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VOLTAR AS RUAS.


 


 


O fim da greve dos professores e da mobilizacao dos estudantes do segundo grau, a desarticulacao do movimento estudantil universitario, o assassinato dos 11 deputados do Valle, as caminhadas de camisetas brancas pelo fim dos sequestros, o apoio a Seguranca Democratica de Uribe e os resultados das consultas para designar os candidatos as eleicoes de outubro, configuram uma nova conjuntura politica nacional. 


 


Durante o mes de maio, o setor de educacao protagonizou uma mobilizacao contra o governo e demonstrou que era possivel enfrenta-lo nas ruas, mas, a direcao do movimento encabecado pelo Polo Democratico Alternativo, impos o fim da greve do Fecode (Federacao Colombiana de Educadores), facilitou a repressao contra os estudantes secundaristas e deixou a mobilizacao isolada nas Universidades Publicas e que, uma a uma foram sendo fechadas ou declaradas de ferias. Em consequencia disto o corte no repasse de verbas foi aprovado e por outro lado, a aprovacao do Plano Nacional de Desenvolvimento continua em curso, apesar das objecoes presidenciais. Uribe inclusive se deu ao luxo de rejeitar o financiamento do Hospital da Universidade Nacional, unica coisa concedida a universidades publicas, enquanto prossegue liquidando o ISS (Instituto de Seguranca Social) e a Clinica Pediatrica de Bogota.   


 


Derrotada a greve da educacao, o governo retomou seus planos. A reacionaria agenda legislativa se somaram a execucao dos novos planos de privatizacao com a colocacao a venda da Ecopetrol e a aceitacao das recomendacoes da Comissao de Gastos Publicos de leilar as empresas lucrativas que restam, comecando pela Isa e pela Isagen do setor eletrico.  O setor privado aprofunda a desnacionalizacao com a venda, ao capital europeu, do jornal El Tiempo e uma divulgacao semelhante com relacao ao Postobon (principal fabrica de refrigerantes de Colombia). As dificuldades pelas quais atravessa a implementacao do Tratado de Livre Comercio com os Estados Unidos, tem sido parcialmente compensadas pela extensao da Aptdea (vantagens alfandegarias para os exportadores colombianos em combate contra o narcotrafico). O governo, por sua vez, comemora o crescimento de 8% na economia durante o primeiro semestre deste ano, demonstrando que acertou em sua politica, apesar de que o custo de vida tenha disparado comendo o reajuste do salario minimo enquanto que o desemprego se mantem e cresce. 


 


Este ataque ao nivel de vida das massas em beneficio dos negocios do Imperialismo de dos grandes capitalistas, ficou em segundo plano com o assassinato dos deputados do Valle. Como em outros momentos, o governo usa os cadaveres como tribuna para ratificar sua politica repressiva, enquanto continua jogando terra sobre as milhares de valas comuns abertas pelos paramilitares. Desta vez se observou um triunfo politico importante, quando levaram para as ruas milhares de pessoas que apontaram a guerrilha como o principal inimigo e exigiram o chamado Acordo Humanitario.


 


Mas, ainda que tenha havido um exito conjuntural, o caminho de Uribe continua cheio de obstaculos. A crise da para politica continua em curso e ja se faz sentir seu mau cheiro no Palacio de Narino com a prisao apresiamento de Mario Uribe, primo do presidente. Nao se sabe se o crescimento economico e gordura ou inchaco e as diversas alas da burguesia crioula e imperialista cobram gestos de apoio do governo a tal ponto, que a classe media que responde as pesquisas comeca a mostrar-lhe o espelho da sua popularidade. Todos tem acordo, entretanto, quanto a conduzir o povo colombiano ao beco sem saida das eleicoes. O triunfo desta manobra reacionaria sobre a necessidade de nos mobilizarmos para derrubar este governo autoritario e liquidar o regime semi fascista colombiano, depende em boa parte da direcao do Polo Democratico Alternativo – movimento politico hegemonico na maioria das organizacoes da juventude, sindicais e populares – cuja proposta eleitoral reitera, no campo politico, a tatica de “mobilizar para consertar” que levou ao fracasso a greve na educacao, agora colocada como “votar para conciliar”.  Essas aliancas eleitorais, com descarados politiqueiros burgueses e programas de colaboracao de classe tornam os comicios de outubro, em uma armadilha para os trabalhadores e nao em na tribuna de denuncia da barbarie capitalista e de estimulo a mobilizacao, que poderia ser.  


 


A partir do movimento das massas devemos exigir que se retome o caminho das mobilizacoes  apontado pela greve de maio, na educacao. So uma verdadeira Greve Nacional, como aquela realizada ha trinta anos contra o governo de Alfonso Lopez Michelsen – quem, a proposito do seu falecimento, e apresentado como um democrata exemplar, e nao como o agente politico da burguesia e do imperialismo, que foi – obrigara Uribe e o seu parlamento a retroceder. O Encontro Nacional das Vitimas deveria ser um ponto de referencia para a rearticulacao da luta operaria e popular pelo fato democratico mais importante para o povo colombiano: castigar os responsaveis intelectuais e materiais do genocidio contra o campesinato pobre e contra a vanguarda operaria e popular, total indenizacao as vitimas e, uma reforma agraria radical como primeiro passo em direcao as profundas transformacoes exigidas pela nossa sociedade a fim de superar a barbarie capitalista. A esta reivindicacao democratica devemos acrescentar a exigencia de um reajuste salarial que compense os altos precos, a rejeicao a privatizacao da empresas estatais e o chamado a rearticular a luta da educacao com as sindicais e populares, para novamente enfrentar o governo nas ruas.


 


 


Partido Socialista dos Trabalhadores


Bogota, 20 de julho de 2007.