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A greve geral do passado 30 de janeiro em Euskal Herria teve um impacto importante, apesar do fato de que a convocatória contava com muitos dissidentes.

Por: Antonio R.

Desde a patronal que não parou em nenhum momento de lembrar, de como se vive bem em Euskadi com o salário mínimo mais alto do estado, as aposentadorias mais altas, etc … até os sindicatos UGT, CCOO e os partidos PSOE, PNV e Podemos que com argumentos absolutamente vergonhosos dedicaram todo o seu esforço a desacreditar a greve geral e a tentar fazê-la fracassar.

O porta-voz do PNV no Parlamento Basco, Joseba Egibar, acusou a ELA e a LAB (organizações sindicais) de tentar “ambientar o ano eleitoral” com essa convocação e considerá-la “desproporcional”, “deslocalizada” e “um certo despropósito”.

Edurne García, de Elkarrekin Podemos, considerou que a convocatória “perdeu o caráter de reivindicação trabalhista” e é mais de natureza “social e política”, ressaltou que a greve surge quando um “governo progressista” acaba de ser estabelecido na Espanha, enfatizou que a maioria das reivindicações dos convocantes é de “competência estatal” e observou que a convocatória “não conta com o consenso de todos os agentes sociais».

Gloria Sánchez, do PSE, opinou que a greve é ​​”política” e constitui “um impulso para o governo de Euskadi em um ano eleitoral”. Considerou essa convocatória “inexplicável” quando “um governo progressista comprometido com o fortalecimento do sistema público de aposentadorias” acabou de ser estabelecido na Espanha e acusou a ELA e o LAB de terem causado a “divisão” do coletivo dos aposentados.

Felizmente, esse bombardeio da mídia não atingiu seu objetivo e o caráter das mobilizações foi de uma enorme combatividade, com uma grande presença de jovens irritados com o futuro ameaçador que lhes é oferecido hoje e que veem como qualquer protesto tem a repressão como resposta. Jovens que esvaziaram os institutos e a universidade e protagonizaram confrontos com os Ertzaina, que reprimiram os piquetes de greve.

Também estiveram presentes, como não poderia ser de outra forma, os aposentados que enchem as ruas há dois anos e que acumulam a experiência das lutas que foram necessárias para arrancar os direitos econômicos e sociais desde a transição e que agora estão em perigo. O impulso dos aposentados foi decisivo na hora de convocar a greve geral.

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A greve teve um impacto significativo nos mais importantes centros industriais de Gipuzkoa, Bizkaia, na Grande Bilbao e na área metropolitana de Pamplona.

Nos demais setores, alguns centros comerciais, como Eroski de Garbera em Donosti, não abriram e entraram em greve pela segunda vez em sua história. Em Bizkaia e Gipuzkoa, muitas das grandes lojas fecharam. Nos serviços públicos, o transporte operava com frota mínima que eram totalmente abusivos. O mesmo na saúde, no entanto, no atendimento primário, a incidência da greve tem sido enorme.

Na administração pública em Gipuzkoa, dezenas de municípios fecharam suas portas. Na escola pública a taxa de paralisação foi de 65% em Euskadi e os serviços mínimos impediram a greve em Navarra. 80% das escolas infantis pararam e 90% das Ikastolas (A Ikastola é um sistema de ensino do País Basco, onde dentro das escolas se fazem as aulas apenas na língua vasca). Na Universidade do País Basco e na Universidade Pública de Navarra, as atividades foram canceladas e também na Universidade de Mondragón, as faculdades de Ciências Empresariais e Sociais foram fechadas. Na rádio e na TV basca, apenas as notícias e os programas gravados funcionaram, apesar dos sindicatos denunciarem o assédio, proibições, multas e obstáculos que a Ertzaintza e outras forças policiais aplicaram contra os participantes da greve geral.

Por fim, destacar as numerosas manifestações convocadas pela Carta Social que foram as verdadeiras protagonistas do dia da greve por sua combatividade e exigência. Milhares de trabalhadores se manifestaram exigindo aposentadorias e salários decentes e a revogação da reforma trabalhista que cortou os salários e os direitos sociais em benefício dos empresários. Essas manifestações expressaram fortemente a demanda por mudanças nas políticas sociais. Por todas essas razões, desprezar essa mobilização e minimizar seu alcance, como fizeram o governo basco, os empresários, os sindicatos e alguns partidos que se denominam de esquerda, é fechar os olhos para uma evidente inquietação social e necessidades sociais urgentes.

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No resto do Estado Espanhol

Na Catalunha, foram realizadas duas concentrações organizadas pelo sindicalismo alternativo: CGT, CO.BAS, Solidaridad Obrera, IAC, CNT, COS.

De manhã, às 11 horas em Passeig de Gràcia, cerca de 150 pessoas se concentraram com a presença dos sindicatos convocadores e várias Mareas Pensionistas (é uma plataforma que luta para salvar as pensões de todos os espanhóis). As consignas mais cantadas ​​foram as relacionadas à defesa das aposentadorias e, sobretudo: «governe quem governe as aposentadorias se defende».

À tarde, às 18hs, em Jardinets de Gràcia, cerca de 200/250 pessoas estavam concentradas com a presença dos sindicatos convocantes e dos temporários que hoje estão saindo às ruas para defender seus empregos.

Corriente Roja participou da concentração pela manhã, à tarde e também em uma pequena concentração que ocorreu em Sabadell.

Em Sevilha, cerca de 100/150 pessoas convocadas pelo sindicalismo alternativo (SAT, CGT, CNT, USTEA, CO.BAS) e onde também participou Corriente Roja. Além disso, também houve concentrações em Granada e Málaga.

Em Madri, foi realizada uma manifestação na Plaza del Museo Reina Sofía pelas várias plataformas de aposentados: Plataforma de Pensionistas Indignados; Plataforma de Pensionistas de Móstoles; Marea Pensionista de Madri; Movimento Pensionistas de Madri; Coletivo de pensionistas CNT Aranjuez, organizações sindicais: CO.BAS; CGT; sindicato de estudantes; organizações políticas: Corriente Roja; Izquierda Revolucionaria; Corriente Revolucionaria de Trabajadores/as; Izquierda Castellana; e organizações sociais e juvenis: UPLA a União; Marchas de Dignidade; Livre e combativas; Plataforma de remunicipalização; Coordenadora 25S; Coordenadora Madrilenha de Funcionários Públicos em Fraude Jurídica; Munimadrid Diversidad Funcional e CIDESPU Móstoles.

Sob os lemas: “nenhum governo jamais nos deu nada” e “governe quem governe: trabalho, aposentadorias e vida decente”, “solidariedade com a greve geral do País Basco e Navarra”, aproximadamente 400 pessoas se concentraram das 18 horas até quase 20 horas. Durante a manifestação, um microfone aberto estava dando lugar às diferentes intervenções das organizações presentes que, em um ambiente bom e fraterno, mostraram seu apoio e solidariedade à greve geral protagonizada pelos trabalhadores e trabalhadoras de Euskal Herria.

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O anúncio grandiloquente por parte do governo do aumento do Salário mínimo (SMI) em 50 euros e 0,9% nas aposentadorias, nitidamente insuficiente, e a não revogação das reformas trabalhistas de 2010 e 2012, considerado que não é possível revogá-las tecnicamente, é um anúncio que revela quão pouco se pode esperar desse novo governo “responsável”. Por isso, que estavam concentrados exigiram do governo desde YA! A revogação das reformas trabalhistas, uma aposentadoria mínima de 1.084 euros, um SMI de 1.200 euros e o fim dos despejos. A concentração foi outro exemplo do “governe quem governe os direitos se defendem” e que não são tempos de cheques em branco, mas de fatos e realidades diante das necessidades mais prementes que a classe trabalhadora segue tendo ainda hoje. Como dizia a declaração conjunta: os trabalhadores e trabalhadoras ainda têm as mesmas razões para lutar.

Infelizmente, o papel dos líderes da CCOO, UGT e Unidas Podemos em Euskal Herria foi uma vergonhosa convocação para evitar a greve.

Corriente Roja e o sindicato Co.bas tiveram um papel ativo nas concentrações e eventos que se seguiram ao longo do dia e mais uma vez estiveram ao lado dos que lutam.

Também houve atos e concentrações em outros territórios do Estado Espanhol, como o País Valencià, Astúrias, Galiza, onde houve concentrações em diferentes cidades e uma manifestação em Vigo e Aragón, onde entre 100/150 pessoas se reuniram convocadas pela Intersindical de Aragón- CO.BAS entre outras.

Tradução: Nea Vieira