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Com a aprovação do Tratado de Livre Comércio (TLC) no Congresso dos EUA, Juan Manuel Santos e Barak Obama avançam em seus planos econômicos. Com o TLC, a reforma do judiciário, a lei de impunidade aos paramilitares desmobilizados e o foro privilegiado aos militares, se consolida o plano de Santos. O seguinte passo é a contrarreforma da educação pública, reforma necessária para seguir as linhas do TLC, de tal forma que as multinacionais da educação participem do negócio, já que a educação conseguiria se consolidar como mercadoria em benefício do capital. Contra ela se levantou o movimento estudantil obrigando-o a adiar seu projeto.

Obama assinou os acordos comerciais com a Colômbia, Panamá e Coréia do Sul, depois de sua aprovação no Congresso, e sua implementação poderia demorar de oito a quinze meses. A assinatura do tratado com os EUA desatou a oposição das direções sindicais e de alguns setores burgueses que se sentem ameaçados, porém até o momento, Santos tenta tranqüilizá-los utilizando a demagogia e o prestígio conquistados graças a sua política de Unidade Nacional e acordo. Santos anunciou que porá em marcha o que qualificou como estratégia integral: “Esta estratégia –afirmou– terá como objetivo principal que todos os colombianos tenham informação, capacitação e apoio para identificar as oportunidades para suas empresas, para suas atividades, e as converter em realidade”. Revelou, além disso, que para liderar essa política designará um colombiano de experiência, quem será o grande czar do acordo comercial com os Estados Unidos.

Por outro lado, Santos assegurou que o campo não ficará desprotegido, uma das maiores preocupações do setor agropecuário ante a avalanche de produtos subsidiados ianques que se avizinha. Em que pese o anúncio de Santos, entidades sindicais como a Central Unitária de Trabalhadores consideram que o negociado no TLC “atenta contra os interesses da nação” e duvidam da criação de centenas de milhares de empregos que promete o governo. Lamentavelmente sua oposição não tem ido além de declarações verbais. Não há decisão de mobilizar os trabalhadores ameaçados pelas conseqüências do TLC.

Esta atitude é aproveitada por Santos, que tomando à ofensiva, agora pretende lançar seu fiel escudeiro, o vice-presidente Angelino Garzón, na direção da OIT, para o qual iniciou a campanha propondo a Obama apoiar sua candidatura. Com isto se consolida o papel que vem desempenhando Garzón mostrando-se, quando necessário, como crítico do governo Santos, o que não é mais que uma manobra para enganar e manipular à classe trabalhadora através da direção sindical. A cara conciliadora do governo tem seu reverso na repressão à mobilização operária em Porto Gaitán e na ofensiva militar contra a insurgência, com a qual conseguiu a morte de Alfonso Cano, máximo comandante das FARC.

Mas o panorama para os trabalhadores tende a piorar: em Pacific Rubiales contratam “Cochi” Araujo, ex-ministra de Álvaro Uribe, com um salário altíssimo, e Pacho Santos conquista contratos milionários, ao mesmo tempo em que pede a eliminação dos estudantes que protestam. Enquanto os trabalhadores petroleiros seguem em condições lamentáveis e recebendo salários de fome; em igual situação encontram-se os trabalhadores de la palma. O discurso enganoso e demagógico deste governo afirmando que as pessimamente denominadas Cooperativas de Trabalho Associado se extinguiram, fica claro nestes setores onde a grande maioria dos trabalhadores estão contratados por intermediários e muito poucos diretamente pela empresa. 90 % dos trabalhadores vivem em condições lamentáveis, com contratos de máximo dois meses e sem benefícios, pressagiando o que espera os trabalhadores colombianos sob o TLC.

Que fazer? O caminho assinala os estudantes universitários e os trabalhadores terceirizados com sua luta e mobilização. Devemos exigir da CUT e da Fecode que abandonem sua política de acordo e decidam pela mobilização e a greve geral como estão fazendo os estudantes e os trabalhadores chilenos, enfrentando o governo Piñera. É necessário coordenar as lutas em curso. Os estudantes devem fortalecer sua mobilização com o respaldo dos demais setores sociais, começando pelos próprios professores e trabalhadores universitários, ao mesmo tempo em que levantam, além de consignas contra o projeto privatizador do governo, a exigência de solução às exigências dos trabalhadores petroleiros e palmeros. Desde as bases estudantis e operárias devemos empalmar a Coordenação de Movimentos Sociais da Colômbia (Comosocol) para que promova um plano de ação que unifique os setores em conflito com o objetivo de frear os planos de Santos-Obama. No setor educativo é urgente que a Frente pela Defesa da Educação Pública convoque um encontro de emergência que prepare uma paralisação nacional do setor para enfrentar unificadamente o pacote de contrarreformas do governo.

Bogotá, Novembro 20 de 2011

Tradução: Érika Andreassy