningresource.co.uk).

O Ministro dos Esportes, Hugh Robertson, disse que o desporto deve levar "um grande golpe" da política de austeridade, o que significa que: a nova geração de instalações desportivas escolares, um bilhão de libras gastos em esporte e recreação e natação gratuita para menores de 16 anos serão cortados. Em contraste, £ 13 bilhões de dinheiro público foram gasto na realização dos Jogos. Precisamos de instalações desportivas para a maioria e não apenas para poucos. 

{module Propaganda 30 anos – MULHER}A Grã-Bretanha saudou o mundo, mas em Newham todos os jornais estrangeiros disponíveis em suas bibliotecas foram cancelados, para poupar apenas 7 mil libras por ano. Até julho de 2011, Newham financiou oito organizações de aconselhamento independente para pessoas de todos os setores da comunidade local, sobre questões como habitação, benefícios e dívida. Esta verba foi cortada e Newham enfrentará um corte adicional de £ 75 milhões ao longo dos próximos quatro anos.

Propriedade pública

Os Jogos de 2012 são os mais mercantilizados da história e fornecem milhões e até bilhões para a acumulação dos ricos, enquanto a Grã-Bretanha está passando por sua mais longa e profunda recessão, enquanto a maior parte dos cortes ainda está por vir. O Partido Trabalhista também se juntou à celebração do lucro e à militarização, nomeando o mercador de guerra Tony Blair como consultor em legado olímpico. 

Os Jogos são feitos para unir as nações do mundo através do esporte, mas a agenda econômica, política e militar do Governo utiliza todas as oportunidades para seus próprios objetivos inescrupulosos, gananciosos e assassinos. 

Desemprego, saúde, problemas de obesidade, cortes nos benefícios, cortes nas instalações desportivas, corte de centros de aconselhamento e serviços sociais, isso está acontecendo devido à austeridade e, em parte, devido ao custo dos Jogos Olímpicos.

O governo, o exército e a polícia estão se preparando para o que virá, os sindicatos e as comunidades da classe trabalhadora também têm que se preparar. Em resposta aos seus extremos precisamos construir a maior manifestação da classe trabalhadora em 20 de outubro. Precisamos de uma luta de princípios baseados na independência da classe trabalhadora e no internacionalismo.

Somente a derrota do programa de austeridade do governo pelo movimento de massas pode impedir o fim dos serviços públicos, incluindo instalações desportivas públicas e pode impedir o desemprego e os cortes, garantir a manutenção da propriedade estatal e o controle público.