Os dirigentes dos sindicatos junto com os máximos dirigentes da PIT-CNT assinaram acordos salariais da educação pelas costas dos trabalhado­res. No início do conflito, o governo tornou  públicos os documentos em que estavam estampadas as assinaturas dos máximos dirigentes.Por: IST – Uruguai

Os burocratas sindicais foram às assembleias dizer que só haviam assinado um “pré-acordo”, mas foram rechaçados pelas bases de todos e cada um dos sindicatos. A proposta que haviam assinado ofere­cia 25 mil pesos para 2020 e não 30 mil pesos como reivindicavam os docentes e professores em luta.

Em meio ao decreto de essencialidade (que proibia greves e protestos públicos na educação), novamente os burocratas da PIT-CNT e a grande maioria dos diri­gentes da educação voltaram a assinar uma ata em que o governo se comprometia a retirar a essenciali­dade quando os sindicatos retirassem as medidas de luta. Porém, novamente, os dirigentes ficaram em maus lençóis, quando as assembleias massivas votaram continuar a luta. As bases decidiram continuar a luta e obrigar o governo a retroceder no decreto de essencialidade, que não se aplicava na educação desde a época do governo reacionário de Pacheco Areco, cuja repressão levou ao início dos assassinatos de estudantes em 1968, quando caiu o pri­meiro mártir, Líber Arce.

Este foi o outro triunfo dos trabalhadores, da re­belião das bases e da democracia operária: haver desmascarado o papel traidor das direções burocráticas.

Isto coloca uma necessidade: recuperar os sin­dicatos para os trabalhadores, pondo na sua direção os melhores lutadores, os companheiros honestos e que queiram lutar de forma consequente contra o governo e as patronais. Nos conflitos em marcha devemos propor a criação de um comitê de greve para dirigir a luta, integrado pelos melhores lutadores, para levar adiante o que a base decidir e não dar um só passo pelas costas dos trabalhadores.

Hoje a burocracia controla nossos sindicatos, transformaram-nos em um trampolim onde fazem carreira para chegar a cargos de governo com elevados salários, não trabalham há muitos anos e vivem usufruindo os privilégios e viáticos para proveito próprio.

Os docentes, professores e todos os trabalhadores devemos avançar na tarefa de expulsar estes parasitas a serviço da patronal e do governo e recuperar os sindicatos para a luta e para os trabalhadores.

Artigo publicado em Rebelión, n.° 31, setembro/outubro de 2015.-

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Tradução: Nea Vieira