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Pedro Sánchez encontrou em Unidos Podemos[1] um sócio privilegiado em Moncloa com a resistência à presente legislatura. Este apoio sem condições que teve início com a Moção de censura, supõe  um novo ar fresco para o  PSOE(Partido Socialista Operário Espanhol)  revitalizar-se.

Por: David Pérez

A volta ao Turnismo[2]: Progressismo  frente ao conservadorismo

Ante a crise do Regime desatada em fins do século XIX marcada por um ascenso operário, que junto com as classes médias, colocou em xeque as elites deste país, os Bourbons puseram em marcha um sistema baseado na alternância de dois partidos, o conservador e o liberal.

Assim quando uma de suas opções se desgastava, o Rei chamava o outro para governar. Hoje “as forças da mudança” baseiam-se na dicotomia “progressista versus conservadores” para ver a realidade política do Estado Espanhol. Enquanto que C´s (Cidadãos) e PP (Partido Popular) têm sua visão dos sujeitos e das forças políticas reduzida a “espanhóis contra separatistas” aproveitando a forte polarização com a Catalunha.

Os patrocinadores da nova política, já não veem “casta versus gente”, menos ainda classes sociais, toda sua análise da realidade se reduz a “progressista versus conservadores”, reproduzindo a velha disjuntiva na qual os diferentes setores burgueses se organizavam na palestra política.

As medidas progressistas de Unidos Podemos e Pedro Sánchez

Escondendo-se atrás desse escudo, Unidos Podemos se entregou de joelhos a Pedro Sánchez, dando amostras de “pragmatismo, diálogo e entendimento”. Trata-se de uma capitulação completa, que busca reconduzir o descontentamento social novamente aos currais do regime, gerando ilusão entre os setores mais castigados de que o PSOE  de Pedro Sánchez pode desempenhar um papel progressivo.

Para justificar-se ante suas bases este alento progressivo que ofusca o PSOE, Unidos Podemos tomou algumas das medidas e promessas que lançaram, como a atualização das pensões ou a promessa de baixar  taxas e  o aumento das bolsas de estudo. Entretanto, se para os progressistas de Unidos Podemos estas concessões representam um sinal progressista do novo governo e tem conotações existenciais, para o PSOE estas concessões respondem à tentativa de frear a mobilização.

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Daí o caráter reacionário destas medidas, que buscam desmobilizar a resistência, para depois voltar a enfrentar . Assim a patronal, junto com seus partidos do arco parlamentar, nunca pode desempenhar um papel progressivo, e se fazem concessões preventivas, responde à tentativa consciente de desmobilizar para mais tarde atacar com mais força.

Todos os dias vemos nas empresas como a patronal quer tirar direitos, mas se depara com a resistência da classe trabalhadora, e acaba reconhecendo direitos que não lhe agradam, para mais tarde tirá-los. Portanto, dar-lhe um caráter progressivo ou apoiar essas medidas vai contra a resistência, porque significa dar apoio e depositar confiança a um dos pilares do regime que tem como única estratégia governar para os bancos e o Ibex 35, respeitando escrupulosamente as exigências da UE.

 Organizar a oposição de classe ao governo do PSOE e Podemos

Como estamos presenciando em Unidos Podemos nestes primeiros cem dias de governo de Pedro Sánchez, não é necessário ter cargos ministeriais para estar governando, basta apenas não colocar linhas vermelhas, apoiar suas medidas progressistas e omitir as traições do mesmo. Entretanto, o papel canalha de Unidos Podemos não somente se dá na esfera institucional colocando-se como servidores das forças de progresso com setores da burguesia.

E sim que, além disso, estas direções procuram colocar a mobilização e resistência a serviço de fortalecer a dita estratégia. Daí que organizar a oposição de classe e democrática a este governo mantendo as demandas do movimento, como  a revogação da reforma trabalhista, a revogação da Lei Orgânica para a Melhoria da Qualidade Educativa (LOMCE), pensões a cargo dos orçamentos gerais do Estado, se converta em uma questão central.

[1] Unidos Podemos é o nome da coligação eleitoral formado por PodemosEsquerda Unida e outros diversos partidos de esquerda para concorrer às Eleições gerais na Espanha em 2016.

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[2]Turnismo foi o sistema que guiou a política do período da Restauração Espanhola. Consistia na alternância dos dois partidos dinásticos no governo, o Partido Conservador e o Partido Liberal.

Tradução: Lilian Enck