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E onde não houver, vote criticamente nos trabalhistas para expulsar os conservadores!

Declaração da International Socialist League – Inglaterra

Desde o colapso financeiro de 2007-2008 e a aplicação de políticas de austeridade em 2010, o conflito social se acelerou devido às desigualdades de riqueza e renda serem tão altas quanto durante a Grande Depressão da década de 1930. A falta de moradia, bancos de alimentos, pobreza infantil, milhões enfrentando precariedade no trabalho, cortes no NHS [sistema público de saúde] e nos serviços públicos municipais, dívidas, altos custos de transporte e energia, são a ‘norma’ enfrentada por milhões de trabalhadores. No entanto, essa ‘era de austeridade’ selvagem é motivada exclusivamente pela ganância capitalista, pelas crises provocadas pelos ricos e por um poderoso e implacável programa de privatização, onde o único motivo é a acumulação de lucros.

O resultado das eleições de 12 de dezembro permanece incerto, devido à política pouco clara do Brexit e à relutância em promover e organizar uma luta de massas contra a austeridade. Não surpreendentemente, a confiança nos políticos é extremamente baixa, levando a um aumento da incerteza entre muitos trabalhadores de mentalidade independente que não têm confiança no sistema parlamentar.

Programa do Partido Trabalhista (Labour Party)

O Manifesto do Partido Trabalhista de 2019 promete um salário mínimo de £ 10, a abolição dos contratos de zero-hora, o fim das taxas de matrículas nas universidades, remédios gratuitos, um aumento de 5% nos salários dos trabalhadores do setor público, construção de 100.000 casas por ano, reverter e encerrar a privatização do NHS, consultas odontológicas gratuitas, direitos de inquilinos e teto para aluguéis, fim do crédito universal [sistema que limita a concessão de subsídios aos necessitados] e o fim do limite de subsídios para famílias com dois ou mais filhos. O Labour também promete reestatizar as principais empresas de energia e água, os Correios, os transportes ferroviário e de ônibus. Eles também afirmam que vão abolir as leis antissindicais.

Essas promessas são exigências que a classe trabalhadora e os jovens fazem há muito tempo, mas são incompletas e limitadas. O Labour não se comprometeu a restaurar todos os direitos sindicais que foram retirados. Os planos para combater a falta de pessoal, o maior problema do NHS, são claramente insuficientes. O plano do Labour para o transporte e o fim da privatização do NHS e de outros serviços é a nacionalização no ritmo tartaruga – um contrato de cada vez. Isso levará 20 anos! As medidas fiscais do Labour para redistribuir a renda e riqueza dos super-ricos são muito limitadas.

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O Labour promete liberdade de movimento apenas se o Reino Unido permanecer na União Europeia! Os trabalhistas pretendem acabar com a detenção indefinida de imigrantes, mas isso está longe de acabar com todas as formas de detenção de imigrantes, e a promessa de fechar dois centros de detenção deixará mais oito abertos. Este é um claro recuou de seu último congresso, que aprovou “manter e estender os direitos de livre circulação” e fechar todos os centros de detenção de imigração.

Os trabalhistas apoiam a renovação da base nuclear de Trident e permanecerão na OTAN imperialista.

O programa trabalhista não atende às necessidades dos trabalhadores e da juventude

A única garantia de que as demandas dos trabalhadores contidas no Manifesto serão cumpridas é se a classe trabalhadora e os jovens se empenharem na luta de massas, organizarem-se além e por fora dos procedimentos parlamentares. Se os trabalhistas vencerem, precisamos exigir que sejam implementadas sem desculpas e sem atrasos.

Se os trabalhistas começarem a implementar seu programa limitado, haverá uma grande reação das grandes empresas e de sua mídia. Eles já ameaçaram uma greve de investimentos e uma “fuga de capital” que causariam uma corrida no valor da libra e um aumento acentuado nas taxas de juros, levando as empresas a falir e demitir trabalhadores. Obviamente, eles erguerão enormes barreiras à criação do prometido milhão de empregos verdes.

Esse terrorismo financeiro só pode ser derrotado pela nacionalização, sob o controle democrático dos trabalhadores, dos “comandos superiores da economia”: os bancos, as companhias de seguros, os fundos de pensão e as principais empresas estratégicas nos principais setores manufatureiros, energéticos e outros setores produtivos da Grã-Bretanha. E é exatamente isso que os trabalhistas rejeitam. Eles acham que podem criar “um capitalismo regulado e gerenciado” no parlamento, que não existe nem existirá.

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Corbyn anunciou que sua posição em relação ao Brexit é de ‘neutralidade’. Nem ficar, nem sair da UE. Se houver um governo trabalhista, ele diz que não faria campanha por nenhuma posição. Muitos trabalhadores opõem-se a um novo plebiscito. Mas, o verdadeiro problema é que mesmo suas promessas de mudança são incompatíveis com a permanência na UE. A UE não é um escudo para defender os interesses da classe trabalhadora, mas uma máquina de guerra social. Defender os trabalhadores e a juventude exige uma mudança social real; significa que um Brexit socialista é necessário.

Nosso voto

Como a liderança trabalhista mantém a política de ‘igreja ampla’ [isto é, a manutenção da direita trabalhista no partido e nos cargos parlamentares], Chris Williamson (ex-ministro do Gabinete Sombra) foi proibido de participar das eleições por causa de sua luta pela resseleção obrigatória de candidatos ao parlamento [atualmente os atuais parlamentares têm a candidatura garantida] e por seu apoio aos direitos palestinos, o que chamam de antissemitismo (sem nenhuma prova). Ele será candidato independente na zona eleitoral de Derby North. Apoiamos criticamente sua luta. Também damos um voto crítico ao People Before Profit, da Irlanda do Norte, que são a favor da unidade da Irlanda e contra a política de austeridade.

Pensamos que precisamos construir organizações independentes da classe trabalhadora nos bairros e sindicatos para aprovar um verdadeiro programa antiausteridade e escolher candidatos independentes e lutadores. Onde esses candidatos não existem, defendemos o voto crítico nos trabalhistas, para que os Conservadores (Tories) sejam expulsos, mas sem depositar nenhuma confiança no Partido Trabalhista.

Expulsar os Conservadores e continuar a luta

Durante estes longos anos de luta contra a austeridade e o neoliberalismo surgiram muitos novos grupos anticortes da classe trabalhadora, numerosas campanhas para salvar o NHS e os serviços públicos municipais, juntamente com os novos sindicatos que lutam contra o trabalho precário terceirizado e o início de uma rebelião sindical pela base em alguns sindicatos tradicionais. Estes devem ser reconstruídos ou ampliados.

Parabenizamos todos os trabalhadores dos sindicatos que estão em luta, incluindo o UVW, IWGB, RMT, UCU, PCS e Unite. Essa luta terá que se manter durante a eleição e se estender após o 12 de dezembro para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam conquistados.

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Pedimos aos trabalhadores e jovens que aumentem a automobilização, construindo e lutando contra as políticas antioperárias. Grupos antiausteridade, como o Old Swan Against the Cuts, os ativistas antiausteridade de Stockport e todos os grupos que lutam pelos serviços públicos, precisam se vincular a sindicatos combativos. As bases sindicais e barriais devem, no futuro, organizar-se para discutir um programa e escolher seus próprios candidatos para a eleição geral.

Processos revolucionários estão se desenvolvendo em todo o mundo. Há explosões no Chile, Colômbia, Hong Kong, Equador, Haiti, França, Argentina, Bolívia, Líbano – a lista continua. Apoiar essas lutas diretamente é o significado do internacionalismo socialista e é essencial mobilizar o apoio para elas do Reino Unido, como ao Chile e à Colômbia. Toda luta importante desafia o domínio do imperialismo britânico sobre as nações oprimidas.

Não haverá caminho para o socialismo com o Partido Trabalhista. O capitalismo continuará a conduzir nossas vidas em uma trajetória descendente à medida que a austeridade e o desastre climático se aproximarem. Precisamos construir um partido operário revolucionário para liderar a classe trabalhadora na derrubada desse sistema capitalista bárbaro e construir um caminho revolucionário para o socialismo. Esta é a única maneira de acabar com a austeridade, acabar com a privatização, impedir o desastre climático e criar uma sociedade socialista.

  • Apoie candidatos independentes e lutadores!
  • Onde isso não puder ser feito, vote criticamente a favor do Partido Trabalhista contra os Conservadores, sem confiança no Partido Trabalhista!
  • Implemente e amplie os planos pró-trabalhadores imediatamente!
  • Não à fragmentação, pela nacionalização total sob controle dos trabalhadores para impedir a decadência da sociedade!
  • Igualdade de direitos para todos
  • Ninguém é ilegal!
  • Por um Brexit socialista!
  • Construa o ISL para lutar por um partido revolucionário!