COMPARTILHAR

As abaixo assinadas, somos mulheres, trabalhadoras, donas de casa, estudantes, lutadoras e revolucionárias. Vivemos diariamente a opressão e a exploração do sistema capitalista e, hoje, no contexto da forte luta estudantil que está acontecendo pelos direitos das mulheres, queremos fazer um apelo às e aos trabalhadores, e suas organizações.

Por: MIT Chile

Já se passaram mais de cinco semanas desde que uma grande marcha em 18 de abril começou em todo o país um movimento de ocupações em universidades e colégios com a demanda por uma educação não sexista (que não promova a superioridade de um sexo sobre o outro) e para acabar com o assédio sexual / abuso contra as mulheres. Agora há um chamado para uma greve geral de mulheres neste 6 de junho.

O maior número de abusos sofridos pelas mulheres, maus tratos, estupros e feminicídios ocorrem em situações de pobreza, marginalização, alcoolismo e dependência química. Para as trabalhadoras fica a pior parte. Estamos fartas, é por isso que este grito de luta juvenil é um respiro moralizante para uma luta que devemos continuar.

As mulheres burguesas têm uma realidade muito diferente: podem defender-se com advogados, proteger-se com saúde privada e abortar quando querem sem risco de morte e sem serem penalizadas. Pior, muitas mulheres burguesas atacam às trabalhadoras e aos trabalhadores. Portanto, diante dessa luta contra o machismo, há um problema que a atravessa: é a luta ou a diferença entre as classes.

Estamos convencidas de que, a luta contra o machismo e o sistema que o sustenta, temos que dar a classe trabalhadora como um todo: mulheres e homens. No entanto, isso pode não ser eficaz se os homens de nossa classe não se localizam a partir de uma posição honesta e autocrítica, lutando contra seus privilégios e somando-se a esta luta, lado a lado com as mulheres trabalhadoras e jovens.

Leia também:  5 feminicídios em 36 horas: Devemos ampliar a luta contra o machismo

Esta necessidade de que os/as trabalhadores se juntem à luta estudantil torna-se mais imperativo agora que Piñera respondeu a esta “onda feminista” com o melhor que sabe fazer: promessas para tentar cooptar e acabar com uma mobilização que vai no sentido de ameaçar seu governo. Ele diz que vai impulsionar uma legislação contra a violência nas relações.

E uma reforma constitucional que garanta a total igualdade de direitos e obrigações para homens e mulheres. Difícil acreditar nisso. Mas já mostrou a sua verdadeira cara ao aparecer com novos ataques aos nossos direitos: as creches que ele propõe serão financiadas com fundos de seguro-desemprego; e para reduzir a distância entre mulheres e homens nas contribuições para a saúde, propõe que os homens aumentem sua contribuição. É evidente que se trata de um ataque, ao qual devemos responder não apenas as mulheres, mas também os homens trabalhadores. Por sua parte, os jovens que estão lutando não devem acreditar nas falsas promessas do governo, especialmente quando se propõe ataques. O movimento deve continuar a se fortalecer.

A coragem do movimento refletida nessas ocupações de estudantes feministas é a de ter imposto a questão na agenda presidencial, como aconteceu com as manifestações de 2011 que forçaram o governo de Bachelet a discutir questões que não tinham prioridade, como a educação gratuita e o fim da municipalização.

Nós, os/as trabalhadores, não podemos permanecer impassíveis ou apenas saudar o movimento estudantil à distância. As demandas como o fim da diferença salarial, para um acesso digno à saúde sem lacunas, ou que o Estado assuma responsabilidade pelas tarefas domésticas, estão relacionadas com todos/as, são de nosso interesse. Precisamos exigir que o dinheiro do cobre e das AFPs sejam destinadas para um orçamento de emergência contra a violência às mulheres e não para os bolsos de empresários inescrupulosos! É por isso que temos que defender ativamente essa luta até o fim, devemos nos somar, independentemente dos partidos do governo e da Nueva Mayoría (Nova Maioria).

Leia também:  “Há mulheres que não têm medo das balas”

As mulheres trabalhadoras e camponesas e nossos companheiros de classe, devemos discutir o problema do machismo em assembléias, sindicatos, organizações populacionais, comitês de moradia e reuniões de bairros. Ao combater o machismo, fortalecemos nossa própria classe, em nossas próprias casas, bairros, locais de trabalho e organizações; Apoiaremos a nossas companheiras estudantes e uniremos nossa luta pela libertação total das mulheres à luta pela libertação total de nosso povo oprimido e explorado.
O movimento estudantil mostrou que precisa da força dos trabalhadores nas ruas para ser vitorioso, o que podemos garantir se avançarmos na preparação de uma Greve Nacional encabeçada pelas trabalhadoras. Isso ajudará a colocar em xeque os interesses dos empresários e seus governos.

Mulheres do MIT:

  • Marcela Olivares, diretora provincial ANEF Valparaíso
  • María Rivera, Advogada da Defensoría Popular
  • Marcela Ortiz, Professora membro do SUTE
  • Iris Reyes, Sindicato Lider, La Reina
  • Lara Heredia, trabalhadora de call center, membro NO+AFP Valparaíso
  • Daniela Delgado, membro sindicato n°2 de Trabalhadores da Educação de La Florida
  • Leyla Pacheco, membro do sindicato Villa Grimaldi
  • Carolina Muñoz, moradora em Punta Arenas
  • Alejandra Pereira, trabalhadora e parte de MPL Peñalolen
  • Pamela Salgado, terapeuta ocupacional e membro NO+AFP Macul
  • Catalina Carvallo, restauradora, Equipe de Comunicação do MIT
  • Dani Kelü, Equipe de Comunicação do MIT
  • Camila Ruz, trabalhadora call center e membro do sindicato STA
  • Anabella Lincopan, estudante engenharia Forestal, U. de Chile

Tradução: Nea Vieira