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Um milhão de assinaturas em 24 horas contra a suspensão do parlamento de Johnson!

Defender a democracia; não ao fechamento do parlamento!

Somente mobilizações, greves e ocupações em massa podem parar Johnson!

Por: Martin Ralph – ISL Inglaterra

O novo primeiro-ministro britânico, a fim de aprovar o Brexit até 31 de outubro (que é o prazo da UE para o Reino Unido decidir sair ou permanecer) suspendeu o parlamento por cinco semanas a partir de meados de setembro. Suspender o parlamento por esse período de tempo é extremamente incomum. Mas, após três anos de paralisia, a poderosa seção do capitalismo britânico determinada a deixar a UE está pressionando o botão vermelho – Boris Johnson.

Há um grande alarme em muitos setores industriais e em outros do grande capital apoiados pelo The Economist, Financial Times e a Confederação da Indústria Britânica – porta-vozes dos capitalistas que desejam permanecer na UE.

A ação de Johnson estende os limites da democracia parlamentar burguesa, mas não os esmaga; a suspensão do parlamento é permitida pelas regras de um poderoso primeiro-ministro britânico. Mas Jeremy Corbyn não quer admitir um fato simples: essa é a democracia burguesa existente. É por isso que todos estão chamando de golpe. No entanto, se for, por que eles acham que apenas manifestações impedirão um golpe do capitalismo britânico?

A suspensão ocorreu para aprovar um hard Brexit [isto é, sem acordo com a UE] se a UE não desistir de insistir na possibilidade de uma fronteira e alfândega entre a Irlanda e a Irlanda do Norte com base na fronteira britânica imposta pela ocupação da Irlanda do Norte e divisão do país.

A suspensão do parlamento é uma grande lição para todos os trabalhadores e ativistas britânicos! Mostra a todos o que realmente a democracia parlamentar significa. A maioria do povo demonstrou sua oposição à suspensão em manifestações por todo o país; anteriormente o parlamento havia votado contra um hard Brexit. No entanto, a tática de Johnson “é legal, mas estica as convenções da constituição britânica até seus limites” (The Economist, 29 de agosto.

Se os partidos da oposição não organizarem ações crescentes da classe trabalhadora nas ruas para impedir esse ataque à democracia parlamentar, estarão demonstrando que tipo de oposição são. Eles deveriam chamar manifestações lideradas pela classe trabalhadora, desobediência civil e greves. Isso significa organizar ocupações de ruas, de pontes e do Parlamento. Até agora, o que eles fizeram está longe de ser suficiente.

Um deputado trabalhista, Lloyd Russell-Mole, disse que “uma greve geral  parece ser cada vez mais a única maneira de parar” Johnson (Daily Mirror, 29 de agosto). “Isso deve se tornar um movimento de massas com desobediência civil em todos os bairros e cidades”. Nós concordamos.

O Momentum[1] instou as pessoas a bloquearem estradas e pontes, mas muitos parlamentares, incluindo os trabalhistas, opõem-se furiosamente a esse chamado. Corbyn convoca manifestações para fortalecer sua ação parlamentar e pede um governo de ‘unidade nacional’ que ignore as diferenças sobre austeridade, leis antissindicais e imigração. Esse tipo de governo vai defender os interesse do capital, será um fracasso completo na defesa da classe trabalhadora.

Os trabalhadores devem estar na linha de frente contra Johnson. Somente com desobediência civil em massa e os sindicatos convocando greves e uma greve geral o governo Johnson será derrotado.

Enquanto isso, Johnson impõe suas políticas: “stop and search[2] (que será usada contra negros e jovens), a tentativa de retirar todas as escolas públicas do controle das autoridades municipais, a expansão da rede de escolas livres [ensino privado], iminentes cortes de verbas dos municípios (também sendo impostos pelos trabalhistas onde governam). O hard Brexit de Johnson destruiria os direitos trabalhistas, agravaria ainda mais a crise climática e desregularia as salvaguardas que ainda existem para proteger a vida dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, daria mais benefícios fiscais aos ricos.

Os poucos dias do parlamento em setembro e outubro serão usados ​​não apenas para promover o Brexit, mas também para ainda mais ataques aos direitos dos trabalhadores.

O que a ISL pensa

Johnson só ouvirá a pressão das massas.

Apelamos aos sindicatos, aos jovens, aos oprimidos e a todas as tendências políticas para uma unidade na luta contra Johnson. Mas não apoiamos a permanência na UE, nem o Brexit de Johnson. Somos a favor do aprofundamento da luta contra Johnson, mas ao mesmo tempo lutando contra a UE e Johnson.

Não achamos que o que aconteceu seja um golpe. É uma manobra parlamentar permitida pelas regras democráticas burguesas. Não somos a favor da democracia dos ricos que permite aos capitalistas impor suas decisões dessa maneira.

Exigimos que o parlamento seja imediatamente reunido, enquanto a classe trabalhadora deve lutar por sua independência de classe, por democracia direta e de massas. Defendemos o parlamento contra Johnson porque a classe trabalhadora tem que lutar contra o parlamento com seus métodos, não com os de Corbyn.

Não existe democracia operária no parlamento, um exemplo disso são as leis antissindicais impostas pelo parlamento aos trabalhadores, para que eles não tenham o direito de discutir livremente e ao mesmo tempo decidir qual ação, incluindo greves, eles podem querer usar.

O Parlamento deve reabrir imediatamente!

Mobilizações em massa, greves e ocupações para deter Johnson!

Por uma saída operária e socialista para deixar a União Europeia!

[1] Corrente do Partido Trabalhista que apoia Jeremy Corbyn.

[2] Política de abordagem de pessoas consideradas suspeitas nas ruas, até então inexistente na Grã Bretanha.