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Está em curso uma rebelião popular no Haiti, com consequências imprevisíveis neste momento.

Por: Daniel Sugasti

O país está em completa ebulição política, está tomado por manifestações e barricadas aparentemente auto-organizadas. Saques de centros comerciais também são registrados. O epicentro é Porto Príncipe, a capital, e a cidade de Cap Haitien, ao norte.

O estopim foi a intenção do governo de Jovenel Moïse, na última sexta-feira, 6 de julho, de aumentar entre 40 e 50% o preço do combustível. Especialmente carvão e querosene, que são mais comumente usados ​​pelos pobres para cozinhar e iluminar suas casas. Gás e mesmo eletricidade são menos acessíveis, em meio à conhecida situação de pobreza em que a maioria do povo haitiano vive. Até agora, três pessoas morreram após a repressão do governo.

Didier Dominique, do Batay Ouvriye, destaca o papel da classe operária na explosão deste processo “foi, de fato, com a classe trabalhadora têxtil (SOTA-BO), inicialmente, com a mais recente luta por salário mínimo , que o protesto começou. Ela se converteu em revolta e, com a questão da gasolina em rebelião séria”.

Outro relato, desta vez do jornalista Henry Boisrolin, nos diz:

“Há alguns dias se vive uma insurreição em quase todas as regiões do país. As estradas são bloqueadas, há incêndios, barricadas e violentos confrontos em diferentes lugares. Esta situação é o resultado de um acúmulo de conflitos, descontentamento e enfrentamentos de todos os tipos que estão se desenvolvendo há anos, diante das políticas antipopulares e de saque que estão sendo implementadas pelo governo fantoche do atual e ilegítimo presidente Jovenel Moïse […] A insatisfação e clamor popular que se expressam nas barricadas e nas ruas exigem a renúncia do presidente, querem a queda do governo “.

O aumento dos combustíveis é parte de um compromisso com o FMI, assinado em fevereiro, que procura impor um pacote de medidas neoliberais contra o já sofrido povo haitiano.

A força do levante é tão grande que Moïse foi forçado a retroceder e anular o decreto de aumento dos combustíveis na noite de sábado. O presidente também chamou a “calma e a volta para suas casas.” Mas essa medida desesperada não diminuiu os protestos, que se voltam mais e mais contra o governo como um todo. As organizações sindicais e sociais convocaram uma greve geral para os dias 9 e 10 de Julho para protestar contra o aumento dos preços.

A instabilidade motivou um alerta na embaixada dos EUA aos seus compatriotas na ilha para que evitem sair nas ruas. Algumas companhias aéreas suspenderam seus voos. Há sinais de pânico entre a classe dominante. A família do ex presidente haitiano Michelle Martelly fugiu para República Dominicana. Outras famílias ricas, bem como membros do gabinete do Presidente Moïse, também pretendem fugir para o outro lado da ilha.

O povo haitiano, mais uma vez, mostra toda a sua rebeldia e disposição para lutar. Mostra o caminho para a classe trabalhadora e os demais explorados da América Latina e do mundo. Assim que se enfrenta os planos do imperialismo que executam os governos fantoches: com a rebelião nas ruas, incutindo o terror nas classes possuidoras e entreguistas.

O processo de rebelião popular no Haiti merece toda a ativa solidariedade e a atenção dos revolucionários e de todos os ativistas sociais. É um confronto direto com o imperialismo no país mais pobre da América, protagonista da primeira e única revolução negra vitoriosa da história.

A LIT-QI, expressa solidariedade incondicional ao povo haitiano. Condenamos veementemente a repressão do governo e das tropas  “de paz” da ONU, que vergonhosamente contam com muitos soldados de países latino-americanos, enviados em seu momento pelos chamados “governos progressistas” -Lula, Evo, Tabare Vazquez, os dois Kirchners, Lugo, Dilma – e mantidos pelos atuais governos de “direita”, todos igualmente subservientes ao imperialismo.

A luta do povo haitiano é a luta de toda a classe trabalhadora latino-americana e mundial.

Fora Moïse!

Fora as tropas da ONU, a MINUJUSTH!

Viva a revolta do povo haitiano!