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Mais uma vez, os trabalhadores não têm alternativa que não seja votar em branco nas eleições regionais de outubro próximo e, por outro lado, organizar a luta contra os planos do governo de Iván Duque.

Por: Comitê Executivo – PST Colômbia

A imagem é realmente desanimadora para os explorados e os pobres do país. A situação econômica e social crítica que nos aflige não encontra resposta em nenhuma das alternativas políticas reformistas que disputam o apoio da população pobre. Em nenhum terreno. Nem no democrático burguês das eleições, nem no enfrentamento direto com a situação de fome, desemprego e repressão política.

As propostas eleitorais burguesas, como sempre, são reduzidas a concretizar as manobras clientelistas que garantem às máfias regionais o saque do orçamento público. Em todos os departamentos e cidades, os políticos burgueses criam todos os tipos de acordos para colocar corruptos que por décadas enriqueceram à custa de perpetuar a pobreza, a negligência e o atraso econômico e social. Deixando de lado todas as diferenças sobre acordos de paz, gestão de regime e a repressão política, os partidos burgueses que apoiam o governo e os partidos autoproclamados independentes estabeleceram frentes eleitorais para garantir o controle de governos, assembleias, prefeituras e câmaras.

O que é desconcertante para os trabalhadores é a resposta das organizações políticas reformistas – Polo e Colômbia Humana – e dos partidos de esquerda que se escondem atrás dessas organizações. Seu objetivo não é unir os explorados contra os planos do governo, do imperialismo e da burguesia, mas a disputa caudilhista e burocrática sobre as posições privilegiadas nas candidaturas e listas. Sem se importar nem um pouco com a angústia dos pobres e suas expectativas unitárias contra os exploradores, eles não hesitaram em apoiar candidatos burgueses, em vez de unir forças contra os planos do governo.

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As características antidemocráticas do regime político colombiano, consagradas na Constituição de 1991, impedem que as organizações políticas minoritárias dos trabalhadores apresentem candidatos às eleições burguesas. Esse privilégio é reservado aos partidos dos exploradores e às organizações reformistas que aderiram a esse regime, em troca de sua renúncia ao combate ao capitalismo e suas chagas.

Essa é a explicação de por que não existe uma proposta claramente trabalhadora e socialista que elabore um programa para resolver os problemas mais agudos e urgentes de milhões de pobres, nacionais e venezuelanos, que são debatidos em meio à fome e à privação e que veem, impotentes, como seus líderes são assassinados às dezenas. As propostas que, a partir destas páginas, fizemos ao último Congresso da Central Unitária de Trabalhadores, CUT, para organizar chapas operárias e populares com os melhores líderes sindicais, camponeses e populares, em torno das quais nos unificássemos, todos aqueles que estão em contra esse governo e seus planos, foram abertamente desconhecidos pela direção da Central.

Algo semelhante aconteceu com a nossa proposta de incorporar, os líderes ameaçados, nas principais posições das listas da oposição. Para todas essas organizações, as prioridades são definidas pela maneira como gerenciam os negócios dos capitalistas. Caso contrário, não é possível explicar que a “razão” final da divisão em Bogotá entre Claudia López e Gustavo Petro é a construção de uma ou outra modalidade do trem metropolitano, e não o destino dos setecentos mil desempregados na cidade, três milhões de marginalizados que se amontoam em bairros de periferia ou centenas de lutadores ameaçados.

Os trabalhadores e ativistas das organizações socialistas e revolucionárias que não podemos apresentar nossos próprios candidatos não nos deixaram outra alternativa senão dedicar todas as nossas forças à organização de trabalhadores terceirizados e não sindicalizados, à disseminação do programa socialista. E à busca da unidade de todos nós, que estamos dispostos a lutar abertamente contra os planos de exploração da burguesia e o extermínio dos lutadores sociais.

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Diante do atual processo eleitoral, chamamos a votar em branco ante da onda de assassinatos de lutadores em meio a um regime e um governo que não nos dão garantias. O voto em branco deve ser nosso voto de protesto contra os planos do Duque, contra todos os candidatos da burguesia e contra os acordos oportunistas do reformismo.

Tradução: Lena Souza