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Houve uma rápida disputa política para montar um novo governo conservador para aprovar o Brexit em 31 de outubro, a fim de combater o imperialismo europeu com os métodos do imperialismo britânico e iniciar um ataque ao estilo Trump contra trabalhadores, imigrantes e mulheres.

Por: Martin Ralph – ISL – Grã-Bretanha

Apenas os defensores do hard Brexit [isto é, Brexit sem acordo com a UE], incluindo Dominic Raab, Priti Patel, Steve Barclay e Michael Gove fazem parte do gabinete. Johnson sonha em criar outra Grã-Bretanha, com base no derramamento de sangue real feito por Churchill que causou a morte de milhões de trabalhadores na Grã-Bretanha e de povos nas colônias, como a Índia, onde sua política de tirar comida do subcontinente indiano, em particular de Bengala criou uma fome que matou pelo menos 2 milhões de pessoas.

Churchill viu o fim do antigo império britânico. O capitalismo de hoje enfrenta uma crise bem maior, conforme o Financial Times de 25 de julho: “A Grã-Bretanha está vivendo a mais profunda crise em tempos de paz modernos. Sua política é disfuncional, sua sociedade está fraturada e sua economia enfraquecida. A união do Reino Unido está em perigo. A resposta do Partido Conservador é colocar um camelô de segunda classe em Downing Street, 10 [1]. O Sr. Johnson despreza a verdade e é cego em relação à ética”. O FT fala por setores poderosos do capitalismo britânico.

Johnson aumentará a crise que muitos trabalhadores e jovens enfrentam, aprofundando a austeridade e encorajando mais repressão da polícia contra protestos como aqueles contra o aquecimento global, greves, etc. Os trabalhadores precarizados aumentaram de 2 para 4,7 milhões entre 2016 e 2019. E este governo torna-se mais autoritário à medida que esses trabalhadores aumentarem suas lutas. Mas os trabalhadores podem vencer!

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Johnson pode desejar o que quiser para seu Brexit, mas o choque com as multinacionais e os governos imperialistas europeus não permite ter nenhuma certeza do processo.

Não, a Grã-Bretanha continuará em condições muito instáveis ​​e caóticas. A razão central para isso é que Jeremy Corbyn nunca lutou por um Brexit operário e socialista, nem os dirigentes sindicais. E nunca chamaram mobilizações dos trabalhadores para derrubar o governo conservador. Uma greve geral com luta direta nas ruas pode se apoiar nas greves e mobilizações que estão acontecendo contra os ditames da UE e seus ataques à propriedade pública e aos direitos dos trabalhadores, e contra o Brexit conservador.

Os planos de Johnson custarão caro aos trabalhadores, a menos que construam mobilizações contra a austeridade, contra o trabalho precarizado e ataques aos oprimidos e lutem nas ruas para derrubar esse governo.

Comícios do Partido Trabalhista (menores do que nos últimos anos) ocorreram depois que Boris Johnson tornou-se líder conservador e primeiro-ministro. Mas Corbyn não pede uma ação coletiva contra o novo governo, ele pede uma eleição geral, onde o Partido Trabalhista lutará pela permanência na UE, contra o que defendeu até agora.

Ele não está sozinho, o Partido Socialista (SP, partido do CIT), o Partido Socialista dos Trabalhadores (SWP), e todos os líderes sindicais também defendem eleição geral sem chamar uma greve geral para derrubar o governo. O SP e o SWP pedem que os trabalhistas chamem manifestações e comícios, mas, como Corbyn, todos procuram uma solução parlamentar e esperam que a classe trabalhadora os acompanhe. Na verdade, nas declarações do SP e SWP depois que Johnson foi eleito, não trazem nem mesmo a ideia de greves coordenadas! O léxico de todos esses partidos e líderes não se estende às palavras “Greve Geral”, nem mesmo em dias de festa.

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Mas esse continua sendo o único caminho para os trabalhadores: adotar ações de classe para construir movimentos europeus contra a UE, que coloniza a Europa meridional e oriental, e a Irlanda, e acabar com a União Europeia pelos Estados Unidos Socialistas europeus.

  • Unir todas as greves contra o trabalho precarizado, a previdência pública, as perdas de empregos e as reduções salariais!
  • Construir a desobediência civil – apoiar as ações da juventude contra o aquecimento global!
  • Não espere por uma eleição geral para derrubar este governo, façamos uma greve geral!

Tradução: Fábio Bosco