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Unificar nossas greves para construir uma greve geral para expulsar os Tories!

Pelo fim da austeridade!

Por um programa operário e socialista para deixar a UE!

Por: ISL – Grã-Bretanha

Theresa May anunciou sua renúncia para 6 de junho, mas os Conservadores continuam desesperadamente agarrados ao poder e enfrentam turbulências em seus esforços para sair da UE. O povo de todo o país, seja em apoio a Sair ou a Ficar na UE, está retirando seu apoio aos principais partidos, que não conseguem aprovar uma proposta para sair da UE.

Os Trabalhistas também estão em crise, sem que Jeremy Corbyn decida defender Sair ou Ficar nas eleições da UE, mas propondo uma união aduaneira entre Irlanda e Irlanda do Norte que será dominada pelos interesses da UE e do sistema financeiro de Londres, ou seja, o plano B dos defensores de Ficar.

A ideia de Corbyn de uma união aduaneira repete o velho lixo da UE – que é uma máquina de guerra contra os trabalhadores e os povos da Europa, de pilhagem de recursos africanos e de colonização.

As negociações Tory/Labour (partidos Conservador e Trabalhista) para chegar a um acordo são uma farsa. Não eram nada mais do que manobras coreografadas para ganhar tempo antes que elas naufragassem. Corbyn é “dificilmente o flagelo do establishment” ao sentar à mesa com os Tories em vez de ir às ruas para lutar por uma saída dos trabalhadores.

Nem Conservadores nem Trabalhistas representam os interesses da classe trabalhadora, e isso abriu uma brecha pela qual Nigel Farage e seu novo partido tornaram-se uma força de liderança nas atuais eleições europeias, com 34% de intenções de votos, Conservadores com 11% e Trabalhistas com 21%. Muitos se afastaram dos partidos tradicionais na esperança de que o partido populista de Farage honrasse o resultado do referendo de 2016. No entanto, Farage é um ex-negociante de commodities e fiel defensor de Margaret Thatcher e não “um homem do povo”. Ele continuará a servir as elites ricas e poderosas. Seu Partido do Brexit, sem plataforma política, e um presidente que é um magnata imobiliário continuará a servir o interesse das elites.

Líderes nacionalistas e fascistas de extrema direita também estão concorrendo. Tommy Robinson no Noroeste e outros esperam capitalizar a raiva nas regiões operárias do país, principalmente no norte, contra as políticas do Partido Trabalhista, que dirige várias prefeituras. A imposição da austeridade pelos Conselhos Municipais[1] Trabalhistas e sua recusa em lutar contra os cortes de verbas mobilizando o povo nas ruas também está abrindo um espaço para pessoas como Robinson, que afirmam representar a “classe trabalhadora esquecida”.

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As campanhas populistas de direita estão atraindo muitos eleitores dos partidos tradicionais, aqui e em toda a Europa, cujas políticas cruéis e prejudiciais continuam ano após ano a atacar os direitos e as condições de vida dos trabalhadores. Na Grã-Bretanha o uso de bancos de alimentos disparou e as pessoas estão com fome – o fato de isso acontecer na quinta maior economia do mundo significa que as tensões na Grã-Bretanha aumentam dia após dia.

Pelo fim da austeridade dos Conservadores e a implementação de cortes pelos Trabalhistas!

O Partido Trabalhista e as lideranças sindicais não organizam os trabalhadores

Os ataques aos trabalhadores são impulsionados pela crise financeira e econômica mundial e europeia, pela City of London[2] e pela defesa das grandes empresas pela UE. Na Grã-Bretanha, as políticas de austeridade levaram a uma severa deterioração nos padrões de vida dos pobres. Os ataques aprofundam-se continuamente, porque não há uma política dos dirigentes sindicais ou dos líderes Trabalhistas para unificar a resistência. Não há nenhum chamado para construir uma greve geral, que poderia derrotar o governo e expulsar os Conservadores.

Os Trabalhistas não têm uma política operária e socialista, são uma fábula de dois partidos com dois programas capitalistas, um pelo Ficar e outro pelo Sair (Brexit). Essa é a realidade da “ampla igreja” de Corbyn e inevitavelmente as divisões continuarão.

Em reuniões recentes, os operários da construção civil pediram uma greve nacional; 30.000 trabalhadores terceirizados e trabalhadores de limpeza do ISS estão atualmente aprovando uma greve por aumento de salários, mas os líderes sindicais não organizam uma greve nacional, apesar de que votações por greves por categoria estejam acontecendo. Os trabalhadores de faculdades fizeram greve e conquistaram aumento salarial; as greves estudantis contra a mudança climática continuam; greves dos sindicatos independentes, IWGB e UVW, ocorrem a cada semana. Lutas acontecem nas ruas, mas os dirigentes sindicais não escutam.

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Se estas questões fossem unificadas em um programa – austeridade, desastre climático, salários e condições de trabalho etc., um movimento de massas com as comunidades da classe trabalhadora poderia derrubar esse governo Conservador. Os sindicatos devem começar a lutar por essa perspectiva, unir todas as lutas e convocar uma greve geral, construída a partir de baixo, ao mesmo tempo em que exigem isso do TUC[3].

A base deve para exigir que o TUC chame uma greve geral para derrotar os Tories!

A UE ataca os trabalhadores e a soberania dos países

Após o crash de 2008, a UE jogou a sua crise nas costas da classe trabalhadora europeia, particularmente nos países periféricos do sul, leste e oeste e atingiu os trabalhadores da Europa Central. Os ataques à Grécia, Portugal e Irlanda foram brutais, bem como os países do Leste Europeu são agora semicolônias da UE.

A Alemanha e a UE põem fim à soberania dos Estados da zona do euro e (a) impõem sanções automáticas a todos os países que excedam o limite fixado do déficit público (b) O Tribunal Europeu de Justiça pode multar Estados que não aprovam as leis necessárias para garantir o pacto orçamentário (c) O Eurogrupo (conselho de ministros da economia) tem a última palavra sobre os orçamentos nacionais, definidos antes de irem a voto nos parlamentos.

Pela destruição da UE!

Unidade da Irlanda

Na República da Irlanda, os trabalhadores fizeram importantes mobilizações com vitórias contra a austeridade e pelo direito das mulheres de escolher. É por isso que é possível construir lutas comuns entre trabalhadores irlandeses e britânicos contra todos aqueles que tentam impor austeridade e remover os direitos dos trabalhadores.

A Irlanda submete-se ao controle de seu orçamento pela UE e à Grã-Bretanha pela existência da divisão da Irlanda, acima de tudo mantendo a fronteira. Não deve haver fronteiras entre o sul e o norte da Irlanda, somos a favor de uma Irlanda unida como a única maneira de combater o controle pelo imperialismo e a degradação causada por suas políticas.

Trabalhadores europeus mobilizam-se

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Os trabalhadores espanhóis, italianos e franceses estão lutando contra a austeridade. Temos que nos unir e lutar com eles. O movimento dos coletes amarelos na França é uma resposta dos trabalhadores à austeridade e aos ataques de Macron e da UE. Eles tomaram as ruas e formaram milhares de comitês de luta em toda a França; isso precisa acontecer aqui. Os sindicatos franceses convocaram uma greve geral por causa da pressão do movimento dos coletes amarelos.

Devemos dar total apoio a esses movimentos e às iniciativas dos sindicatos de luta e às lutas sociais contra os governos capitalistas e a extrema direita. Precisamos de um movimento como o dos coletes amarelos para pressionar os sindicatos a lutar, para superar nosso isolamento e construir mobilizações conjuntas que possam forçar os sindicatos a organizar uma greve geral.

Para fazer essa luta, são necessárias assembleias pelo país para construir um movimento nacional.

Unir os trabalhadores em toda a Europa contra a UE!

A reforma da UE é impossível

É impossível reformar a UE, ela tem que ser destruída. Temos de deixar a UE baseados em um programa operário e socialista que una todos os trabalhadores da Europa contra as instituições capitalistas que atacam as condições de vida e a criam pobreza entre a maioria da classe trabalhadora da Europa. A UE só pode ser derrotada e destruída em uma luta dos trabalhadores por um programa socialista.

Por uma Europa operária e socialista unida

 [1] Equivalente às Câmaras de Vereadores. Na maioria das cidades os Conselhos são o poder executivo e legislativo, pois não há prefeito eleito.

[2] City of London é como é chamado o centro financeiro do país, um dos maiores do mundo, e seus magnatas.

[3] TUC – Trades Union Congress – Central Sindical da Grã-Bretanha.

Tradução: Marcos Margarido