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O governo de Gordon Brown injetou bilhões nos bancos para evitar um colapso no sistema, mas agora está fazendo cortes nos serviços públicos para recolocar os bilhões que deu às instituições financeiras. 

 

Brown e seu governo estão pressionando para congelar pagamentos nos setores público e privado e estão preparando futuras medidas draconianas contra os trabalhadores, especialmente os desempregados e os setores mais pobres da classe, que recebem benefícios do Estado.

Ao mesmo tempo, o longo escândalo das despesas parlamentares deixou os trabalhadores profundamente indignados, à medida que representantes de todos os partidos fazem o que querem com os generosos esquemas que eles mesmos criaram. Existe oposição ao envolvimento britânico na guerra de ocupação do Afeganistão, com aproximadamente 56% nas recentes pesquisas. No entanto, o governo ignora a opinião pública, como fez quando o Iraque foi invadido e ocupado, e está preparando para ficar ainda mais entrincheirado no território afegão.

 

Hoje, estes são alguns dos temas que tornam o governo de Brown extremamente não popular. Cortes em recursos para universidades, privatização do Sistema Nacional de Saúde (NHS, em inglês) e dos serviços do Estado de bem-estar social, ataques aos pobres e jovens, investidas contra benefícios, medidas cruéis contra imigrantes em crescimento, bem-estar para os ricos, pago pelos pobres – este é um quadro do governo trabalhista hoje.

 

Com as políticas de Tony Blair de 1997 a 2005, cinco milhões de eleitores abandonaram o trabalhismo. Desde 2005, esse partido perdeu completamente o controle da Assembleia de Gales, perdeu para os nacionalistas escoceses na Assembleia da Escócia, e perdeu 800 vereadores. Essa tendência em declínio continuou sob a liderança de Brown já que em 2009 os trabalhistas foram pesadamente derrotados nas eleições locais e europeias. Muitos trabalhadores não votaram, pois se sentem politicamente alienados e com seu direito ao voto em perigo. Um indicador do declínio na população do Partido Trabalhista é a enorme queda de membros em 160 mil.

 

Políticos e a imprensa capitalista sugerem que a crise econômica está chegando ao fim, baseados nas estatísticas "oficiais" de retorno da produção, otimismo do mercado financeiro em Londres e no crescimento dos gastos de consumo. As reportagens na mídia são tão voláteis quanto os eventos noticiados, à medida que as previsões balançam fortemente com os últimos fragmentos dos eventos diários. No entanto, um cartum recente mostrou um quadro mais realista ao colocar a questão, "existe luz no fim do túnel ou é só uma chama momentânea"?

 

O governo abraçou os grandes negócios e permitiu ao centro financeiro de Londres escrever seus próprios termos de referência para o controle regulatório das atividades bancárias. Brown, anunciado como um especialista com anos de experiência, previu o fim de um boom e a bancarrota de uma geração. Bancos como o Northern Rock quebraram, mas foram classificados como "as melhores práticas de negócios" momentos antes da falência!

 

Mas não é acidental que esses eventos apareçam e continuem. A natureza das crises é complemetamente vinculada às crises do capitalismo britânico, seus recursos internos e seu declínio no mundo, que por sua vez está sofrendo uma crise econômica e financeira.

 

O colapso das relações capitalistas visto na quebra financeira não é devido à intervenção da classe trabalhadora, que ainda está por vir. O principal suporte do governo, na prevenção de uma crise governamental ainda mais profunda, é a liderança sindical. Para prevenir mobilizações de classe contra fechamentos, burocratas sindicais estão fazendo acordos que congelam salários e introduzem práticas de trabalho mais precárias. A resistência está se desenvolvendo, mas ainda não atingiu o nível de prévias recessões pós-guerra. No entanto, a crise atual terá muito mais profundas implicações para a classe que a dos anos 1930.

 

A frágil economia britânica

 

A fraqueza da economia britânica foi exposta quando explodiu a bolha das hipotecas e dos preços de imóveis, o que começou com a quebra do Northern Rock em setembro de 2007. O governo assumiu esse banco por causa de temores de outros bancos e instituições financeiras que poderiam resultar no colapso de todo o sistema bancário. O governo teve que socorrê-los com vários bilhões de libras para prevenir que os choques chegassem às ruas.

 

As quebras vieram do frenesi especulativo que havia sido desencadeado no centro financeiro de Londres, onde todo tipo de fraudes e apostas estiveram na ordem do dia. Enormes ganhos ocorreram, mas muito do dinheiro tinha apenas valor imaginário, embora parecesse muito real para banqueiros e para o governo, e escondeu outros processos. A histórica fraqueza do capitalismo britânico não apareceu apenas em 2007.

 

"O grosso dos  preços ajustados à inflação, dos rendimentos de todas as indústrias de produção combinou queda de 3% ente 2000 e 2007. O nível de emprego baixou perto de 1,1 milhão no mesmo período". Enquanto "o rendimento real da indústria cresceu numa taxa anual média de 2,2% nos EUA, 1,2% na Alemanha e 1,1% na França entre 2000 e 2006, segundo o Banco Mundial".  (www.statistics.gov.uk)

 

A indústria de serviços financeiros, de negócios e de propriedades "cresceu 48% e 33% respectivamente de 2000-2007, comparada com 19% para toda a economia. Seu nível de emprego combinado alcançou perto de 6,7 milhões em 2007, um crescimento de mais de um milhão". (Keith Marsden, Wall Street Journal Europe)

 

A explosiva expansão do crédito de consumo estimulou a demanda por produtos no atacado e varejo e serviços, e o frenesi nos setores financeiro e de propriedades gerado pelo rápido crescimento não sustentado do crédito também alimentou as receitas do governo que permitiram expandir e preveniram o programa dos trabalhistas do colapso.

 

"Desta maneira, apesar do declínio dos ingressos corporativos e de pessoa física e nos impostos da seguridade social das indústrias produtivas, ele (Brown) foi capaz de cumprir a promessa dos trabalhistas na eleição de 1997 de expandir os serviços públicos. Os rendimentos de serviços de saúde e social cresceram 26,3% de 2000 a 2007. O emprego na categoria "outras atividades de serviço", que inclui administração pública e serviços do governo, cresceu 1,3 milhão e alcançou quase 10 milhões – perto de um terço de todos os empregos britânicos". Ibid.

 

Em 1997, Brown transferiu a responsabilidade pela regulação bancária do Banco da Inglaterra para a Autoridade de Serviços Financeiros (FSA, em inglês). A base para as estatísticas de inflação foi mudada quando ele removeu do índice de preços os custos da habitação. Ele ajudou o capital financeiro em Londres a construir seu especulativo frenesi internacional no maior clube de apostas da Europa. Porém, abaixo de toda a sofisticação, eles estavam à beira do colapso que criaria uma crise bancária mais profunda que a dos anos 30.

 

O setor bancário e financeiro foi salvo por crescentes títulos de crédito estatais. A dívida do governo no último ano financeiro foi de 774 bilhões de libras, o que é equivalente a 52,4% do PIB, frente a 36% em 2006-2007. O vasto crescimento veio do socorro ao setor financeiro, o que corresponde a aproximadamente 10% do PIB. O aumento da dívida de 2006-2007, excluindo intervenções, foi de cerca de 110 bilhões de libras, incluindo as medidas de socorro emergencial. Toda a dívida do governo cresceu perto de 250 bilhões de libras.

 

A "nacionalização" da dívida não foi suficiente para "salvar" o sistema bancário e a economia, o governo teve que "imprimir dinheiro", uma extrema modalidade de política monetária chamada "alívio quantitativo", para tentar evitar outras crises. Mas alguém tem que pagar e, na corrida para extrair valor, o ataque se centrará em salários, condições, empregos e serviços públicos. Em maio o FMI estabeleceu que a dívida pública britânica poderia destruir sua economia e é extremamente vulnerável a severos choques por causa da vasta extensão do quebrado sistema bancário. Em setembro, o relatório 2009-2010 do Fórum Econômico Mundial sobre economias mundiais mostrou que o Reino Unido caiu, pelo segundo ano consecutivo, para o 13º lugar entre as mais competitivas nações capitalistas.

 

Promessas vazias

 

Após a Segunda Guerra Mundial, o Partido Trabalhista teve uma ressonante vitória. A classe trabalhadora votou nele baseada em promessas de que não haveria volta do desemprego em massa e da degradação dos anos 30. Os trabalhadores pediam saúde, educação e emprego, e o capitalismo foi forçado a conceder. Nessa época, o partido tinha um milhão de membros.

 

O padrão de vida da classe trabalhadora em geral é de longe superior hoje do que era, mas as expectativas atualmente estão também muito acima. O Serviço Nacional de Saúde, a educação e os serviços de bem-estar são vistos como direitos e tradições, e deveria ser lembrado que eles vieram dos movimentos de massa da classe trabalhadora. Houve lutas de massa da classe como as greves dos mineiros de 1943, que foram tremendamente importantes e que continuaram após a guerra. Essas batalhas foram vistas como uma séria ameaça já que, enquanto introduzia o Estado de bem-estar social, o governo trabalhista também usava mais tropas contra trabalhadores que qualquer outro governo pós-guerra.

 

Mas, sessenta anos depois, o trabalhismo traiu suas promessas. Os trabalhadores estão enfrentando desemprego por longos períodos, e guerras capitalistas impopulares continuam a ser feitas. Apesar de sua força, a posição da classe trabalhadora não mudou nenhuma vírgula e a classe dominante e a burguesia continuam a dominar à moda antiga. Líderes do movimento da classe trabalhadora, os sindicatos e o Partido Trabalhista traíram os trabalhadores e buscam apenas estar na posição do capital financeiro. Hoje, à medida que o poder produtivo britânico declina e enfrenta crescente competição na Europa, a China e outros países estão ressurgindo. A realidade é que nada mudou e não poderia ter mudado sem um questionamento das relações capitalistas de produção. Também a crise da Grã Bretanha deve ser vista no contexto de uma crise mundial em desenvolvimento, e soluções não podem ser soluções britânicas, mas necessariamente exigem uma perspectiva revolucionária internacional.

 

Atacando empregos e o Estado de bem-estar social

 

Um relatório recente do governo apontou que economias "eficientes" de 20 bilhões de libras deveriam ser feitas no sistema de saúde público até 2014. Isso significaria redução na força de trabalho de 10%, sendo que e o NHS emprega mais de 1,3 milhão de trabalhadores. Esse entendimento sobre o que estava por vir foi tão público para os trabalhistas que eles imediatamente se distanciaram do relatório que eles mesmos fizeram. Apesar do medo de perder a eleição de 2010, a liderança trabalhista está indo adiante com seus planos de "modernização" do NHS, educação e de outros serviços públicos, incuindo os correios, onde está prevista perda de 40% dos empregos. Em agosto de 2009 houve uma corrida por lugares nas universidades devido aos cortes em vagas e cursos, apesar do crescimento da demanda, mas muitos dos que deixam a educação, seja, escola primária, ensino médio ou universidade, estão enfrentando um futuro sem emprego.

 

O desemprego é atualmente de 2,47 milhões (7,9%, de acordo com o escritório para estatísticas nacionais, 12/8/09). As cifras mostram uma queda de 743 mil no número de pessoas trabalhando, a maior desde que os registros começaram em 1971, com um a cada seis, abaixo de 25 anos, sem trabalho (928 mil). As estatísticas mostram uma pequena alta de 25 mil no número de pessoas pedindo ajuda do governo para procurar emprego (benefício em dinheiro do Estado de bem-estar social para os desempregados), com 1,58 milhão de pessoas solicitando esse seguro, o equivalente a 4,9% da força de trabalho, a maior taxa desde outubro de 1997. Esses números não representam a verdadeira situação porque muitos desempregados não estão aptos a pedir o benefício. Mostra um contínuo crescimento nas condições impostas nos anos 30, à medida que o governo continuamente torna mais difícil solicitar o seguro.

 

O projeto de lei de "reforma" do Estado de bem-estar social que irá ao parlamento em outubro irá introduzir um "serviço comunitário" obrigatório – um esquema que irá focar em jovens que estão sem emprego por um ano. Também irá impor duras sanções e penalidades, incluindo corte de benefício ou redução para triviais infrações de "obrigações e deveres" como atraso ou não ter os documentos de identificação corretos. As mudanças introduzidas nesse projeto de lei são as mais perniciosas desde a introdução do Estado de bem-estar social, em 1948.

 

O governo trabalhista planeja usar os ataques à classe trabalhadora para reduzir a dívida nacional, o que irá jogar muitos na pobreza. Aqui, vemos o início de uma repetição do que ocorreu nos anos 30, quando o desemprego alcançou 40% e, ao mesmo tempo, o seguro-desemprego foi cortado. De muitas formas, os ataques do governo contra os imigrantes são um ensaio para o que ele pode fazer com a classe trabalhadora. Em outubro, por exemplo, os solicitantes de abrigo, solteiros, que não podem trabalhar terão seu benefício diminuido de 42 para 35 libras por semana. Em 2008, mesmo o comitê parlamentar de direitos humanos provou que o governo trabalhista tem uma política deliberada de levar os solicitantes de asilo à destituição. Os ataques ao bem-estar social e aos direitos dos imigrantes são uma questão que deve ser encarada pelos sindicatos, à medida que esses ataques são usados para dividir os trabalhadores e como preparação para futuros ataques em setores cada vez mais crescentes da classe.

 

Outra arma desses ataques aos trabalhadores é uma contínua e silenciosa erosão dos direitos, que no momento tem como alvo as comunidades muçulmanas, internamente e no exterior, por meio das chamadas leis "antiterror", mas que também serve para dividir trabalhadores, aumentar o racismo e introduzir políticas autoritárias de direita.

 

Imoralidade e corrupção

 

O governo conservador perdeu a eleição de 1994 sob uma sombra de imoralidade e corrupção. Hoje essa sombra paira sobre a atual administração trabalhista seguindo o caso do dinheiro de Blair para a nobreza e, agora, a controvérsia sobre as despesas parlamentares. A reflexão sobre a cultura de vantagens que permeia o centro financeiro e o autoenriquecimento entrou em cada canto do parlamento. Os truques e fraudes que os parlamentares manipulam para aproveitar o estilo de vida de abundância e de segundas casas chocaram e incendiaram os trabalhadores e a classe média. O nível de arrogância e distância dos trabalhadores de muitos parlamentares, surpreendidos porque deveriam prestar esclarecimentos, foi revelado nas seguintes observações, "mas até onde devem ir a avaliação pública e os limites de um parlamentar para ganhar dinheiro, em adição a seu salário de 64.766 libras anuais?" Até onde, perguntam os parlamentares, deve ser permitido ao "poder popular" erodir estruturas de partidos e do parlamento que se desenvolveram por séculos?" (Observer, 9 de agosto).

 

Numa recente declaração, Denis Macshane, parlamentar trabalhista, antigo ministro do gabinete e membro do conselho secreto, acusou o público britânico de "estar passando por um de seus periódicos ajustes de moralidade". Já está previsto que 120 parlamentares trabalhistas e um total de 200 irão renunciar antes da próxima eleição como conseqüência dos "sanguessugas de despesas". Além disso, muitas pessoas percebem o sistema parlamentaristas e seus parlamentares como tão moralmente falidos que elas estão expressando sua intenção de não votar e, com alguns trabalhadores atrasados, de ir para o nacionalista e racista Partido Nacionalista Britânico (BNP).

 

O parlamento, como seu antecessor do século 18, se empanturrou abertamente de patrocínios e buscas pessoais, enquanto ao mesmo tempo ataca os serviços públicos e os trabalhadores.

 

A crise histórica do trabalhismo

 

A atual liderança trabalhista gastou décadas destruindo a base do velho reformismo, que refletia de forma distorcida as lutas da classe trabalhadora e criou uma casca de um Partido Trabalhista. A conferência partidária foi transformada em um clube de debates cujas resoluções são descaradamente ignoradas pela liderança trabalhista.Por exemplo, em 2004, a conferência votou a renacionalização das ferrovias. No entanto, a liderança anunciou que eles iriam simplesmente ignorar essa resolução. A definição de políticas foi transferida para o novos Fóruns Nacionais de Políticas, que se reúnem secretamente.

 

O Partido Trabalhista obtém dos sindicatos, 80% de seus fundos e a maioria deles não desafia o governo, ao contrário, o apóia. Brendan Barber, secretário-geral do Congresso dos Sindicatos, quer um governo trabalhista após as próximas eleições gerais e faz tudo o que pode para estimular isso. Numa recente luta de trabalhadores que estavam ocupando uma fábrica de energia eólica (Vestas), Barber escreveu para Ed Miliband, secretário do Estado para energia e mudanças climáticas, e elogiou "os consideráveis esforços que você já fez para intervir a respeito do planejado fechamento da fábrica da Vestas, para assegurar investimentos e enfrentar as barreiras ao crescimento do mercado de energia renovável". Ele prosseguiu para dizer que espera que Milliband "não tenha medido esforços para encontrar uma alternativa que protegeria habilidades da indústria ecológica e empregos na ilha e em qualquer lugar".

 

Mas o apoio ao trabalhismo não é unânime no movimento sindical britânico. A União Nacional dos ferroviários, marítimos e trabalhadores de transportes (RMT) está fora do Partido Trabalhista e apoiou outros candidatos às eleições europeias. Em setembro, eles anunciaram que conversas informais com grupos de aposentados e organizações de estudantes estavam sendo feitas para preparar uma articulação por uma "aliança de trabalhadores" que conteste algumas cadeiras na eleição geral de 2010. Correntes e líderes da RMT estão também fazendo encontros para discutir o futuro da representação política da classe trabalhadora.

 

Na conferência da União de Serviços Públicos e Comerciais (PCS) em maio, eles votaram começar as discussões com o sindicato para se afastar dos candidatos sindicais e apoiar candidatos alternativos nas eleições futuras. A campanha da PCS "Faça seu Voto Valer" perguntou a candidatos às eleições européias e locais em junho, como eles se posicionavam sobre cortes de serviços públicos e civis, privatizações e pagamentos. O secretário-geral, Mark Serwotka, disse que "é um sinal de quão alternativa é a privatização parcial da Royal Mail e o crescimento do papel do setor privado nos serviços de bem-estar", mesmo quando a opinião pública e as pesquisas rejeitam totalmente essas políticas.

 

A situação subjacente para a Grã-Bretanha é muito grave, com uma crise se aprofundando e, ao mesmo tempo, seu lugar no mundo em declínio histórico. Durante a crise dos anos 30, a Grã-Bretanha tinha colônias na Ásia e na África, muitas das quais eles conservaram na década de 1940 e até mesmo ganharam novas. Uma parte majoritária da luta pelo capitalismo britânico está ocorrendo a portas fechadas nos escritórios trabalhistas, onde planos estão a caminho para vender o que resta do setor público, cortar empregos e erodir direitos democráticos.

 

Trotsky disse em um artigo não terminado em 1940, "Sindicatos e a Época do Declínio Imperialista": "É necessário nos adaptarmos às concretas condições existentes nos sindicatos em cada país para mobilizar as massas, não apenas contra a burguesia, mas também contra o regime totalitário nos sindicatos mesmos e contra os líderes que reforçam esse regime. O slogan primário para essa luta é: completa e incondicional independência para os sindicatos em relação ao Estado capitalista. Isso significa uma luta para transformar os sindicatos em órgãos da ampla massa de explorados e não em órgãos da aristocracia operária".

 

A última frase faz conexão com a luta pela independência incondicional do movimento sindical, mas que ainda está por ser feita na Grã-Bretanha. O setor mais oprimido da classe hoje é a classe trabalhadora imigrante, ainda que os assuntos ligados às suas lutas não sejam direcionados ao movimento sindical em geral. A falta de um direito ao trabalho, apoio financeiro extremamente baixo, a conexão entre direitos e serviços para o status de imigração e muitos outros inaceitáveis controles – não tem sido assuntos tomados pelos sindicatos. O corte de pagamento de 42 para 35 libras por semana para solicitantes de abrigo não foi sequer colocado no congresso de setembro da TUC. O mesmo se aplica aos principais grupos revolucionários na Grã-Bretanha, que ignoram e intencionalmente evitam esses temas.

 

O potencial para a organização revolucionária hoje está aí e precisa ser aproveitado para que encaremos, nas palavras de Rosa Luxemburgo, uma escolha ainda mais absoluta entre o socialismo e a barbárie, "Nós nos colocamos hoje… diante da horrível proposição: o triunfo do imperialismo e a destruição de toda a cultura, e, como na Roma antiga, despovoação, desolação, degeneração, um vasto cemitério. Ou a vitória do socialismo".

 

A tremenda capacidade de luta que foi vista na história da classe operária britânica pode ser desencadeada unindo as lutas nos sindicatos, mas isso deve se basear nas "amplas massas exploradas", nada menos. E um primeiro passo para os sindicatos é romper com o Partido Trabalhista, já que este é o partido do capitalismo, não dos trabalhadores, e o capitalismo irá sempre procurar sair de suas crises às custas das massas.

 

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Artigo publicado no jornal Socialist Voice da ISL, em outubro/2009