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Este ano começou com más notícas para os trabalhadores e a população mais pobre do país.  O ridículo aumento salarial decretado pelo governo não serve sequer para pagar os reajustes autorizados no transporte, as matrículas dos colégios e universidades privadas ou as novas tarifas de serviços públicos.

 

A emergência social declarada pelo governo para enfrentar a crise das EPS (Entidades Promotoras de Saúde) foi aproveitada para limitar ainda mais o acesso a saúde e proteger os lucro do parasitário do setor financeiro. Em síntese, o governo segue descarregando os efeitos da crise econômica sobre as costas da população trabalhadora.

Ainda que as pesquisas mais recentes mostrem o desgaste do governo, este não retrocede em sua intenção de se reeleger. O argumento principal é dar continuidade ao regime de Seguridade Democrática que se resume em segurança para os ricos, as multinacionais e seus lucros e "democratização" da pobreza, o desemprego, o deslocamento forçado e a insegurança social.
 
Por isso é necessário propiciar a mais ampla unidade da oposição política contra o governo de Uribe e os planos do imperialismo. Esta unidade não deve limitar-se ao terreno eleitoral controlado pela burguesia, mas sim ter como eixo o fortalecimento da mobilização de protesto.

Nesse terreno os setores sociais, que em diversos eventos tem manifestado a disposição para a unidade, têm a obrigação de apresentar um plano que arranque o repúdio ao referendo de reeleição unido a exigência de um replanejamento do fundo do orçamento aprovado para 2010, dando prioridade a um plano de obras públicas que responda ao crescente desemprego, o financiamento adequado da saúde e educação como obrigação do Estado, e garantias para o retorno a sua terra para população deslocada. Estas exigências devem somar-se ao repúdio a instalação das bases ianques no território colombiano.

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A Grande Coalizão Democrática[1] – se quer realmente ser um ponto de referência para os que desejam lutar – deve ser um espaço onde se concretize este plano de ação retomando a agenda adiantada do ano passado, mas dependerá da pressão das bases sindicais e as organizações sociais que estão presentes nela para que assuma esta tarefa.
 
Contra o referendo e a reeleição: Abstenção ativa e voto em branco

A insegurança criada pelo trâmite do referendo de reeleição e a hipócrita indefinição do presidente Uribe em torno a sua postulação para um terceiro mandato, mantém a oposição política suspensa frente à campanha eleitoral. Esta incerteza só poderia se resolver impulsionando o mais amplo movimento de protesto contra os planos do governo e o imperialismo, e esse é o calcanhar de Aquiles de uma oposição medrosa que oscila entre o uribismo "não reeleição" e o apoio declarado a Seguridade Democrática do candidato do Polo[2], Gustavo Petro.

Estas posturas são reforçadas pelas ações militares das FARC, como o sequestro e morte do governador de Caquetá, que facilitam o governo a justificativa para a continuidade de seus planos e a entrega descarada do território as tropas norte-americanas. Por isso é necessário planejar a tempo com um chamado a mobilização o chamado a abstenção em caso de que o referendo seja aprovado pela Corte Constitucional. Tal como fizemos frente ao primeiro referendo convocado por Uribe, podemos impor uma derrota a sua manobra ditatorial.

Mas em caso de que saísse adiante e concretizasse sua postulação como candidato, devemos impulsionar desde já a proposta de retirada de todos os candidatos diante da evidente falta de garantias e o chamado unitário ao voto em branco para deslegitimar politicamente a todos os que se apresentem, incluído o pequeno Bonaparte que se entrincheirou com seus partidários no Palácio de Nariño (NdR: sede do governo colombiano). Somente a implementação destas propostas pode colocar o povo colombiano na ofensiva contra um governo que pretende perpetuar-se indefinidamente para aumentar sem medida a exploração dos trabalhadores e o saque do país em benefício da burguesia e das multinacionais.
 
Bogotá, 25 de janeiro de 2010

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[1] Grande Coalizão Democrática: frente de organizações políticas, sociais e sindicais, opositora ao governo de Uribe, impulsionado pela organização de centro-esquerda Polo Democrático Alternativo;
[2] Polo – Partido Polo Democrático Alternativo de orientação centro esquerda;